Call for Papers

Iberoamérica social: Revista-rede de estudos sociais Ano 8 Núm. XV

A pandemia e o papel das Ciências Sociais

SpainA pandemia e o papel das ciências sociais

O chamado mundo moderno enfrenta hoje uma situação sem precedentes. Entramos em um estado de exceção global devido a pandemia do COVID-19. As quarentenas sem fim, as políticas de distanciamento e vigilância social dão forma a uma cotidianidade inédita. Cada dia que passa, as desigualdades, provindas antes da pandemia, se intensificam e tencionam ainda mais os discursos hegemônicos que se instalam nas sociedades, provocando perguntas sobre os sistemas de verdade que não conseguem responder nem ao presente e nem aos futuros pós pandemia.

Dada a magnitude do momento que estamos vivendo, a partir de Iberoamérica Social propomos o número intitulado “A pandemia e o papel das ciências sociais” para abordar esses tempos inéditos, desde perspectivas disciplinares, interdisciplinares e críticas que problematizem as práticas e relações de poder que estão se formando e se reformulando constantemente. A ideia é contribuir para visibilizar as alternativas, as narrativas e os conhecimentos situados que emergem da crises do atual modelo civilizatório. São bem-vindos trabalhos que se enfoquem nos seguintes eixos temáticos:

  • História das pandemias: Tendo em vista diferentes contextos e épocas, quais foram as causas e impactos das pandemias anteriores? Como atuamos diante delas? Que lições aprendemos? Que erros seguimos cometendo?
  • Ciências sociais e saúde pública: procurando contribuir dentro do possível com um estado de arte, como tem sido as relações e tensões entre esses dois campos? Quais são os temas principais dentro de uma agenda de investigação e ação? Que temas estão sendo esquecidos? Que propostas podem ser impulsionadas ou reimpulsionadas para deter definitivamente a mercantilização da saúde no momento atual?
  • Resistências e respostas culturais à pandemia: complementando análises quantitativas e avaliações preliminares de políticas e modelos de gestão, que influência têm os contextos culturais dos diferentes países e/ou regiões nas ações tomadas diante da pandemia? Estamos diante de aberturas ontológicas para discutir outras noções sobre a saúde, a enfermidade, a vida, o cuidado e a interações social? Ou se trata de hibridizações entre mundos modernos e não modernos? Que horizontes possibilitam pensar a pandemia a partir de uma perspectiva transmoderna?
  • Desigualdades e a intensificação das violências: dentro de estudos de caso preliminares, e com atenção às interseccionalidades, como a pandemia tem reforçado ainda mais a heterogeneidade de opressões existentes e aprofundado as condições de vulnerabilidade socioeconômica de pessoas e grupos marginalizados? Como se articulam os distintos traços e rostos da violência (intrafamiliar, de gênero, institucional, etc.)? Que outras crises ficam evidentes além da crise sanitária global?
  • Redimensionamento da mobilização social: antes da pandemia, assistíamos ao desmantelamento sistemático de direitos sociais e o auge de insatisfações populares, como repensar as formas de organização social em tempos de quarentena total? Que formas de protestos impulsionar no âmbito de políticas de distanciamento? A internet pode ter um maior uso político nesses momentos. Mas, o que ocorre com aquelas pessoas que não estão conectadas à “aldeia global”? Como se mobilizar para evitar que a pandemia sirva de justificativa para medidas impopulares projetadas antes da chegada do COVID-19?
  • Governo internacional e economia política da pandemia: a atual situação põe em evidência, novamente, os alcances e limitações do sistema interestatal de nações, como se está redesenhando geopoliticamente o mundo atual através das ações de corporações, governos e estados durante a pandemia? O que supõe uma efetiva coordenação global entre atores e contexto assimétricos? Que tensões são levantadas em relação aos debates sobre autodeterminação, soberania e supranacionalidade? Que agendas impulsionar ou reimpulsionar para a reforma do sistema das Nações Unidas? E além dos Estados e das corporações, como os povos se articulam nessa situação? Em que sentidos ‘o mundo não será mais o mesmo’?

Filosofia da ética, alteridade e justiça: De forma específica, como a ética pode se tornar o núcleo de uma potente crítica do mundo em que vivemos? O que significaria uma crítica-ética da saúde, da economia e da política? Como uma pandemia redimensiona substancialmente nosso entendimento sobre a outridade e justiça? De que maneira a capacidade de agência do vírus nos está levando a um profundo exercício introspectivo? Como tecer narrativas e práticas-outras já existentes para acreditar e criar mundos mais-que-humanos?

Iberoamerica Social: Revista-rede foi fundada com o objectivo de promover a cooperação para a criação e disseminação de conhecimento entre os países da região ibero-americana, aproveitando a tecnologia que a plataforma digital pode oferecer. É uma publicação semestral de carácter acadêmico e multidisciplinar que excede limites dos estudos sociais em busca de uma ciência social, humana, respeitosa e responsável.

Tem prioridade as temáticas atuais que envolvem, afetam e interessam a sociedade ibero-americana, como a democracia, os direitos humanos, o género, o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável e inclusivo de nossos povos. Portanto, além dos artigos do dossiê principal temático, nós temos um espaço aberto e dedicado para artigos de temática livre.

Os trabalhos podem ser enviados até 15 de outubro de 2020 através da plataforma Open Journal System de Iberoamérica Social. A sua classificação será a seguinte:

Artigos acadêmicos: Seis a dez artigos originais de pesquisa, reflexão ou revisão para o dossiê e uma seção com até seis artigos em temática livre. A extensão máxima é de 10.000 palavras. O sistema de avaliação da revista para todos estes materiais é o denominado como «avaliação por pares do tipo double blind».

Miscelanea: Seis a oito espaços na seção de miscelânea para resenhas de livros, relatos de experiências de pesquisa, cartas de opinião, ilustrações, fotografias e outras expressões artísticas ou culturais relacionadas com o tema principal do número. Sua publicação está sujeita ao parecer de especialistas em cada campo.

Serão considerados para esta chamada textos escritos em espanhol ou português.

Iberoamerica Social promove a reflexão inclusiva e produção intelectual. Portanto, nós encorajamos jovens investigadoras e jovens investigadores para participar conosco.

Conhece nossas normas de publicação aqui

O Conselho Editorial

close

¡SUSCRÍBETE A NUESTRO BOLETÍN!

Te prometemos por la justicia social que nunca te enviaremos spam ni cederemos tus datos.

Lee nuestra política de privacidad para más información.

Call for Papers 1