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Contar a história de um país envolve muitos detalhes, possibilita inúmeras leituras, multiplica as interpretações de distintos momentos, e influencia a atualidade revelando os próximos passos. Essa leitura multipolar, de algo convencionado por uma geopolítica impositiva da emolduração das diferenças e a constituição do Estado Nação, coloca e tensiona o universalismo que estabeleceria as relações de dominação e controle. Abrangendo a formação do imaginário e evidenciando as suas particularidades, induzindo significados e padronizações, coloca concomitantemente as ações significativas de grupos de resistências a partir desses cenários. Uma das ferramentas que é possível criar essa linha do tempo sobre a formação de uma nação são os artefatos culturais. Através de um montante significativo podemos dialogar temas complexos como a força da […]

Albertina Carri

A procura por linhas discursivas e narrativas que façam jus à memória é uma síndrome que ataca a humanidade. Muitos teóric@s e pensador@s já tentaram refletir como a força do contar se estabelecem nas formas de expressões artísticas e históricas. Aquele sujeito, que para Benjamin estava em extinção – o narrador e o intercâmbio de experiências. As transformações do mundo, seus novos jogos e interesses, desabilitou a tradição da oralidade. Transpassar experiências, intercambiar vivências, relatar sabedorias, se tornam duro embate na disputa narrativa da contemporaneidade. Por isso, Los rubios (2003) de Albertina Carri é uma ferramenta para a composição testemunhal desses novos modos de narrar. Ou ainda, por quais modos visa-se retratar. Portanto, a inserção instável sobre a historiografia oficial, […]

Toda sociedade tende a viver, a sobreviver; exalta o vigor e a fecundidade, ligados à juventude; teme o desgaste e a esterilidade da velhice (BEAUVOIR, Simone de. A velhice) Alcançar o fundamento interno de reorganização espacial, transgredir a disparidades do corpo, destruir criações e heranças emotivas e memorialísticas, conviver com a solitude, se emancipar,  se desconhecer, se reinventar. Envelhecer é ação da disputa derradeira – apesar de tantas outras ditas essenciais durante toda existência –, pois é corpo que teima em abrir os olhos, em pulsar, e despertar como signo de resistência. Beauvoir (1990) credita à sociedade uma visão que conduz ao fim, no não reconhecimento d@ idos@. E em contradição disponibiliza para esse grupo uma “melhora” e “avanços” para saúde, […]

Felipe Oliveira

Abordando aspectos de resistência e dos impactos socioambientais de mais este gigante do progresso que chegou onde antes havia paz e harmonia entre a sociobiodiversidade, o documentário “Belo Monte: depois da inundação”, dirigido pelo premiado cineasta Todd Southgate, proporciona uma importante reflexão sobre os caminhos distintos que, na última década, levaram à efetiva implantação, construção e funcionamento da quarta maior usina hidrelétrica do planeta. Apresentando um histórico do desenvolvimento do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte desde meados dos anos 2000, a produção ressalta as evidências de abusos de poder e descumprimentos legais presentes em todo o processo. Foram interesses políticos e econômicos que permitiram que o projeto prosseguisse mesmo com evidências claras e denunciadas ao redor do mundo de violações […]

«La poesía permite repensar el mundo y también la propia historia.
A su vez permite decir con sutileza, al tiempo en que la lectura de poesía ayuda a indagar en lo dicho, en el valor de la palabra.
Sin dudas la palabra es liberadora.»

Guilherme

A morte e um roupeiro vazio, são os elementos que projetam o roteiro de Cuchillo de Palo de Renate Costa. A marca da ausência física, só não é maior que as respostas, e incógnitas que seu tio Rodolfo deixou. Para sobrinha, sobrou apenas o recontar, de maneira íntima, a história de mais uma vítima que a ditadura deixou na América Latina. Em sua narrativa, o documentário revive de dentro para fora a ditadura paraguaia.  É contando, ou melhor, reconstruindo a memória do tio homossexual que se percebe a dedicação que a repressão de Stroessner realizou nesse grupo. Um olhar para trás, remexendo no armário vazio da memória de vizinhos e familiares que possuem um vazio incógnito sobre acontecimentos e ações. […]