Para lembrar o que não foi esquecido

Breve relatório do desastre-crime acontecido em Mariana dois anos depois.

Em 2016 foi realizada uma caravana territorial pela bacia do rio doce, organizada por mais de 40 organizações da sociedade civil1Dentre elas a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), a Associação de Geógrafos Brasileiros (AGB), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM); a Universidade Federal do Juiz de Fora, Campus Governador Valadares (UFJF/GV); Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV). 2Participei da caravana territorial pela bacia do Rio Doce como pesquisador colaborador no “Organon – Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Mobilizações Sociais”, da Universidade Federal do Espírito Santo. e que reuniu em quatro rotas distintas estudantes, agricultores, professores, movimentos […]

Arte decolonial. Pra começar a falar do assunto ou: aprendendo a andar pra dançar

A categoria colonialidade e a proposta decolonial têm aberto a possibilidade de reconstrução de histórias silenciadas, subjetividades reprimidas, linguagens e conhecimentos subalternizados pela ideia de totalidade definida pela racionalidade moderna.

Na década de 1970 formava-se no sul asiático o Grupo de Estudos Subalternos, cujo principal projeto era analisar criticamente a historiografia da Índia feita por ocidentais europeus e também a historiografia eurocêntrica produzida pelas/os próprias/os indianas/os. Segundo apresenta Florencia Mallon (2010), Ranajit Guha, historiador indiano, definiu o subalterno amplamente como qualquer subordinado “em termos de classe, casta, idade, sexo, profissão ou qualquer outro modo” (MALLON, 2010, p. 155), afirmando que todos os aspectos da vida subalterna – históricos, sociais, culturais, políticos ou econômicos – eram relevantes para o esforço de recuperar suas contribuições para a história da Índia. Anos mais tarde, em 1992, é constituído o Grupo Latino-americano de Estudos Subalternos (GLES), que, a partir de questionamentos acerca da classificação […]