Ricardo Liper

Apresentamos uma entrevista com Ricardo Liper, professor na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, sendo grande conhecedor de Michel Foucault e suas teorias. Além de docente, Ricardo tem uma longa trajetória como ativista social dentro do mundo libertário. Durante a ditadura militar brasileira foi um dos criadores do jornal “O Inimigo do Rei” na qual discutiam desde um olhar anarquista sobres as questões sociais e laborais mais relevantes naquela época sombria. Hoje podemos dialogar com ele sobre diversos temas.

Devemos manter fronteiras geográficas, epistêmicas, políticas e culturais com a África?

O que se entende e defende por Iberoamerica é um belo pedaço de construção imagética, que é resquício direto de tempos passados, coloniais e imperiais.

fronteiras

O conjunto de reflexões que proponho aqui busca recuperar breves debates que em outros momentos deve nos ter passado em frente aos olhos, mas sem ter sido realmente visto ou até problematizado de maneiras mais pormenorizadas. Pergunto agora de modo explícito se é possível ou pertinente construir ou manter uma definição qualquer de Iberoamerica que ignore as nossas raízes e as relações com povos, territórios e modos de pensar e viver assim chamados… Africanos? Especialmente em um momento onde alardeamos a revisão de limites, fronteiras e distanciamentos que nos são impostos. Os países e territórios que compõem a chamada Iberoamerica são atualmente em número de vinte e dois((Em ordem alfabética: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba,  Espanha, Equador, […]

Povos indígenas de Santa Catarina - Kaingang, Guarani e Xokleng

São conhecidos apenas três grandes povos indígenas [1] que conseguiram sobreviver aos massacres realizados contra eles durante os últimos cinco séculos em Santa Catarina, no sul do Brasil. Esses povos são institucionalmente reconhecidos pelo Estado brasileiro pelos nomes de Xokleng, Guarani e Kaingang. Primeiras informações sobre cada um dos povos podem ser encontradas no site do Instituto Socio Ambiental (ISA): Guarani, Kaingang e Xokleng. O objetivo deste post é recuperar parte das hipocrisias visíveis nos discursos midiáticos sobre as violências promovidas contra os povos indígenas em Santa Catarina. O ano de 2018 começou nos lembrando como o ano de 2017 havia acabado. E como foram os anos de 2016 e de 2015. E como foram todos os anos anteriores para as […]

Diálogos iberoamericanos I

O nascimento e as escolhas I II Como o Sir James George Frazer,eles são capazes do uso do equívoco como forma de ciência. Relacionam o impossível: Do sono definido pela religião ao gênero que limita os modos à mesa, até a idade sugerida ao observar um caminhar. (Márnio Teixeira-Pinto  na  primeira  aula  do mestrado em antropologia social, realizada em 2014 no PPGAS/UFSC)((No original: “A descrição em antropologia é a arte de relacionar o não-relacionável.” Tradução minha.)). Contam-me que naquela noite a lua foi maior que o normal, mas não me ficou claro, e ainda não me está, se isto possui algum signo de valor, ou até de influência. Dado que o meu pai é que era Napë((Napë pode ser traduzido […]

Jefferson

Alexandre de Moraes é um dos juízes responsáveis (sim, há outro, que pode ser promovido também) por livrar as revelações feitas contra a Frozen brasileira de chegarem ao público, garantindo assim que ela possa trazer de volta os preciosos clubes de leitura (via reader’s digest version for first ladies) das primeiras-damas na prefeitura do Brasil. Dilma não mantinha e não podia ser primeira-dama. Atualmente o nome deste juiz está em todos os telefones celulares no Brasil, onde 99,99% das pessoas que estão o criticando hoje, o conheceram nas últimas semanas. Nem mesmo quando foi nomeado ministro da justiça (e cidadania), tal reconhecimento precoce – novamente, graças a internet, diria Facebook -, havia acontecido. Após a nada suspeita queda de um […]

Jefferson

Desde o último (des)governo do PT, e diretamente do centro e de dentro do Palácio do Planalto, acolher vândalos é a ação padrão aos atos públicos de questionamento das falhas realizadas por quem está no poder. Cerca de 10 mil pessoas estiveram diante do Congresso Nacional [1] em Brasília para questionar na última quarta-feira (30 de novembro), quem e o que fazem no legislativo. Parte dessas pessoas até pretendiam promover alguma pressão popular para compreender como deputadas e deputados tratavam e votavam as dez medidas contra a corrupção, que ocorreria na câmara dos deputados. O alvo era o senado, que promoveria a primeira votação da PEC 55 (proposta de emenda constitucional no senado de nº 55, antiga PEC 241 da […]