Documentário “Belo Monte: Depois da Inundação”

Abordando aspectos de resistência e dos impactos socioambientais de mais este gigante do progresso que chegou onde antes havia paz e harmonia entre a sociobiodiversidade, o documentário “Belo Monte: depois da inundação”, dirigido pelo premiado cineasta Todd Southgate, proporciona uma importante reflexão sobre os caminhos distintos que, na última década, levaram à efetiva implantação, construção e funcionamento da quarta maior usina hidrelétrica do planeta. Apresentando um histórico do desenvolvimento do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte desde meados dos anos 2000, a produção ressalta as evidências de abusos de poder e descumprimentos legais presentes em todo o processo. Foram interesses políticos e econômicos que permitiram que o projeto prosseguisse mesmo com...

A nova onda de mineração e destruição nos países subdesenvolvidos

Tem sido sempre assim no sistema capitalista de produção. Se algum empresário quer realizar uma grande obra ou a exploração de recursos naturais, segue a mesma rotina. Primeiro, rouba as terras das pessoas que vivem na área, geralmente com a conivência do estado. Depois, os que conseguem ficar nas adjacências, lutando por seus direitos, são sistematicamente perseguidos, violentados ou assassinados. No Brasil, isso é batata. Foi assim na era das construções das grandes ferrovias, quando o capital inglês tomou a vida dos brasileiros. Quem, em Santa Catarina, não se lembra do que foi a Guerra do Contestado? Justamente isso. As famílias, desalojadas pela companhia de estrada de ferro, ao decidirem...

Sobre o “plágio” de Alexandre de Moraes

Alexandre de Moraes é um dos juízes responsáveis (sim, há outro, que pode ser promovido também) por livrar as revelações feitas contra a Frozen brasileira de chegarem ao público, garantindo assim que ela possa trazer de volta os preciosos clubes de leitura (via reader’s digest version for first ladies) das primeiras-damas na prefeitura do Brasil. Dilma não mantinha e não podia ser primeira-dama. Atualmente o nome deste juiz está em todos os telefones celulares no Brasil, onde 99,99% das pessoas que estão o criticando hoje, o conheceram nas últimas semanas. Nem mesmo quando foi nomeado ministro da justiça (e cidadania), tal reconhecimento precoce – novamente, graças a internet, diria Facebook...

Brasil: tempos tensos e grávidos

Na montanha russa que se transformou a política brasileira, a população protagonizará mais um momento de completo estupor se o Senado aprovar a indicação do presidente Michel Temer ao Supremo Tribunal Federal do nome do atual Ministro da Justiça, Alexandre Moraes, para substituir a vaga deixada por Teori Zavascki, morto em um acidente de avião no dia 19 de janeiro. O nome precisa ser submetido a uma sabatina por parte dos senadores, mas quem em sã consciência pode acreditar que esse Senado em particular possa recusar a indicação? Alexandre Moraes foi talvez um dos nomes do ministério de Michel Temer mais criticados quando de seu anúncio. Conhecido por sua truculência...

Ricardo Benzaquen de Araújo, um professor

Sem dúvida, a maior contribuição de Ricardo Benzaquen de Araújo (1952-2017), para as ciências humanas, num Brasil pouco afeito ao passado e dado à adjetivação, foi a de revalorizar Gilberto Freyre e sua obra, principalmente Casa-grande & Senzala. De fato, passei a entendê-lo melhor após ler sua tese escrita entre 1987 e 1993, no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na contramão de muitos acadêmicos que excluíam Gilberto, reduzindo-o a simples defensor do regime militar, Ricardo fez uma leitura ousada ao mostrar como a valorização dos antagonismos seria fundamental para entender esse pensador. Ricardo, aliás, nos ensinou a ler o mundo e a valorizar suas contradições. Ele,...

A utopia, a esperança e o jornalismo

Se existe algo que tira totalmente a esperança de alguém é a leitura dos jornais, revistas semanais ou noticiários de TV. Vê-se de tudo, menos jornalismo. Esse é um fazer que se desintegra no universo da propaganda e do incensamento do sistema capitalista de produção. O que fazem os meios de comunicação comercial é o falseamento da realidade, escondendo-a, ou então a invenção de um presente/futuro a partir da mentira. Quem não se lembra das “armas químicas” do Iraque, que levaram a uma guerra e à destruição completa de um país? Os meios inventam realidades que, depois, se fazem reais de verdade. Por isso não é nada fácil, nos tempos...