O Brasil e a educação

A expectativa é de que ao trabalhadores da educação se juntem também os demais trabalhadores, pois só as ruas podem derrotar o projeto de reforma da Previdência.

Brasil e a educação
Brasil e a educação

No dia 30 de maio repetiram-se as gigantescas manifestações do setor de educação, em protesto contra os cortes realizados pelo governo de Jair Bolsonaro nas contas das Universidades e dos Institutos Federais. Seguindo com a linha mestra de buscar destruir tudo aquilo que possa ter qualquer ligação com o Partido dos Trabalhadores, o governo insiste que as universidades são espaços de “balbúrdia” e que não precisam de investimentos. Essa é a aparência do cenário do corte, que joga para a torcida e fortalece a liderança de Bolsonaro junto ao grupo proto-fascista que o apoia. Mas, na verdade, os cortes se configuram na boa e velha chantagem, típica da pequena política. O que o governo espera é a adesão dos reitores ao projeto de Reforma da Previdência, pois, sem essa dita reforma, o país “não vai para a frente”.

O fato é que estudantes, professores e técnico-administrativos não estão engolindo nem a aparência, nem a essência e já no dia 15 de maio promoveram imensas manifestações em todo o país, contra os cortes e contra a destruição da educação. Buscando medir forças com as ruas, o presidente Jair Bolsonaro chamou uma manifestação para o dia 26 de maio, pedindo aos seus apoiadores que saíssem às ruas também, contra o Congresso, o STF e pela Reforma da Previdência. Os atos, marcados para um domingo, só foram significativos em São Paulo e Rio de Janeiro. Mas, ainda assim, em outras cidades médias e pequenas, conseguiram juntar bastante gente. O grupo que atendeu ao pedido do presidente diminuiu, até porque outros apoiadores do governo decidiram não participar. Grupos importantes como o MBL que conseguiu garantir muitos deputados, senadores e governadores, decidiram não aderir e isso já deu um baque. O que ficou claro é que há ainda um contingente bastante expressivo de pessoas apoiando as propostas de Bolsonaro, algumas delas, como a Reforma da Previdência, indo contra elas mesmas. Evangélicos, extrema-direita e conservadores de carteirinha são os que ainda o seguem sem críticas.

As movimentações da direita brasileira deu ainda mais gás para o setor de educação repetir a dose nesse dia 30 de maio. E as manifestações voltaram com bastante força até porque o Ministro da Educação, no dia anterior, ameaçou professores e trabalhadores técnicos com corte de salários caso participassem dos protestos e também sugeriu sanções contra os estudantes. O ministro chegou inclusive a dizer que os trabalhadores estavam proibidos de divulgar o ato sob pena de punição. Lenha na fogueira.

No sul do país, castigado por intensas chuvas, a resposta foi firme. Milhares de pessoas enfrentando a chuva torrencial, nas ruas, gritando pela educação. Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e uma série de outras cidades lotaram as praças e ruas em manifestações gigantescas. A queda de braço segue firme.

Agora, os trabalhadores estão convocando uma Greve Geral para o dia 14 de junho. Será mais um momento de medida de força com o governo Bolsonaro. Fortalecidos pelos atos dos dias 15 e 30, os demais setores pretendem novamente encher as ruas contra a Reforma da Previdência que é, na verdade, a destruição de toda a seguridade social, duramente conquistada ao longo das últimas décadas, jogando para os bancos os recursos recolhidos dos trabalhadores. A capitalização da Previdência deixará os trabalhadores a mercê do mercado financeiro e nada garante que ao chegar ao fim da vida, depois de 40 anos de contribuição, eles terão recursos para seguir provendo a existência. A perversidade do governo é tão grande que já há até uma proposta para hipotecar as casas dos idosos, para que eles recebam a aposentadoria e ao morrerem, deixem suas  casas para os bancos.

Tudo isso, que está sendo informado sistematicamente às gentes, apesar de todo o bombardeio da mídia comercial a favor, pode fazer com que a greve do dia 14 seja também vitoriosa. A intenção é parar o máximo de serviços para que os deputados saibam que existe uma maioria contrária a essa destruição da velhice.

Apesar disso, o governo segue firme na tentativa de fazer avançar a reforma e para isso está usando de todas as armas, sendo uma delas essa chantagem contra as universidades e institutos. A resposta está sendo dada e as mobilizações só crescem. A expectativa é de que ao trabalhadores da educação se juntem também os demais trabalhadores, pois só as ruas podem derrotar o projeto de reforma da Previdência. No Congresso a batalha já está definida.

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Jornalista e Diretora de comunicação do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina.

Educadora popular.

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