Os fugitivos do capital

A cena de um grupo de haitianos/venezuelanos/brasileiros tentando cruzar a fronteira do Peru, desde o Acre, é de partir o coração. Dezenas deles, que não encontrando formas de sobreviver no Brasil, decidem partir para outro ponto do globo, sendo impedidos, barrados, escorraçados

A cena de um grupo de haitianos/venezuelanos/brasileiros tentando cruzar a fronteira do Peru, desde o Acre, é de partir o coração. Dezenas deles, que não encontrando formas de sobreviver no Brasil, decidem partir para outro ponto do globo, sendo impedidos, barrados, escorraçados. Seu destino parece ser a fuga permanente. Os haitianos, que são maioria no grupo, saíram do Haiti, onde desde há décadas o império estadunidense estende seus tentáculos, seja nas ditaduras sanguinárias, seja nos golpes disfarçados – como a tal ajuda humanitária com os cascos azuis – seja em mais uma tentativa de perpetuação no poder, como é o caso agora do último presidente, Jovenel Moïse. O Haiti é uma ferida aberta de tormentos e dores. E por isso […]

BRASIL: JÁ ESTIVEMOS NO INFERNO

Talvez essa nova geração não conheça, mas já estivemos no inferno. Muitas vezes.

Talvez essa nova geração não conheça, mas já estivemos no inferno. Muitas vezes. E só para lembrar dos tempos de agora podemos falar da ditadura militar. Dias duros, de mortes, torturas e desaparições. Também passamos por um longo período de “distensão”, saindo do regime dos milicos para novamente passar às mãos da boa e velha elite civil. Não foi fácil cruzar o umbral da ditadura. As lutas foram grandiosas e massivas: batalha pela anistia, batalha pelas diretas. Quantas lágrimas de frustração e ódio vivemos depois dos gigantescos comícios e atos que mobilizaram multidões, e que se esfumaçaram numa decisão de cúpula, para uma eleição indireta? Depois de tantos anos de dor, a tal democracia vinha tutelada, pelas mãos de um […]

Onde andas, jornalismo?

Vira e mexe alguém decreta a morte do jornalismo, e aqui entenda-se jornalismo como um fazer específico que desvela a realidade dos fatos, a partir do singular, abrindo-se para o universal. O jornalismo como a análise do dia, a análise crítica dos fatos, a descrição e a interpretação da realidade, tudo junto e misturado.

Vira e mexe alguém decreta a morte do jornalismo, e aqui entenda-se jornalismo como um fazer específico que desvela a realidade dos fatos, a partir do singular, abrindo-se para o universal. O jornalismo como a análise do dia, a análise crítica dos fatos, a descrição e a interpretação da realidade, tudo junto e misturado. Bom, se pensarmos naquilo que se pratica nos meios comerciais de massa, pode haver alguma razão. Deveras, por ali, raramente acha-se o jornalismo. Há desinformação premeditada, há mentiras, há propaganda, mas muito pouco de jornalismo. Ainda que ele sobreviva, vez ou outra assomando em meio ao lixo, pela mão de algum jornalista raiz. É raro, mas acontece. Nas redes sociais, é como buscar agulha no palheiro. […]

Brasil: não é incompetência, é plano

Eleito para ser o coveiro das aspirações mais à esquerda, Bolsonaro foi apoiado pela direita brasileira esfacelada, pela mídia comercial, pelas igrejas sedentas de grana, e pela camada da população que mantinha viva em si toda série de ilusões acerca da ordem, progresso e crescimento econômico do tempo dos militares. Ele seria o condutor da destruição da “bagunça” petista.

Quem acompanha a carreira do homem que hoje está na presidência do Brasil sabe: ele é isso aí. Durante toda sua medíocre vida parlamentar ele esteve ancorado na ignorância, no ódio, na intolerância, na sede de sangue. Não é sem razão que seu ídolo maior é um dos mais nefastos torturadores da ditadura militar. Falando sobre a ditadura ele afirmava: “Matou só 30 mil, tinha que ter matado mais”, ou “Não devia ter só torturado, tinha que ter matado”. Tirando isso, tema que domina com maestria, sobre o demais é sempre uma ladainha de burrice e preconceito. Seu mundo é tão pequeno que suas ideias sobre ele caberiam em algumas linhas de papel. É o receptáculo perfeito para servir de […]

Porque Trump não fez a América grande outra vez

Em um seminário realizado pela Escola de Ciências Sociais Henry George, publicado no sítio The Saker, o economista estadunidense Michel Hudson, em conversa com o jornalista Pepe Escobar explicou porque os Estados Unidos estão em  queda e em crise constante. Segundo ele a riqueza produzida lá não é mais feita pela industrialização, mas financeiramente, através de ganho de capital. Ou seja, o país gira na roda financeira, através do aumento do preço dos imóveis, ações e títulos e não investe mais no setor produtivo. Isso significa que não há trabalho e sem trabalhador não há produção de valor.

Em um seminário realizado pela Escola de Ciências Sociais Henry George, publicado no sítio The Saker, o economista estadunidense Michel Hudson, em conversa com o jornalista Pepe Escobar explicou porque os Estados Unidos estão em  queda e em crise constante. Segundo ele a riqueza produzida lá não é mais feita pela industrialização, mas financeiramente, através de ganho de capital. Ou seja, o país gira na roda financeira, através do aumento do preço dos imóveis, ações e títulos e não investe mais no setor produtivo. Isso significa que não há trabalho e sem trabalhador não há produção de valor. Existe apenas 1% entre os mais ricos que se adona desse processo de financeirização e foi esse grupo que conseguiu crescer, mesmo […]

Jornalicídio doloso – jornalista é processada por interpretar realidade

A palavra jornalismo vem do grego diurnalis, que significa “do dia”. Quando passa a designar um fazer significa então “análise do dia”. Isso é o que está na etimologia e é o que deveria estar na cabeça de cada um de nós, os que praticamos o jornalismo todos os dias. Observar a vida, os fatos, e narrar, não como meros porta-vozes, mas como sujeitos capazes de analisar e interpretar os fatos para além da aparência.

A palavra jornalismo vem do grego diurnalis, que significa “do dia”. Quando passa a designar um fazer significa então “análise do dia”. Isso é o que está na etimologia e é o que deveria estar na cabeça de cada um de nós, os que praticamos o jornalismo todos os dias. Observar a vida, os fatos, e narrar, não como meros porta-vozes, mas como sujeitos capazes de analisar e interpretar os fatos para além da aparência. Pois foi exatamente isso que fez a jornalista Schirlei Alves ao cobrir o vexaminoso julgamento do caso André Aranha, acusado de estuprar uma garota numa casa noturna da capital catarinense, Florianópolis, Brasil. Na audiência, o advogado do dito estuprador coloca foco na vida da jovem […]