Quem é o inimigo Para os que estão sob o comando da ideologia só os pobres podem ser ruins, perversos, criminosos, violentos, inúteis.

O sistema capitalista de produção é uma máquina de ódio e sobre esse sentimento se sustenta. Sua principal arma – que mantém a maioria das gentes sob seu comando – é a invenção de que o inimigo de cada um é outro. A pobreza, a miséria, a dor, a desgraça, a fragmentação, a doença, nada disso tem a ver com a forma como a sociedade se organiza. Tudo é culpa do outro. O outro passa a ser aquele a quem cada um e cada uma tem de eliminar. Mas, prestem bem atenção. O outro que tem de ser eliminado não é qualquer outro. É o outro da mesma classe, a classe empobrecida. E essa é a que tem de se …

Desarmônicos A marca nebulosa e violenta da ditadura, as cores da democratização, acompanhada pela “modernização”, pessoas e grupos esquecidos, silenciamentos, ressignificação neoliberal, assim como as suas festas populares.

Contar a história de um país envolve muitos detalhes, possibilita inúmeras leituras, multiplica as interpretações de distintos momentos, e influencia a atualidade revelando os próximos passos. Essa leitura multipolar, de algo convencionado por uma geopolítica impositiva da emolduração das diferenças e a constituição do Estado Nação, coloca e tensiona o universalismo que estabeleceria as relações de dominação e controle. Abrangendo a formação do imaginário e evidenciando as suas particularidades, induzindo significados e padronizações, coloca concomitantemente as ações significativas de grupos de resistências a partir desses cenários. Uma das ferramentas que é possível criar essa linha do tempo sobre a formação de uma nação são os artefatos culturais. Através de um montante significativo podemos dialogar temas complexos como a força da …

A tragédia da comunicação A programação da TV é inteirinha uma fábrica de mentiras, capaz de tornar belo o que há de mais terrível e transformar em demônio o que há de mais belo.

Sou jornalista. Eu confesso. Então, por essa deformação profissional, sou obrigada a ficar sempre ligada naquilo que os grandes meios produzem. Afinal, são eles os que ainda conformam o consenso na sociedade brasileira. Assim, assisto o Jornal Nacional, o da Band, o da Record e o do SBT. Neles, mudam os apresentadores, mas o modelo é o mesmo. A velha fórmula funcionalista do jornalismo estadunidense. E, no campo ideológico, todos eles produzem propaganda do sistema. Falam mal dos inimigos do capital. Falam bem dos amigos. Afirmam haver um ditador na Venezuela, mas não dizem o mesmo do Brasil ou dos Estados Unidos. A diferença é que na Venezuela o presidente foi eleito por milhões, enquanto no Brasil ocupa a cadeira …

Foram-se os direitos Os dados mostram que pelo menos 50 milhões de pessoas que trabalham hoje no Brasil estão completamente fora de qualquer amparo.

Como era esperado, o Senado brasileiro, essa casa inútil, votou favoravelmente a reforma das leis do trabalho. Ninguém, em sã consciência, poderia esperar outro resultado. A absoluta maioria dos senadores e senadoras representa a classe dominante, são servos fiéis do sistema que os paga regiamente para defender seus interesses. Apenas o povo organizado e uma luta radical poderiam mudar o rumo das coisas. Não houve nada disso. O que vimos foi uma sequência de marchas promovidas pelos lutadores de sempre, mas sem a radicalidade necessária para impor medo aos serviçais do capital. Para os que têm bastante clareza do que significa essa “reforma”, ficou a perplexidade. Mas, essa também não é uma atitude que ajude muito a compreender a realidade. …

Arte e Política: uma aproximação possível A liberdade da criação também exprime responsabilidades, e, inclusive, contraditórias, no ofício do criador.

Se a função da Arte é interferir no quotidiano, revelar aspectos que fogem ao primeiro olhar da lógica, apontar atalhos na reta estrada da realidade, instaurar caminhos tangenciais no domínio das certezas, as três plataformas artísticas nas quais desenvolvo meus ofícios (cinema, literatura e teatro, principalmente o primeiro) se inscrevem também nessa dinâmica, nesse fazer conjunto profissional e militante, embora prefira utilizar a definição, no caso do cinema em que me insiro, da intervenção política. Talvez o fato de ter minhas raízes nos alicerces da construção artística pertencente ao universo (deformado pelo capitalismo) burguês do que se entende como mundo da cultura, no seu sentido lato de mercadoria, possa ter me oferecido ferramentas consistentes para, ao ingressar nas mobilizações sociais, utilizá-las …

Venezuela e sua caminhada pela soberania popular Nos meios de comunicação chamam Maduro de ditador, mas se recusam a participar da Constituinte, que seria uma boa oportunidade para eleger seus delegados, comprovando assim que a maioria está com eles.

A semana que passou foi rica em novos acontecimentos na Venezuela, que hoje é o centro das atenções do imperialismo. Destruir a proposta bolivariana aparece como fundamental para quebrar a espinha de uma série de propostas na América Latina e no Caribe, com rasgos nacionalistas. Afinal, falar em defender a nação, ou em fortalecer a Pátria Grande soa como uma ameaça ao poder imperial exercido pelos Estados Unidos. Basta uma olhada na história e já podemos ver que qualquer governo que se preocupe com soberania nacional sofre imediatamente o ataque. Exemplos recentes são os países árabes que viram florir uma “primavera” de revoltas, as quais foram imediatamente incorporadas pelos Estados Unidos, garantindo a queda de líderes nacionalistas e a destruição …