Venezuelanos volta para casa

Uma olhada nos números da própria Organização das Nações Unidas mostra que hoje, há muito mais colombianos e brasileiros na Venezuela do que venezuelanos na Colômbia ou no Brasil.

Venezuelanos volta para casa
Venezuelanos migrantes

Enquanto a mídia a mando dos Estados Unidos transforma em “crise humanitária” a migração de venezuelanos para países vizinhos, outros tantos sonham em voltar para seu país, por não suportarem as condições de vida e trabalho nos países para onde migraram em busca de vida melhor. Por conta disso, nessa semana o governo venezuelano disponibilizou um avião para trazer de volta para casa dezenas de venezuelanos que estavam no Peru.

Como a Venezuela tem sofrido desde 2015 uma guerra econômica, com a ação criminosa de empresários escondendo comida, remédios e provocando escassez, muita gente decide pegar as trouxas e sair do país. Essa migração tem sido bastante incentivada pelas forças oposicionistas do governo Maduro e por conta disso se disseminam propagandas sobre como a vida no estrangeiro pode ser melhor, inclusive dizendo que os governos do Brasil, Peru e Colômbia podem assegurar casa, saúde e crédito para novos empreendimentos.  Algumas pessoas caem nesse conto e cruzam as fronteiras.

Mas, chegando aos países, não encontram as promessas feitas. No caso do Brasil, há poucas semanas, os venezuelanos foram rechaçados por hordas violentas, também organizadas por políticos e entidades conservadoras brasileiros. O resultado é mais tragédia para uma gente já golpeada pela guerra econômica travada pelos Estados Unidos contra a Venezuela.

Como resposta a campanha da direita que procura incentivar a migração, o governo da Venezuela tem incentivado a volta. Nessa segunda-feira, um avião lotado partiu de Lima, Peru, para Caracas, com um grupo de cem pessoas. Outras, que moram mais perto da fronteira, estão vindo por terra. Ao chegarem, no encontro emocionado com familiares, contaram que foram enganados com falsas promessas e chegando ao Peru foram explorados por empresários que pagam salários com valores abaixo do prometido. Alguns também foram vítimas de coiotes e traficantes de drogas e pessoas.

Quem vive na Venezuela sabe o que têm sido esses últimos anos de ataque econômico. Os grandes meios divulgam incessantemente que o país será atacado pelos Estados Unidos, que vai faltar comida, que o terrorismo vai atacar. Tudo isso provoca medo e desespero nas pessoas, que acabam caindo nas armadinhas da migração provocada.

O governo de Maduro iniciou uma série de medidas para vencer a galopante inflação, também provocada pelo ataque econômico, e espera que isso possa melhorar a situação. Ele insiste que não faltará comida, embora, é claro, a guerra movida contra a Venezuela obrigue a população a alguns sacrifícios, como as já conhecidas filas.

A migração na Venezuela sempre existiu, como em todos os países latino-americanos. Uma olhada nos números da própria Organização das Nações Unidas mostra que hoje, há muito mais colombianos e brasileiros na Venezuela do que venezuelanos na Colômbia ou no Brasil. Mas, essas informações a mídia não passa porque o que interessa é fazer crer que o país bolivariano é um inferno de onde todos querem sair.

Os cubanos sabem muito bem o que é isso. Desde 1959 que os Estados Unidos move feroz campanha contra a ilha. Mas, lá, as gentes se mantiveram firmes e de pé. Na Venezuela também. A maioria apoia e confia que, junto com o governo, vai vencer a guerra movida pelos EUA contra o povo.  Não é coisa fácil porque a direita venezuelana segue atuando com desenvoltura no país, tendo como braço armado os grandes meios de comunicação. A pedagogia do terror e do caos tem sido bastante eficaz, minando as possibilidades de soberania do país. É uma batalha, é a luta de classes. A velha elite petroleira que perdeu poder, aliada com os EUA, querendo voltar. E para isso, vai destruindo o país e o povo junto. Para eles, pouco importam essas pessoas que hoje saem da Venezuela aterrorizadas com suas campanhas de ódio. Tudo o que querem é retomar o controle do país.

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Autora

Jornalista e Diretora de comunicação do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina.

Educadora popular.