Guilherme

guilhermecruzz@live.com A primeira vez que vi Ada, não sabia quem era Ada. Sabia que era a única mulher na contracapa de um disco da coleção da minha vó. Ada numa foto em preto e branco, entre cinco outros cantores de tango. Sendo a única mulher naquela coletânea, era centralizada em si a dramaticidade que o tango tanto dissipa. Quando conheci o tango, ele só fez sentido ao encontrar a tez de Ada. O rosto que me faltava para entender o que se traduzia em melodias e letras. Ada, nessa foto, com lábios negros, bem desenhados, em close, com uma pinta charmosa na bochecha, a tez branca e os olhos – numa mescla entre suplicante e esperançoso. Uma captura entre o […]

Guilherme

Finteo esquivo arremeto pie contra pie mete cross mete rectos al mentón Nadie espera por mí en el ring-side el abuelo muerto grita lo que no debo hacer (Poema: «Finteo, esquivo» – Juan Carlos Urtaza) Uma academia para treinamentos e os bastidores do boxe amador no Chile são pano de fundo para o documentário A Mano Limpia, de Rodrigo Contreras. O filme que conta com depoimentos de pessoas que vivem o universo do boxe, e com um trabalho de som que cria paisagens sonoras interessantes, vai um pouco além das cordas do ringue. Nas vozes em off quase não se ouve alguma reflexão sobre a vitória. Pois a luta principal, interna e externa dessas pessoas, é contra o medo e […]

Para quando percebemos a necessidade de andar, percebemos conjuntamente a necessidade de reconhecer. É a percepção que guia o estar pra fora, para iluminar o que está pra dentro. Ao centro dessas noções se manifesta a «desorientação», na imagem daquela bússola que desfaz as convenções de norte e sul. Na mesma proporção que a identidade cambiante é forjada nos entre-lugares de um lugarejo que criamos arrodeados por influências que não precisam de nem de data, nem endereço e muito menos um número de identificação. Estamos em estado conflitual, expostos, fragmentados, mas ao mesmo tempo unificados em campos de reconhecimento, admiração e pluralidade.