Pedro Demenech

O historiador norte-americano Richard M. Morse nasceu em 1922, Nova Jersey, e faleceu em 2001, em Porto Príncipe, Haiti. Sua trajetória acadêmica foi heterogênea: professor em Yale, secretário do Latin Amerian Program do Wilson Center e diretor da Fundação Ford, instituição que durante a década de 1970 patrocinou pesquisas norte-americanas sobre a América Latina. Antonio Candido, de quem Morse foi amigo, lhe chamou de WASP (White, anglo-saxan and protestant – branco, anglo-saxão e protestante) incomum. Por essa peculiaridade biográfica, talvez, Morse foi um pesquisador norte-americano que olhou a América Ibérica não como terra exótica, mas, como resposta à crise do mundo moderno e aos problemas do Ocidente, principalmente, o Novo Ocidente. Em “O espelho de Próspero: cultura e ideias nas […]

Pedro Demenech

Neste ano, 2015, a Biblioteca Ayacucho completa quarenta e um anos dando sinais positivos da vitalidade da cultura latino-americana. Fundada em 1974, na Venezuela, durante o governo de Carlos Andrés Pérez, a Biblioteca Ayacucho no seu projeto inicial procurou criar um espaço para a divulgação dos “clássicos” do pensamento social e artístico produzidos nesta parte do mundo. Entre os principais idealizadores desse projeto, é o nome do uruguaio Ángel Rama (1926-1983) que merece o devido destaque, pois partiu dele a concepção inicial de organizar essa coleção. A criação da Biblioteca Ayacucho ocorreu num momento delicado da história do continente, principalmente pela proliferação de governos autoritários e ditaduras civis-militares que se espalhavam pelo continente. Toda essa conjuntura acabou por criar uma […]

Pedro Demenech

Data de 1925 um texto que Pedro Henríquez Ureña esboça caminhos para a América atingir a realização utópica. “La utopía de América” foi escrito em 1925 e publicado na revista Estudiantina de La Plata, Argentina. Don Pedro nasceu, em 1884, Santo Domingos, República Dominicana e foi um crítico literário de incomparável erudição. Até hoje, suas últimas obras As correntes literárias da América Hispânica (1941) e História cultural da América hispânica (1945) são fundamentais para refletir a cultura numa dimensão continental, pois através do conceito de Hispânia, utilizado pela antiga Roma, ele unifica a cultura dos povos Ibero-americanos. Sem contar que essas obras, em seu conjunto, esboçam algumas linhas para refletir através da literatura a presença indígena na América. Quando, em 1945, pensava na Biblioteca Americana que seria patrocinada pelo Fondo […]

Pedro Demenech

Proponho seguir uma linha que resgata a experiência a partir da leitura dos textos, respeitando tanto a autonomia estética como o vínculo social dessa produção. A reflexão é sobre a Ibero-América, a cultura e suas identidades abertas, um mundo que absorve e gera novas formas e sentidos, a escrita da América inscrita nas suas diferenças. Essa experiência nasce do susto ontológico que durante a expansão ultramarina ibérica inaugura duplamente a modernidade e a América, antes mesmo do cartógrafo Martin Waldseemüller publicar sua Introdução a cosmografia e as quatro navegações de Américo Vespúcio (1507), que dá nome ao continente – uma homenagem ao navegador português. Esse “nascimento” não só traz a oposição entre Velho e Novo Mundos como expande os domínios do Ocidente […]