se olvidaron de que somos semilla…

“chapa, desde que você sumiu todo dia alguém pergunta de você…” acordar todo dia com essa sua ausência. ir dormir sonhando com sua presença. que faz falta, muita e tanta falta. no méxico, 43 estudantes (indígenas em sua maioria) estão desaparecidos desde setembro de 2014, no brasil, são inúmeros os episódios cotidianos de assassinato de jovens, em sua maioria, negros e moradores de bairros periféricos. quando teremos em nossos países um pouco mais de respeito pela vida humana? quando mais justiça?

latitudes latinas

se olvidaron de que somos semilla…24/09/2016

no final de 2014 as produtoras rip.mx e pedro y el lobo lançaram uma proposta: que artistas enviassem suas colaborações para um disco que seria lançado em apoio aos familiares dos estudantes de ayotzinapa. a resposta foi imediata. receberam mais de 160 canções, vindas das mais diversas latitudes: argentina, espanha, estados unidos, méxico, uruguai e venezuela. uma vez finalizada a seleção – que contou com a participação de familiares e de omar garcía, um dos estudantes que conseguiu escapar com vida do massacre – surgiu de vuelta a casa, cd que a gente destaca nesta edição de latitudes latinas.

verte regresar

 belafonte sensacional & paulina lasa

un día más

fero esteban

lo sabes tú también

 alumnos de la escuela superior de música

hasta encontrarlos

 lian ventura

camino para verte

 skaraway

brilla más el soul

 los mind lagunas

em sintonia com as mobilizações que acontecem em diferentes latitudes, na segunda parte desta edição, a gente selecionou canções que dão conta também das muitas outras violências que – no brasil – atingem especialmente jovens negros de bairros periféricos. afinal, como diz a letra de “a carne”, “a carne mais barata do mercado é a carne negra”…

que vivan los estudiantes

 hoppo cd hoppo!

los desaparecidos

 composição de rubén blades, numa versão feita por sergent Garcia

su madre pregunta que paso, fue a ver a su novia pasadas las diez,
desperte al sentir disparos, mi hijo anoche no llego.

madre no preguntes que paso, lo se, testigos no habran, me olvidaran,
sigue la misma historia.

el dia a dia, sangre que corre, muertos por sida,
guerra mundial se clona.

diecisiete primaveras, hiba a la universidad,
no se buscaba nunca un problema, que a lguien diga donde esta.

me hacias falta y tu no estabas dios rezos fueron poco,
gritos locos, planes, suenos rotos, a plomo y sangre olian otros,
familia como nosotros.

salio a la esquina, quien lo vio, mi amigo desaparecio,
no dejo ni la sombra, el culpable sabe de que hablo yo.

anoche escuche varias explociones,
butum batam butum bete,
y eso es muy normal, bebe,
la conciencia de hoy en dia esta al reves,

la gente no sabe donde cono mete el pie,
y a demas para los criminales una cena de buen provecho
y aunque salgan por el techo con las palabras que he dicho,
del dicho al hecho hay un buen trecho, y prosigo.

en nombre de mi amigo muerto que ya saben como fueron,
lo detuvieron, arrestaron, secuestraron, las ropas le quitaron,
fusilaron, las pruebas quemaron,
lo mismo le ocurrio a mi vecino de diez anos,
que sus organos no encontraron oye, que fatiga,
los quemaron e torturaron

salio a la esquina, quien lo vio, mi amigo desaparecio,
no dejo ni la sombra, el culpable sabe de que hablo yo.

otro mas de los caidos, otra espina, otro dolor,
otra madre sin un hijo, arbol que fruto no dio.

diecisiete primaveras, iba a la universidad,
no se buscaba nunca un problema, que alguien diga donde esta.

a los presidentes asesinos, a los responsables de desaparecidos,
pa’ los que trafican con ninos, el culpable sabe de que hablo yo.

yo yo yo se que a mi canon de palabras
le faltaron canallas para derribar en esta batalla,
pero el destino se encargara de cortar sus garras hijos de… asesinos.
desaparecido. ya ves lo que he vivido,
sin rastro para ponerle flores en mi tumba a mi madre le han dejado,
quien pagado me mata no sabe que arrebata un alma. independencia
salio a la esquina, quien lo vio, mi amigo desaparecio,
no dejo ni la sombra, el culpable sabe de que hablo yo.

somos juventud

 bacteria soundsystem crew

a carne

 elza soares

a carne mais barata do mercado é a carne negra

que vai de graça pro presídio
e para debaixo de plástico
que vai de graça pro subemprego
e pros hospitais psiquiátricos

a carne mais barata do mercado é a carne negra

que fez e faz história
segurando esse país no braço
o cabra aqui não se sente revoltado
porque o revólver já está engatilhado
e o vingador é lento
mas muito bem intencionado
e esse país
vai deixando todo mundo preto
e o cabelo esticado
mas mesmo assim
ainda guardo o direito
de algum antepassado da cor
brigar sutilmente por respeito
brigar bravamente por respeito
brigar por justiça e por respeito
de algum antepassado da cor
brigar, brigar, brigar

a carne mais barata do mercado é a carne negra

chapa

emicida

chapa, desde que cê sumiu
todo dia alguém pergunta de você
onde ele foi? mudou? morreu? casou?
tá preso, se internou, é memo? por quê?

chapa, ontem o sol nem surgiu, sua mãe chora
não da pra esquecer que a dor vem sem boi
sentiu, lutou, ei djow, ilesa nada
ela ainda tá presa na de que ainda vai te ver

chapa, sua mina sorriu, mas era sonho
quando viu, acordou deprê
levou seu nome pro pastor
rezou, buscou em tudo, face, google, iml, dp
e nada

chapa, dá um salve lá no povo
te ver de novo faz eles reviver
os pivetin’ na rua diz assim
ei tio, e aquele zica lá que aqui ria com nóiz, cadê?

chapa pode pá, to feliz de te trombar
da hora, mas xô fala prucê
isso não se faz, se engana ao crê
que ninguém te ame e lá
todo mundo temendo o pior acontecer

chapa, então fica assim, jura pra mim que foi
e que agora tudo vai se resolver
já serve, e eu volto com o meu peito leve
até breve, eu quero ver sua família feliz no rolê

mal posso esperar o dia de ver você
voltando pra gente
sua voz avisar, o portão bater
acende de um riso contente
vai ser tão bom, tipo são joão
vai ser tão bom, que nem reveillon
vai ser tão bom, cosme e damião
vai ser tão bom, bom, bom, bom

chapa, então fica assim, jura pra mim que isso foi
e que agora tudo vai se resolver

(vô menti prucê não, mano
às vez eu acho de bobeira um retrato lá em casa
olho não aguenta não, enche de água)

Fonte: http://latitudeslatinas.com/se-olvidaron-de-que-somos-semilla/