Reflexões sobre o diálogo entre a internacionalização e a extensão universitárias

Nesse cenário de múltiplas formas de competição, a extensão universitária é ‘renegada’; não oferece os insumos necessários ‘ao avanço econômico’ esperado da universidade.

Fernanda Leal Stefani de Souza Mário César Barreto Moraes   O entendimento de que a concepção dominante de ‘internacionalização da educação superior’ ((Comumente definida em termos genéricos, como “o processo de integração das dimensões internacional, intercultural e global aos propósitos, às funções primárias e à entrega da educação pós-secundária” (Knight, 2004, p. 11). )) se insere em uma proposta de racionalidade moderna/colonial, que naturaliza e avoca a expansão perpetuada do capitalismo e a hierarquização radical da humanidade, ressalta a importância da busca por relações acadêmicas internacionais que estejam explicitamente alinhadas a esforços de justiça social (de Wit et al., 2020) ou que sejam ‘epistemologicamente desobedientes’ ao confrontarem histórias locais com projetos globais (Leal, 2020). Dado o potencial da extensão universitária […]

Ameaças à autonomia universitária e à liberdade acadêmica se intensificam: Uma cronologia de desastres na educação superior pública brasileira

As políticas federais seguem como uma ameaça à autonomia universitária, mesmo quando o setor público de educação superior se apresenta como fundamental na luta contra a pandemia da Covid-19 no Brasil.

Apresentamos o que chamamos de “uma cronologia de desastres”, um resumo dos eventos que ocorreram na educação superior brasileira desde setembro de 2019. Tais eventos revelam como as políticas federais seguem como uma ameaça à autonomia universitária, mesmo quando o setor público de educação superior se apresenta como fundamental na luta contra a pandemia da Covid-19 no Brasil.

Migrantes e estudantes: Desafios da intersecção entre a internacionalização da educação superior e os processos migratórios na Argentina em tempos da pandemia do Covid-19

Será a Universidade, em tempos de crise, capaz de resgatar o caráter libertário e continental para os povos da América Latina?

Migrantes e estudantes

Os processos de formação de redes de auxílio e informações migratórias são hoje objetos de grande interesse midiático e acadêmico. Se configuram, dentro de um âmbito global de mobilidades, como um elemento central na construção dos processos migratórios. Tais redes tomam formas diversas, algumas delas passando pelas legislações oficiais dos Estados (a exemplo dos vistos estadunidenses H-1B para trabalhadores qualificados) e outras, por rotas que operam na marginalidade. Também se configuram como viabilizadoras de projetos múltiplos, tais como processos de refúgio, inserções laborais e projetos educacionais.

Para além do discurso acadêmico dominante sobre internacionalização da educação superior: Extratos de entrevista com Chrystal George Mwangi, Professora Associada da University of Massachusetts Amherst, Estados Unidos

As reflexões da Dra. George Mwangi nos possibilitam vislumbrar a importância de ‘habitar a fronteira’ (Mignolo, 2017), isto é, de confrontarmos histórias locais com projetos globais, na busca por outras formas de fazer, pensar, viver e ser nas relações internacionais da educação superior.

Chrystal George Mwangi

A pesquisa em internacionalização da educação superior tem se configurado de forma predominantemente a-teórica e positivista: antes orientada para a consecução de objetivos práticos do que preocupada com as estruturas mais amplas nas quais esse fenômeno opera, seus dilemas e suas contradições. Em contraponto às promessas associadas ao fenômeno pelos discursos dominantes, as crescentes desigualdades abrem margem para que sua definição como uma intervenção neutra, coerente e baseada no conhecimento seja reconhecida e questionada. Para George Mwangi et al. (2018, p. 3, tradução nossa), pesquisadores e journals internacionais frequentemente falham “ao abordar o poder e a hegemonia que estão embutidos nos sistemas e nas parcerias existentes na educação superior”. Buckner e Stein (2019, p. 2, tradução nossa) observam que “os […]

Uma pandemia imersa na longa trajetória do sistema mundial capitalista: Coronavírus e a universidade pública brasileira

O combate aos efeitos discriminatórios do Coronavírus deve se dar por vias de ações que visem a transformar a realidade, incluindo a realidade das próprias instituições designadas a atuar no seu combate.

Coronavírus e a universidade pública brasileira

Em “A cruel pedagogia do vírus”, Sousa Santos (2020) retoma o debate acerca de quais circunstâncias mais bem possibilitam conhecer a verdade e a qualidade das instituições de uma dada sociedade: as de normalidade ou as de crise. Tratando especificamente da crise em evidência, o autor questiona: “Que potenciais conhecimentos decorrem da pandemia do coronavírus?” (Sousa Santos, 2020, p. 5). Inspirada em seu questionamento, reflito sobre o que a pandemia em curso tem a dizer sobre a instituição universitária pública brasileira. Particularmente, situo a crise decorrente do coronavírus na longa trajetória do sistema mundo capitalista (Wallerstein, 2006; Guillén, 2020), dado o entendimento de que seus efeitos devastam, sobretudo, o ‘Sul’. Então, argumento sobre como a universidade sujeitada à lógica produtivista […]

Por uma visão não míope das relações Sul-Sul em tempos de ‘internacionalização da educação superior’

As interações entre o Sul seguem como importante ‘objeto’ de estudo para o rastreamento de práticas desvinculadas da racionalidade moderna/colonial dominante, mas é preciso ser realista: considerar a natureza politica, os interesses e as assimetrias de poder presentes nas relações internacionais.

relações Sul-Sul

A ideia de cooperação Sul-Sul (CSS) ganha relevância a partir um cenário de descontentamento com as assimetrias existentes na arena internacional; de questionamento sobre a efetividade do modelo ocidental de desenvolvimento e de crítica ao viés assistencialista comumente observado nos vínculos entre o ‘Norte’ e o ‘Sul Global’((O conceito de ‘Sul Global’ ou ‘Sul’ desvincula-se de seu caráter geográfico. Na maior parte das interpretações, diz respeito ao “agrupamento que reúne os chamados ‘países em desenvolvimento’ (países de renda média e países de renda baixa)” (Leite, 2012, p. 4): uma grande quantidade de países da África, da Ásia e das américas Central e Latina – cerca de 160 de um total de 195 Estados reconhecidamente independentes – que enfrentam desafios significativos […]