Orçamento Legislativo Participativo: as gentes decidindo Com a presença de entidades sociais e populares na abertura dessa generosa proposta, o lançamento do Orçamento Legislativo Participativo foi um respiro de alegria nesses tempos tão sombrios.

Uma das experiências mais bonitas tocadas pelo Partido dos Trabalhadores no início de sua trajetória como institucionalidade foi a do Orçamento Participativo. As cidades sendo pensadas pelas gentes mesmas, as que as constroem e que as vivem. Florianópolis viveu esse momento durante o governo de Sérgio Grando, no qual Afrânio Boppré (então PT)  era vice-prefeito. E foi uma belezura. Todos os bairros faziam suas reuniões e discutiam suas prioridades para obras e serviços. Depois, decidiam o que fazer e quanto gastar em cada coisa. Pela primeira vez na história da cidade os moradores eram chamados para uma participação real e direta, na qual definiam eles mesmos o que fazer com os recursos do município. Foi um tempo em que as …

Um estudo sobre a espera O estado sabe que enquanto está esperando, o pobre não está construindo a rebeldia. É, pois, uma técnica de dominação.

Nas cidades do capitalismo contemporâneo grande parte dos habitantes não pode ser considerada cidadã. Afinal, não têm garantidos nem os direitos, nem a possibilidade de participar ativamente das decisões que envolvem sua própria existência. Por conta disso o professor e etnógrafo argentino Javier Auyero chama essa camada de pessoas, os empobrecidos, de “pacientes do estado”. Na raiz latina dessa palavra – pati – o significado é sofrimento. Assim, o que Javier desvela é que é da natureza do estado capitalista fazer da grande massa pessoas que sofrem. Ele chegou a essa conclusão analisando um fenômeno bastante comum para o empobrecido: as esperas nas filas. Em Florianópolis, os moradores que utilizam o transporte público sabem muito bem o que é essa …

O tajá místico Não é apenas pelo seu feitio decorativo que o tajá (Caladium bicolor) é festejado na Amazônia como planta de estimação.

Nas andanças pela Amazônia um rico patrimônio biocultural se descortinou aos meus olhos, sempre atentos aos detalhes, revelando aspectos imperceptíveis para quem vê a floresta apenas sob a ótica da biodiversidade ou da preservação ambiental destituída de seus fatores humanos, que há tanto convivem ali e manipulam a biodiversidade existente naquelas áreas. Assim, pesquisando o uso medicinal da fauna (tema de minha pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas, pela Universidade Federal do Pará) me deparei com o uso mágico-religioso das plantas, muitas das quais tidas em casa como verdadeiras protetoras do lar e de seus habitantes. Estes usos acabam se propagando de maneira difusa no contexto urbano, mas mantendo a origem no imaginário popular que mescla …

“Jaci Paraná é um microcosmo que representa a dinâmica das grandes obras no Brasil” – sobre energia e pessoas Hoje em dia, prevalece o discurso de que só o desenvolvimento tecnológico, combinado a uma gestão eficiente de recursos, é capaz de promover a sustentabilidade. Mas essa é, afinal de contas, uma briga ideológica.

Os números da hidrelétrica de Jirau só podem ser contestados com depoimentos e  denúncias que vemos em Jaci: Sete Pecados de Uma Obra Amazônica. Durante o documentário números e palavras traçam um embate sobre quem diz, quem credita e porque diz sobre cada noção da realidade. – “Cidade do pecado”, “aberração jurídica”, “produzir energia a qualquer custo”, “o ônus do progresso”, “o ser humano acostuma com tudo”.

Rocinha, quem se importa? O espetáculo na Rocinha logo vai acabar, outros virão. E sempre será o mesmo discurso. Os bandidos, os bandidos, os bandidos...

A lógica é a do espetáculo. Com as câmeras de televisão e os repórteres da mídia comercial subindo o morro junto com os policiais, o que vemos é uma profusão de soldados que agora vão salvar a comunidade da bestialidade dos traficantes. E durante dias, o discurso é o mesmo: bandidos estão em guerra na favela, policiais são chamados para pacificar, pessoas estão sendo protegidas e pela força das armas tudo ficará bem. A operação renderá alguns corpos de bandidos, um que outro “efeito colateral”, leia-se aí corpos de pessoas não envolvidas com o tráfico, muitas denúncias de abuso. O clima vai arrefecer e a comunidade voltará ao seu cotidiano. Nas redes sociais haverá gente denunciando a polícia e outros …

7 de setembro O dia que os colonizadores comemoram o dia do massacre e da retirada de toda nossas terras.

Neste 7 de setembro, eu trago um breve pensamento da Guarani Eunice Antunes (Kerexu Yxapyry), ex-cacica da Terra Indígena Morro dos Cavalos, localizada no sul do território brasileiro. O pensamento é bastante sintomático das reflexões que podem ser tecidas acerca do Dia da independência, “comemorado”, neste 7 de setembro no Brasil. 07 de setembro O dia que os colonizadores comemoram o dia do massacre e da retirada de toda nossas terras. O grito dos europeus foi independência ou morte, naquela hora ele dizia que. Independência: traria para eles a posse de tudo no próprio hino nacional eles contam o brilho no olhos em cima das nossas riquezas. Seria um modo de dizer que estar usurpando o que é dos outros …