Precisa-se de sindicato

Fomos às ruas gritando “não vai ter golpe”, e teve. Gritamos “não passarão”, aos formuladores da reforma trabalhista, e passaram.

Há um filme francês, “Dois dias, uma noite”, que conta a saga de uma mulher trabalhadora, demitida, e que precisa pedir a ajuda dos colegas para poder permanecer no emprego.  A proposta do patrão é de que ela convença os colegas a abrir mão de um bônus. Assim, em vez de pagar o bônus aos demais trabalhadores ele a manteria no emprego. Uma perversidade. A mulher passa dois dias e uma noite indo de casa em casa, falando com os colegas, com toda a carga dramática que isso tem, afinal, cada família tem suas necessidades e precisa do bônus. O filme é uma porrada. Mostra a solidão de uma trabalhadora, desguarnecida de tudo. Não há um sindicato, não há um […]

Os laços desfeitos que unem a América Latina

A essencialidade do trabalho, como fonte comunitária, necessita ser rearticulada frente aos espaços de combate e neocoloniais.

O modo de curadoria que esse blog tem costurado tantos temas, produções e agentes culturais da América Latina tem se mostrado, intencionalmente, um espelho de variadas questões que nos formam e nos fazem reagir frente aos desafios contemporâneos e aos problemas enraizados no passado. Assim, a escolha do filme Eslabones Sueltos (2017) evidencia mais um problema crônico em nossa América Latina: a intersecção entre trabalho e infância. A relação trabalho e infância remonta a formação de nossa sociedade, em diversos momentos históricos a importância do corpo infantil estava na sua reelaboração frente aos desafios “modernos”. A visão de massa por sobre a formação de crianças configurou-se em alguns Estados como política social – e de controle. Dados da Organização Internacional […]

Por una izquierda que supere el mito del trabajo

Es necesario atacar firmemente la lógica irracional privada y excluyente que beneficia a la plutocracia y financia apenas el consumismo más obsceno

El paraíso terrestre fue desacreditado en el instante exacto en que se hizo practicable. George Orwell, 1984. Uno de los mayores desafíos que se presenta para los que luchan y desean el crecimiento humano, no el económico, es superar el discurso ya carente de fundamento de la creación de más puestos de trabajo como parte de la agenda para el desarrollo e incluso para enfrentar la crisis. Hace mucho tiempo que la dinámica industrial/administrativa (tecnologías del automatismo, racionalización económica) hizo superflua la necesidad de trabajo en grande escala en el proceso productivo y ya no habrá, en un mundo globalizado en torno al capital, proceso de restructuración productiva ni expansión de mercados que consigan (re)absorber la cantidad de desempleados estructurales […]

Dia de Mulheres

A marcha chegou ao palácio presidencial e as gentes colocaram fogo nele. Também atearam fogo nos prédios dos ministérios que ficam em volta. De dentro dos edifícios jogavam mesas, cadeiras, computadores.

Sempre que a vida pesa e a luta chama, recorro à imagem de dona Vivi, uma mulher boliviana que conheci em janeiro de 2004, na cidade de La Paz. Acontecia uma greve da força policial e junto com ela manifestações massivas contra um pacote de impostos decretados pelo então presidente Sanches de Lozada. O governo chamou o exército e os conflitos se espalharam com extrema violência. Todas as estradas estavam fechadas, ninguém entrava ou saia de La Paz. Eu estava numa pensão perto da rodoviária e lá acompanhei o terror que foram aqueles dias. Na mesma pensão estava dona Vivi. Viera da cidade de Oruro com o marido, mineiro, para tratamento médico. Devia andar aí pelos 70 anos, bem magrinha, […]

Sobre o trabalho e o trabalhador

O trabalho, no mundo capitalista, não é a ação do homem sobre a natureza para criar algo que é útil para seu uso, como foi ao longo dos tempos em que uma pessoa detinha todo o conhecimento sobre como produzir algo.

Para o capital, o trabalhador é um não-ser. E, não sendo, não precisa de cuidado, nem de nada. Sua função, nesse modo de produção, é gerar lucro para um grupo muito pequeno da sociedade. E ponto final. Se ele morre, outro o substitui. É uma peça na máquina. Uma mercadoria, como outra qualquer, que pode ser adquirida a preço muito baixo. Karl Marx mostrou muito bem como a coisa funciona. No começo do capitalismo a jogada foi singela: acenar com a ideia de liberdade. Se tivesse uma “Rede Globo” naqueles tempos, o William Bonner da época diria: “Aceite feliz a sua expulsão do campo. Agora, tu vais ser livre. Não precisarás mais trabalhar três dias para o dono da terra, […]

Os desafios dos trabalhadores na conjuntura brasileira

O desafio da classe trabalhadora é dar origem a novas formas de luta. Os tempos mudaram.

Passado pouco mais de um ano do golpe parlamentar/judiciário/midiático que tirou Dilma do governo, o Brasil segue um vertiginoso processo de entrega de riquezas e destruição de direitos. Uma guerra de classes, como diz o economista Nildo Ouriques, das mais violentas, na qual a proposta fundamental é aprofundar a exploração dos trabalhadores para gerar mais lucro para o capital. Na verdade, nada de novo, a não ser a o desmascaramento. Ou seja, o sistema não usa mais as máscaras. Faz tudo às claras, sem medo da classe trabalhadora. Com o golpe, a face “humana” do capital se esboroa. Durante os governos de Lula e Dilma, a aposta foi na socialdemocracia. Uma tentativa de gerenciar a pobreza, mas sem conflito com […]