7 de setembro O dia que os colonizadores comemoram o dia do massacre e da retirada de toda nossas terras.

Neste 7 de setembro, eu trago um breve pensamento da Guarani Eunice Antunes (Kerexu Yxapyry), ex-cacica da Terra Indígena Morro dos Cavalos, localizada no sul do território brasileiro. O pensamento é bastante sintomático das reflexões que podem ser tecidas acerca do Dia da independência, “comemorado”, neste 7 de setembro no Brasil. 07 de setembro O dia que os colonizadores comemoram o dia do massacre e da retirada de toda nossas terras. O grito dos europeus foi independência ou morte, naquela hora ele dizia que. Independência: traria para eles a posse de tudo no próprio hino nacional eles contam o brilho no olhos em cima das nossas riquezas. Seria um modo de dizer que estar usurpando o que é dos outros …

O sete de setembro A liberdade não é uma palavra escrita na parede. Ela é uma práxis, coletiva e comunitária.

O Brasil foi o último país da América do Sul a se independizar da metrópole colonial. E enquanto os demais países tiveram de travar duras batalhas contra a Espanha, aqui nessas terras de invasão portuguesa tudo aconteceu de maneira negociada, coisa de pai para filho. Não que não tivesse havido luta. Elas aconteceram, de maneira sistemática, mas sempre pontual.  Não houve uma liderança ou um grupo que comandasse batalhas contra Portugal, especificamente. Dom João foi embora e deixou seu filho Dom Pedro que, mais tarde, de maneira ritualista, deu por encerrada a ligação com Portugal, no que ficou conhecido como o “grito do Ipiranga”. A partir daí o Brasil seguiria seu caminho, comandado desde aqui mesmo, sem render divisas a …

Arte decolonial. Pra começar a falar do assunto ou: aprendendo a andar pra dançar A categoria colonialidade e a proposta decolonial têm aberto a possibilidade de reconstrução de histórias silenciadas, subjetividades reprimidas, linguagens e conhecimentos subalternizados pela ideia de totalidade definida pela racionalidade moderna.

Na década de 1970 formava-se no sul asiático o Grupo de Estudos Subalternos, cujo principal projeto era analisar criticamente a historiografia da Índia feita por ocidentais europeus e também a historiografia eurocêntrica produzida pelas/os próprias/os indianas/os. Segundo apresenta Florencia Mallon (2010), Ranajit Guha, historiador indiano, definiu o subalterno amplamente como qualquer subordinado “em termos de classe, casta, idade, sexo, profissão ou qualquer outro modo” (MALLON, 2010, p. 155), afirmando que todos os aspectos da vida subalterna – históricos, sociais, culturais, políticos ou econômicos – eram relevantes para o esforço de recuperar suas contribuições para a história da Índia. Anos mais tarde, em 1992, é constituído o Grupo Latino-americano de Estudos Subalternos (GLES), que, a partir de questionamentos acerca da classificação …

O modelo de “controle cultural” para o estudo das “antropologias secundárias”. Uma proposta

Se não se seguir a historiografia tradicional da antropologia, que costuma apresentar o desenvolvimento da disciplina como uma sequência de propostas paradigmáticas, no que se compreende como a história da antropologia podem se distinguir duas grandes fases:

A primeira fase é o surgimento da ciência antropológica no século XIX no atlântico norte e a sua consolidação como “antropologia clássica” durante a primeira metade do século XX, com seus debates teóricos e metodológicos, e com o seu impressionante acervo de estudos sobre culturas espalhadas por todo o mundo. Estudos que incluíam, por se dizer, culturas indígenas e subculturas rurais e de artesãos, culturas populares, ou “não urbanas”, assim como formações culturais do passado (“história cultural”, geograficamente próximos, temporalmente distantes) nos mesmos países originários da antropologia.

Des/colonização nas periferias iberoamericanas: o poli olhar

Os múltiplos olhares de sobrevôo possíveis na abordagem do tema motivador da presente edição, “Des/Colonização, Iberoamérica e o despertar da periferia”, revelam a complexidade de nossos modos de ser como participantes da história humana na diáspora iberoamericana. Com o intuito de apurar o foco desta provocação, compreendendo por iberoamericanos a comunidade dos falantes herdeiros da expansão colonizadora dos portugueses e dos espanhóis nas Américas e no mundo. Entretanto, do que mesmo estamos falando? O que significa ser iberoamericano? Em que base se assenta a identidade iberoamericana? Melhor falar a partir do lugar próprio e de como a colonização se encontra enraizada e de que formas se realizam des/colonizações nas periferias. E para sair da generalidade na abordagem do tema é …

O desafio do intercultural: refletir – criar – resistir diante das relações entre colonialidade, culturas, política e saber

A partir de uma revisão bibliográfica sobre os conceitos de colonialidade do saber e do poder e sobre o potencial dialógico da proposta intercultural, o ensaio apresenta filmes, músicas, poesias e arquétipos que dialogam com esses conceitos. O objetivo é observar como as obras artísticas analisadas se posicionaram politicamente diante dos processos sociais e culturais de subalternização, opressão ou deslegitimação das diferenças.