“Internacionalização invertida”: reflexões críticas sobre a educação superior mundial contemporânea

Desnaturalizar a ideia de internacionalização enfatizada pelo discurso político dominante implica em situar esse processo em seu próprio espaço e tempo.

“Internacionalização invertida”: reflexões críticas sobre a educação superior mundial contemporânea
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“[…] En realidad, nuestro norte es el Sur. […] Por eso ahora ponemos el mapa al revés, y entonces ya tenemos justa idea de nuestra posición, y no como quieren en el resto del mundo […].”

Joaquin Torres García

America InvertidaCom referência a um símbolo de afirmação da identidade cultural latino-americana, o desenho “América Invertida” (1943), do artista uruguaio Joaquin Torres García, faço uso deste espaço junto à Iberoamérica Social: Revista-Red de Estudios Sociales para apresentar reflexões que problematizam, de um ponto de vista contextualizado, a educação superior mundial contemporânea e o processo que convencionou-se chamar de internacionalização.

Embaso os argumentos aqui dispostos em teóricos situados na matriz do conhecimento crítico e pós-colonial/decolonial – dentre os quais destaco Frantz Fanon, Aníbal Quijano, Walter Mignolo, Boaventura de Sousa Santos, Catherine Walsh, Antonio Gramsci, Alberto Guerreiro Ramos, Celso Furtado e Darcy Ribeiro – para dialogar sobre temas como universidade; globalização; ciências sociais; produção de conhecimento em internacionalização; políticas supranacionais, nacionais e institucionais para o setor educacional; capitalismo acadêmico; relações internacionais institucionais e acadêmicas; mobilidade; regionalização; internacionalização do currículo; políticas de idiomas; ranqueamentos; produtivismo acadêmico e participação social.

Parto do pressuposto de que a internacionalização da educação superior, frequentemente retratada nos discursos como bem incondicional e caminho para que os sistemas educacionais e as universidades respondam aos desafios de um contexto global emergente, integra-se à estrutura do capitalismo como sistema mundial histórico e, como tal, reflete interesses individuais e capitalistas. Sua origem colonial reforça geografias desiguais de poder, de saber e de ser: sob o alicerçe de um imaginário social hegemônico, sustenta-se na desigualdade e na hierarquização, legitimando determinados países, universidades, indivíduos, saberes e modos de existência como naturalmente superiores em relação a outros.

Desnaturalizar a ideia de internacionalização enfatizada pelo discurso político dominante implica em situar esse processo em seu próprio espaço e tempo; em resgatar aquilo que faz sentido à sociedade na qual ele se integra, com respeito às suas raízes epistêmicas e condicionalidades históricas. Mais do que isso, significa habitar a fronteira; pensar a universidade como espaço crítico e coletivo para conversações em aberto sobre maneiras alternativas de pensar, fazer e viver.

Bem-vindxs ao blog Internacionalização invertida!

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Autora

Trabalha na Secretaria de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e cursa doutorado em Administração na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), em Florianópolis, Brasil.

É pesquisadora na área de educação superior e gestão universitária pública, particularmente interessada no fenômeno de internacionalização da educação superior.