Ecos do 19 de junho no Brasil

Nesse dia 19, as grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre registraram multidões nas ruas exigindo que o governo atue para evitar mais mortes e gritando “Fora Bolsonaro”.

Mais de 400 cidades brasileiras registraram atos neste dia 19 de junho em protesto contra a política genocida do governo brasileiro, cuja deliberada falta de ação permitiu que se chegasse a 500 mil mortos por conta do novo coronavírus. Um número que pode crescer muito mais visto que em grande parte dos estados brasileiros a situação ainda é gravíssima, com elevadas taxas de infecção, UTIs lotadas e hospitais em colapso.

As manifestações registradas se mostraram ainda muito maiores dos que as registradas no último dia 29 de maio, quando partidos políticos e movimentos sociais chamaram passeatas e atos públicos, mesmo com riscos, pois a situação passou do limite do suportável.

Os últimos depoimentos da CPI da Covid, que está em andamento no Congresso, tem colocado à nu toda a política de morte do governo federal. Na voz de ex-ministros, médicos, cientistas e trabalhadores do Ministério da Saúde comprovam de maneira bastante clara que a proposta de “imunidade de rebanho” foi o que determinou a ação do governo federal. A ideia sempre foi de deixar infectar o maior número de pessoas possível. Houve ação deliberada de incentivo ao não-uso de máscaras, o travamento do distanciamento social e a disseminação de um kit-covid, com medicamentos inúteis para o enfrentamento da pandemia.

Não bastasse isso o governo também rejeitou sistematicamente ofertas de vacinas, fazendo com que o processo de vacinação começasse bastante atrasado e de maneira extremamente lenta. Não fosse o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, a situação estaria ainda mais crítica. O fato de este instituto ter iniciado a fabricação da vacina, em parceria com um laboratório chinês, acabou provocando o governo federal a tomar uma atitude e só assim começaram as negociações por vacina.

Hoje, com a população ciente do que tem acontecido desde março de 2020, com provas concretas da deliberada falta de ação governamental, tem sido impossível para os partidos e movimentos sociais não convocar o povo para o protesto. Afinal, é justamente a indignação geral que faz com que a rua se encha outra vez exigindo a punição pelos crimes de responsabilidade e o impedimento do presidente.

Nesse dia 19, as grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre registraram multidões nas ruas exigindo que o governo atue para evitar mais mortes e gritando “Fora Bolsonaro”.  Por outro lado, o governo faz ouvidos moucos e não parece se preocupar com as denúncias que chegam todos os dias à CPI. O presidente Bolsonaro já declarou que essa CPI vai dar em nada e que não tem poder para derrubá-lo. E enquanto isso vai promovendo atos públicos de apoio a si mesmo, em manifestações as quais vai sem máscara e fazendo troça dos cuidados contra a Covid. Seu governo tem hoje mais de 11 mil militares e é nessa categoria que tem se apoiado. Contando com o apoio da maioria dos dirigentes das Forças Armadas ele se sente intocável e não parece disposto a acelerar o processo de vacinação.

O Brasil segue a passos lentos no que diz respeito à imunização. Mas, com as ruas se enchendo, há alguma chance de mudanças no horizonte. São os primeiros passos, atrasados, é fato, mas importantes para que a consciência sobre o governo de morte cresça.

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Jornalista e Diretora de comunicação do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina.

Educadora popular.

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