A morte do outro não importa Tragédia na Somália: uma a mais no doloroso processo de libertação

O mundo ocidental se move por uma premissa que vem da cultura grega: o ser é, o não-ser não é. E o que significa essa frase tão enigmática? Que só é reconhecido como ser aquele que é igual. O outro, esse não existe. Não-é. Não tem importância. Sendo assim o que é para o mundo ocidental europeu/estadunidense? Aquele que é igual a eles: branco, rico, capitalista, guardião da ordem e da moral. Tudo o que sai desse script não-é. E, não sendo pode ser destruído sem dó. Sobre a morte desse outro que não-é, não se fala, porque não importa. É por isso que o massacre perpetrado pelos Estados Unidos nos países do Oriente Médio não tem a menor importância …

Os Estados Unidos e a doutrina da guerra permanente As peças do tabuleiro mundial seguem se movendo, a história não é estanque.

Tem sido comum os Estados Unidos inventarem doutrinas para justificar suas ações no mundo. E cada uma delas aparece num determinado tempo histórico, no qual o país do norte vai expandido seu processo de acumulação de capital. Até agora cinco grandes doutrinas se concretizaram, todas aprofundando e justificando o processo de dominação que culmina hoje no que Tierry Meysson chama de neoimperialismo. O capitalismo avançando e se expandindo. E o que é uma doutrina? Um corpo fechado de regras que não pode ser debatido, apenas cumprido. No que diz respeito à América Latina, por exemplo, a primeira grande doutrina é a Doutrina Monroe,de 1823. Nascida de uma declaração do presidente Monroe, ela estabelecia que a partir de então, a América Latina estaria …

Rocinha, quem se importa? O espetáculo na Rocinha logo vai acabar, outros virão. E sempre será o mesmo discurso. Os bandidos, os bandidos, os bandidos...

A lógica é a do espetáculo. Com as câmeras de televisão e os repórteres da mídia comercial subindo o morro junto com os policiais, o que vemos é uma profusão de soldados que agora vão salvar a comunidade da bestialidade dos traficantes. E durante dias, o discurso é o mesmo: bandidos estão em guerra na favela, policiais são chamados para pacificar, pessoas estão sendo protegidas e pela força das armas tudo ficará bem. A operação renderá alguns corpos de bandidos, um que outro “efeito colateral”, leia-se aí corpos de pessoas não envolvidas com o tráfico, muitas denúncias de abuso. O clima vai arrefecer e a comunidade voltará ao seu cotidiano. Nas redes sociais haverá gente denunciando a polícia e outros …

FARC, um novo partido na Colômbia A rotina na montanha não encontra similaridade num espaço onde já não existem as armas, nem a formação continuada, nem todas as atividades culturais e políticas comuns aos acampamentos.

Foram 53 anos de luta armada nas montanhas colombianas, a guerrilha mais antiga da América Latina. Primeiro, chegou como defesa mesmo, das famílias e das comunidades, num país devastado pelo caos político iniciado com o assassinato de Jorge Gaitán. Um exército popular nascido em 1964, em resposta a violência desatada pelo governo sobre a região de Marquetalia. Um grupo que, atuando de maneira mais sistemática, foi então se articulando como uma proposta de libertação, marxista. Mais de meio século enfrentando o poder de um estado militarizado, paramilitares, e narcotraficantes. A Colômbia e seu caldeirão, recheado de mortes, desaparições, desalojamento de gente. Um país marcado pela proximidade política com os Estados Unidos, parceiro na luta contra qualquer possibilidade de vitória de …

O sete de setembro A liberdade não é uma palavra escrita na parede. Ela é uma práxis, coletiva e comunitária.

O Brasil foi o último país da América do Sul a se independizar da metrópole colonial. E enquanto os demais países tiveram de travar duras batalhas contra a Espanha, aqui nessas terras de invasão portuguesa tudo aconteceu de maneira negociada, coisa de pai para filho. Não que não tivesse havido luta. Elas aconteceram, de maneira sistemática, mas sempre pontual.  Não houve uma liderança ou um grupo que comandasse batalhas contra Portugal, especificamente. Dom João foi embora e deixou seu filho Dom Pedro que, mais tarde, de maneira ritualista, deu por encerrada a ligação com Portugal, no que ficou conhecido como o “grito do Ipiranga”. A partir daí o Brasil seguiria seu caminho, comandado desde aqui mesmo, sem render divisas a …

Os desafios dos trabalhadores na conjuntura brasileira O desafio da classe trabalhadora é dar origem a novas formas de luta. Os tempos mudaram.

Passado pouco mais de um ano do golpe parlamentar/judiciário/midiático que tirou Dilma do governo, o Brasil segue um vertiginoso processo de entrega de riquezas e destruição de direitos. Uma guerra de classes, como diz o economista Nildo Ouriques, das mais violentas, na qual a proposta fundamental é aprofundar a exploração dos trabalhadores para gerar mais lucro para o capital. Na verdade, nada de novo, a não ser a o desmascaramento. Ou seja, o sistema não usa mais as máscaras. Faz tudo às claras, sem medo da classe trabalhadora. Com o golpe, a face “humana” do capital se esboroa. Durante os governos de Lula e Dilma, a aposta foi na socialdemocracia. Uma tentativa de gerenciar a pobreza, mas sem conflito com …