Condimentos da colonialidade à brasileira – Parte 1

Conhecer os processos e interpretações sobre a formação das instituições e da cultura política brasileira contribuirá para o entendimento das continuidades e descontinuidades, potenciais e obstáculos a políticas públicas tanto mais participativas e autônomas.

Muito tem sido dito e escrito, de forma mais ou menos profunda, sobre o atual cenário político brasileiro. Parte das análises se dedicam ao papel das redes sociais, tanto na campanha quanto nas estratégias de comunicação do governo pós-eleição; outra parte das reflexões se dedica aos imbróglios impostos à esquerda desde as manifestações de 2013 até hoje; por fim, tem-se refletido também acerca da chamada nova direita, fenômeno abordado não raro comparativamente entre diferentes partes do mundo. Pouco se tem tratado, porém, do chão no qual tudo isso brota. Dos valores que municiam os discursos vitoriosos e porque encontram ressonância, por exemplo. Mais que levantar ou propor respostas, consideremos a possibilidade de investigar o que já foi dito sobre nós, […]

Para lembrar o que não foi esquecido

Breve relatório do desastre-crime acontecido em Mariana dois anos depois.

Em 2016 foi realizada uma caravana territorial pela bacia do rio doce, organizada por mais de 40 organizações da sociedade civil1Dentre elas a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), a Associação de Geógrafos Brasileiros (AGB), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM); a Universidade Federal do Juiz de Fora, Campus Governador Valadares (UFJF/GV); Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV). 2Participei da caravana territorial pela bacia do Rio Doce como pesquisador colaborador no “Organon – Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Mobilizações Sociais”, da Universidade Federal do Espírito Santo. e que reuniu em quatro rotas distintas estudantes, agricultores, professores, movimentos […]

Arte decolonial. Pra começar a falar do assunto ou: aprendendo a andar pra dançar

A categoria colonialidade e a proposta decolonial têm aberto a possibilidade de reconstrução de histórias silenciadas, subjetividades reprimidas, linguagens e conhecimentos subalternizados pela ideia de totalidade definida pela racionalidade moderna.

Na década de 1970 formava-se no sul asiático o Grupo de Estudos Subalternos, cujo principal projeto era analisar criticamente a historiografia da Índia feita por ocidentais europeus e também a historiografia eurocêntrica produzida pelas/os próprias/os indianas/os. Segundo apresenta Florencia Mallon (2010), Ranajit Guha, historiador indiano, definiu o subalterno amplamente como qualquer subordinado “em termos de classe, casta, idade, sexo, profissão ou qualquer outro modo” (MALLON, 2010, p. 155), afirmando que todos os aspectos da vida subalterna – históricos, sociais, culturais, políticos ou econômicos – eram relevantes para o esforço de recuperar suas contribuições para a história da Índia. Anos mais tarde, em 1992, é constituído o Grupo Latino-americano de Estudos Subalternos (GLES), que, a partir de questionamentos acerca da classificação […]