As faces da solidão

O filme inicia com dados que afirmam a condição de 48% da população afroequatoriana vivendo abaixo da linha da pobreza, e tendo a mulher negra como alvo de distintas violências sociais.

O sentimento da solidão pode se mostrar de diferentes maneiras, desde algo muito íntimo até chegar em formações coletivas de estar e ser no mundo. Desde o Equador, o documentarista Galo Betancourt resolve registrar a solidão de mulheres afroequatorianas, e nos faz refletir sobre as distintas maneiras da solidão. O filme El bairro de la mujeres solas (2013) realiza o registro de quatro vidas de mulheres negras em sua pluralidade em ser trabalhadora, mãe, amante, agente cultural, e entre tantas condições que se estabelecem em sua cadeia formativa. Na representação fílimica, as componentes do grupo de dança Afrosentimiento Latino fazem da sua organização uma luta por alimentar raízes, reverenciar antepassados e promover avanços identitários. Assim, a temperança da maternidade se […]

“Jaci Paraná é um microcosmo que representa a dinâmica das grandes obras no Brasil” – sobre energia e pessoas

Entrevista com Carlos Juliano Barros (Diretor de "Jaci: Sete Pecados de Uma Obra Amazônica")

Os números da hidrelétrica de Jirau só podem ser contestados com depoimentos e  denúncias que vemos em Jaci: Sete Pecados de Uma Obra Amazônica. Durante o documentário números e palavras traçam um embate sobre quem diz, quem credita e porque diz sobre cada noção da realidade. – “Cidade do pecado”, “aberração jurídica”, “produzir energia a qualquer custo”, “o ônus do progresso”, “o ser humano acostuma com tudo”.

Desarmônicos

A marca nebulosa e violenta da ditadura, as cores da democratização, acompanhada pela “modernização”, pessoas e grupos esquecidos, silenciamentos, ressignificação neoliberal, assim como as suas festas populares.

Contar a história de um país envolve muitos detalhes, possibilita inúmeras leituras, multiplica as interpretações de distintos momentos, e influencia a atualidade revelando os próximos passos. Essa leitura multipolar, de algo convencionado por uma geopolítica impositiva da emolduração das diferenças e a constituição do Estado Nação, coloca e tensiona o universalismo que estabeleceria as relações de dominação e controle. Abrangendo a formação do imaginário e evidenciando as suas particularidades, induzindo significados e padronizações, coloca concomitantemente as ações significativas de grupos de resistências a partir desses cenários. Uma das ferramentas que é possível criar essa linha do tempo sobre a formação de uma nação são os artefatos culturais. Através de um montante significativo podemos dialogar temas complexos como a força da […]

A síndrome de Funes

Transpassar experiências, intercambiar vivências, relatar sabedorias, se tornam duro embate na disputa narrativa da contemporaneidade.

A procura por linhas discursivas e narrativas que façam jus à memória é uma síndrome que ataca a humanidade. Muitos teóric@s e pensador@s já tentaram refletir como a força do contar se estabelecem nas formas de expressões artísticas e históricas. Aquele sujeito, que para Benjamin estava em extinção – o narrador e o intercâmbio de experiências. As transformações do mundo, seus novos jogos e interesses, desabilitou a tradição da oralidade. Transpassar experiências, intercambiar vivências, relatar sabedorias, se tornam duro embate na disputa narrativa da contemporaneidade. Por isso, Los rubios (2003) de Albertina Carri é uma ferramenta para a composição testemunhal desses novos modos de narrar. Ou ainda, por quais modos visa-se retratar. Portanto, a inserção instável sobre a historiografia oficial, […]

A existência da velhice

Toda sociedade tende a viver, a sobreviver; exalta o vigor e a fecundidade, ligados à juventude; teme o desgaste e a esterilidade da velhice (BEAUVOIR, Simone de. A velhice)  Alcançar o fundamento interno de reorganização espacial, transgredir a disparidades do corpo, destruir criações e heranças emotivas e memorialísticas, conviver com a solitude, se emancipar,  se desconhecer, se reinventar. Envelhecer é ação da disputa derradeira – apesar de tantas outras ditas essenciais durante toda existência –, pois é corpo que teima em abrir os olhos, em pulsar, e despertar como signo de resistência. Beauvoir (1990) credita à sociedade uma visão que conduz ao fim, no não reconhecimento d@ idos@. E em contradição disponibiliza para esse grupo uma “melhora” e “avanços” para saúde, […]

“La palabra es liberadora” – sobre lunas y poesias

“La poesía permite repensar el mundo y también la propia historia.
A su vez permite decir con sutileza, al tiempo en que la lectura de poesía ayuda a indagar en lo dicho, en el valor de la palabra.
Sin dudas la palabra es liberadora.”