Cuba vive dias de protestos

O massacre contra Cuba inicia uma nova versão: a chamada guerra híbrida, provocada desde as redes sociais, insuflando o protesto da população. Neste final de semana várias cidades cubanas registraram manifestações, muitas delas puxadas por gente com a bandeira dos Estados Unidos.

O massacre contra Cuba inicia uma nova versão: a chamada guerra híbrida, provocada desde as redes sociais, insuflando o protesto da população. Neste final de semana várias cidades cubanas registraram manifestações, muitas delas puxadas por gente com a bandeira dos Estados Unidos.

Nenhuma novidade até aí. É sabido que os EUA mantém todo um programa de comunicação contra a revolução desde Miami, com emissoras de rádio e de televisão transmitindo direto para Cuba, apontando as maravilhas do capitalismo. As mensagens apontam o comunismo como um regime totalitário e clamam por “liberdade e democracia”, as duas palavrinhas mágicas usadas para derrubar governos em todo mundo. Agora, com o advento da internet, a comunicação ficou ainda mais violenta e se dirige principalmente aos jovens.

Os dias que correm são duros em Cuba. Apesar da batalha contra a Covid já ter garantido vacina própria, a vida não se resume a isso. O bloquei econômico imposto pelos Estados Unidos faz com que falte comida, remédios e muitos outros produtos. A ilha está sempre sob o fio da navalha tentando se manter com os poucos parceiros que ainda seguem negociando e garantindo produtos. Não é fácil. A carestia acaba por fazer com que a população se rebele e aí está o momento certo para incluir pautas como “liberdade e democracia”. Como a oposição ao regime tem liberdade para se expressar em Cuba, o uso das redes sociais vai constituindo caminhos por onde as mensagens contra o socialismo circulam velozmente.

É uma hora decisiva para Cuba. Quem conhece a história sabe como os Estados Unidos tem tentado destruir a revolução. Já tentou com invasão armada, foi rechaçado. Já tentou com terrorismo, perdeu. Já tentou assassinar Fidel mais de 600 vezes, perdeu. Tem tentado com o bloqueio há mais de 60 anos e Cuba se mantém de pé, apesar dos graves problemas que o bloqueio causa. Agora é vez de usar as redes sociais para acender o fogo de uma juventude que não conheceu o tempo antes da revolução, que não tem noção sobre o que é não ter educação, saúde, lazer, moradia, segurança. O grito de “liberdade e democracia” que se ouviu nos protestos em Cuba tem muito a ver com a ilusão do capitalismo que é vendido como o melhor dos mundos: bens, roupas bonitas, tênis da moda. Desejos legítimos de uma gente que tem vivido por décadas acossada pelo bloqueio. Assim, a propaganda estadunidense usa o momento de fragilidade: retorno da Covid, falta de comida e remédios, para ganhar corações e mentes.

Desta vez os protestos foram grandes e se fizeram em várias partes do país. Mas, imediatamente o presidente Díaz-Canel foi aos meios de comunicação e saiu às ruas chamando a população para defender a revolução. Ele sabe muito bem que esse ataque está orquestrado desde os Estados Unidos desde que os protagonistas da revolução saíram de cena. É chegada a hora de uma geração que não esteve no front de batalha, que não peleou em Sierra Maestra, que só conhece a Cuba pós revolucionária. E, com pandemia, os problemas cresceram visto que Cuba precisa muito dos recursos que chegam do turismo. Daí as dificuldades nesse momento. O império sabe, por isso ataca.

Ontem também já começaram as manifestações em defesa da revolução e certamente as coisas vão esquentar em Cuba.

Quem acompanhou a chamada “primavera árabe”, primeira grande manifestação da chamada guerra híbrida, já sabe o resultado de sucumbir aos chamados da sereia do capital. Em nome da “liberdade e da democracia” foram destruídos países como a Tunísia, a Líbia, Argélia, Iraque, Iêmen. Tudo por lá ficou bem pior depois das revoltas patrocinadas pelos Estados Unidos. Fortaleceram-se grupos fundamentalistas como o Estado Islâmico e as populações, depois de ajudarem os EUA a derrubar os governos locais, tiveram de conviver com o terror cotidiano da guerra, coisa que segue até hoje. Também vale lembrar que os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e o Iraque com essa mesma argumentação de levar a “liberdade e a democracia” e tudo o que levaram de verdade foi a morte e a guerra. Melhores exemplos dos que esses, impossível de encontrar. A proposta de liberdade dos EUA é sempre carregada de morte e destruição.

Mas, é bem sabido que uma população acossada pela falta de comida e de outros recursos fica vulnerável ao engano. Tem sido assim na Venezuela também, estrangulada pelo bloqueio criminoso dos EUA. Essa é agora a hora histórica de Cuba. Enfrentar os protestos financiados pelos Estados Unidos e defender a revolução num momento em que a pandemia recrudesce e o bloqueio se fortalece.

O presidente está chamando os revolucionários às ruas. A batalha será grande.

Na mídia comercial, nada de novo. Dizem que em Cuba as pessoas estão em luta contra a ditadura. Já com relação aos protestos na Colômbia – contra um governo narco-paramilitar – que já duram meses, a fala é de que quem está na rua são os baderneiros.

Nada muda nesse mundão. Nada muda!

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Jornalista e Diretora de comunicação do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina.

Educadora popular.

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