Quilombo é uma proposta civilizatória – Capítulo 7

Pela profundidade dos brasis, os quilombos mostram que lutar pelo direito ao território é a grande pandemia.

Quilombo é uma proposta civilizatória

O território, ao ser inerente a garantia da saúde, faz com que as e os quilombolas se tornem a última barreira contra a morte do Cerrado e do Pantanal. Isso é um enfrentamento direto ao crescimento da propriedade privada, é estar no olho do furacão da máquina capitalista do agronegócio e do envenenamento do mundo pelos agrotóxicos. Não é a toa que o Brasil é o maior consumidor desses produtos. Uso que impacta não só as monoculturas locais, mas se espalha pelo solo, pelos lençóis freáticos, impedindo que a diversidade de plantações se fertilizem em tal local. Isso sem falar das mineradoras que alteram o solo, o degradam, assoreiam rios e as hidrelétricas que barram a vitalidade, o alimento fluido, e levam, mais […]

Tecnologias de sobre(vivência) – Capítulo 6

Pela profundidade dos brasis, os quilombos mostram que lutar pelo direito ao território é a grande pandemia.

Tecnologias de sobre(vivência)

À procura de uma perspectiva quilombola do mundo, a ideia de cura, como possível apenas pela medicina convencional, não é suficiente. É preciso aqui expandir a ideia de saúde como algo que vai além da cura do corpo físico e ocorre também pela dimensão espiritual, ancestral e do território. Durante a pandemia, o autocuidado e a reciprocidade foram importantes para realizar o que o poder público não se importa em fazer. O Quilombo ao se efetivar na dinâmica coletiva, nas trocas, precisou se rearticular para proteger as mais velhas e os mais velhos, a memória da comunidade, e evitar que o vírus provocasse catástrofes ainda maiores. A prevenção ao lavar as mãos quando se chega de fora, o cuidado com […]

Ancestralidade é futuro – Capítulo 5

Pela profundidade dos brasis, os quilombos mostram que lutar pelo direito ao território é a grande pandemia.

Ancestralidade é futuro

“O contrário de casa grande não é senzala. É quilombo!”, como afirma o pesquisador Clóvis Moura. Quilombo é centro. É o povo com engenhosidades de vivências que rompem com o projeto de morte capitalista. Aqui a referência de centralidade permeia o renascimento de África em território diaspórico, em que o centro do ocidente é apenas uma outra possibilidade de mundo. “O que nos mantém vivos até hoje, é a gente entender que existe um mundo além desse. Eu não posso estar na África, mas a África vive dentro de mim” diz Biko, sobre a importância de sabermos nossas origens, nossas ancestralidades. As histórias que constroem esse texto, apesar de serem emitidas recentemente, na verdade vem de muito longe. São histórias […]

Garantir o território é garantir saúde – Capítulo 4

Pela profundidade dos brasis, os quilombos mostram que lutar pelo direito ao território é a grande pandemia.

Garantir o território é garantir saúde--

Segundo Gonçalina Eva, professora, quilombola e vice-presidente da Associação da Comunidade Mata Cavalo, em Mato Grosso, a regularização fundiária da terra está parada e se antes já não queriam regularizar, a pandemia se tornou mais um grande motivo para que os responsáveis parem tudo. Só nessa comunidade são 418 famílias que vivem a incerteza da garantia da terra. Isso apesar da posse do local estar documentada há 137 anos em testamento pela antiga proprietária aos ex-escravizados. “Nunca houve uma posse passiva desses quilombolas dentro da terra” afirma.  E na época, como a elite da região não reconhecia o território como apossado, vários conflitos foram frequentes, com muitos pistoleiros ameaçando as vidas quilombolas. Além de fazendeiros, que foram tomando parte das […]

O coração do Brasil é terra quilombola – Capítulo 3

Pela profundidade dos brasis, os quilombos mostram que lutar pelo direito ao território é a grande pandemia.

O coração do Brasil é terra quilombola

A luta pela terra nos provoca a revirar o arcabouço da história que nos contaram e buscar as histórias não contadas. O Quilombo Mesquita, na Cidade ocidental em Goiás, é um indicativo de como a invenção romântica da ideia de nação e progresso é capaz de nos sufocar. Existindo a mais de 233 anos e atualmente com quase 800 famílias, o território ocupava toda a área onde hoje está Brasília. Porém, a invasão para a construção da capital do país roubou grande parte das terras já ocupadas e lançou para fora das fronteiras do Distrito Federal os povos que ali estavam. Uma expulsão que também está no apagamento, inclusive, da existência de quilombolas na construção de tal fortaleza.  Walisson Braga, […]

Injustiça Histórica – Capítulo 2

Pela profundidade dos brasis, os quilombos mostram que lutar pelo direito ao território é a grande pandemia.

Injustiça Histórica

Conaq em marcha, na luta pelos direitos do povo quilombola. Foto: Ana Carolina Fernandes. “Os nossos inimigos, até mesmo em períodos como esses, de Covid19, não dormem e continuam retirando nossos direitos” evidencia Biko Rodrigues, coordenador executivo da Conaq e quilombola da Comunidade de Ivaporunduva, São Paulo. Apesar de se ter previsto em lei, tanto pela Constituição Federal de 1988, quanto no Estatuto da Igualdade Racial de 2010 e, durante a pandemia, com a lei nº 14.021, de 7 de julho de 2020, os direitos básicos emergenciais ao povo quilombola não foram implementados. Em relação a isso, a Conaq junto a outras organizações exigiram respostas ao Supremo Tribunal Federal e à ONU a respeito da execução do Plano Nacional de Combate aos Efeitos da Pandemia nas Comunidades Quilombolas por […]