Romani/Cigana

No Brasil, há mais de 400 anos, os romani, também conhecidos como ciganos, representam um dos povos tradicionais formadores da sociedade brasileira. Uma cultura e percepção de mundo milenar, que encontra no Cerrado a sua continuidade histórica. São mulheres sábias, pesquisadoras, artistas, advogadas e defensoras de direitos humanos que lutam pelo direito à existência frente à ignorância do Estado brasileiro, que não concretiza políticas públicas efetivas que combatam a violência tanto ao modo de ser romani/cigano, quanto do direito de ser mulher. Apesar da Constituição de 1988 e o Decreto n° 6.040/2007, de Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, estabelecerem o reconhecimento dessas comunidades e instaurar o direito à manifestação cultural, o acesso à educação, à […]

juventude

O Cerrado é fonte de juventudes que esperançam futuros possíveis. A busca por direitos se soma à luta para romper desafios que impedem os jovens, não só de terem o direito ao Cerrado, mas de poderem ocupar o campo como um lugar de existência. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 6,5 milhões de jovens, entre 18 e 32 anos, vivem na zona rural. Um processo, a partir dos povos e comunidades tradicionais, marcado pelos enfrentamentos aos projetos de destruição do bioma. O que impacta na expulsão jovens, de seus sonhos construídos na permanência e sustentação da terra-território. Em especial, para o bem viver das mulheres, que formam redes de apoio contra a violência, realizam estratégias […]

Quilombo é uma proposta civilizatória

O território, ao ser inerente a garantia da saúde, faz com que as e os quilombolas se tornem a última barreira contra a morte do Cerrado e do Pantanal. Isso é um enfrentamento direto ao crescimento da propriedade privada, é estar no olho do furacão da máquina capitalista do agronegócio e do envenenamento do mundo pelos agrotóxicos. Não é a toa que o Brasil é o maior consumidor desses produtos. Uso que impacta não só as monoculturas locais, mas se espalha pelo solo, pelos lençóis freáticos, impedindo que a diversidade de plantações se fertilizem em tal local. Isso sem falar das mineradoras que alteram o solo, o degradam, assoreiam rios e as hidrelétricas que barram a vitalidade, o alimento fluido, e levam, mais […]

Tecnologias de sobre(vivência)

À procura de uma perspectiva quilombola do mundo, a ideia de cura, como possível apenas pela medicina convencional, não é suficiente. É preciso aqui expandir a ideia de saúde como algo que vai além da cura do corpo físico e ocorre também pela dimensão espiritual, ancestral e do território. Durante a pandemia, o autocuidado e a reciprocidade foram importantes para realizar o que o poder público não se importa em fazer. O Quilombo ao se efetivar na dinâmica coletiva, nas trocas, precisou se rearticular para proteger as mais velhas e os mais velhos, a memória da comunidade, e evitar que o vírus provocasse catástrofes ainda maiores. A prevenção ao lavar as mãos quando se chega de fora, o cuidado com […]

Ancestralidade é futuro

“O contrário de casa grande não é senzala. É quilombo!”, como afirma o pesquisador Clóvis Moura. Quilombo é centro. É o povo com engenhosidades de vivências que rompem com o projeto de morte capitalista. Aqui a referência de centralidade permeia o renascimento de África em território diaspórico, em que o centro do ocidente é apenas uma outra possibilidade de mundo. “O que nos mantém vivos até hoje, é a gente entender que existe um mundo além desse. Eu não posso estar na África, mas a África vive dentro de mim” diz Biko, sobre a importância de sabermos nossas origens, nossas ancestralidades. As histórias que constroem esse texto, apesar de serem emitidas recentemente, na verdade vem de muito longe. São histórias […]

Garantir o território é garantir saúde--

Segundo Gonçalina Eva, professora, quilombola e vice-presidente da Associação da Comunidade Mata Cavalo, em Mato Grosso, a regularização fundiária da terra está parada e se antes já não queriam regularizar, a pandemia se tornou mais um grande motivo para que os responsáveis parem tudo. Só nessa comunidade são 418 famílias que vivem a incerteza da garantia da terra. Isso apesar da posse do local estar documentada há 137 anos em testamento pela antiga proprietária aos ex-escravizados. “Nunca houve uma posse passiva desses quilombolas dentro da terra” afirma.  E na época, como a elite da região não reconhecia o território como apossado, vários conflitos foram frequentes, com muitos pistoleiros ameaçando as vidas quilombolas. Além de fazendeiros, que foram tomando parte das […]