América Central: a luta ainda vibra

Os governos da América Central (Guatemala, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Costa Rica) celebram nesse mês de setembro o bicentenário de independência da colônia espanhola.

Os governos da América Central (Guatemala, Nicarágua, Honduras, El Salvador e Costa Rica) celebram nesse mês de setembro o bicentenário de independência da colônia espanhola, quando, em 1821, esses países criaram a União das Províncias da América Central. Integravam-se assim ao furacão revolucionário que tomava toda a América Latina e como acontecia no México e na América do Sul, igualmente expulsaram os espanhóis do mando, buscando vida melhor para toda a gente. Foi uma independência curta, visto que um ano depois eram anexadas pelo então Império do México, mas tão logo o México torna-se república em 1823, esses países aproveitam para voltar a constituir a União das Províncias, aí sim livres e autônomas, sem mais vínculos com a Espanha ou […]

O presidente do país segue governando na lógica do factoide, imitando seu ídolo Donald Trump. Parece não ter se dado conta do que aconteceu lá na matriz que tanto ama. A tática do factoide não deu certo. Trump foi derrotado fragorosamente. Por aqui, os marqueteiros do presidente continuam incentivando a mesma toada que, ao que parece, só serve mesmo para animar a sua plateia cativa. Foi o que se viu. As chamadas “lideranças” dos atos que visavam invadir o STF e cortar a cabeça do ministro Alexandre Moraes foram presas, responderão na justiça e provavelmente serão abandonadas para que se virem como possam. Milhares foram para Brasília armados da esperança de que os comunistas finalmente seriam eliminados – física e […]

Mais de seis mil indígenas sentados em frente ao telão em Brasília esperavam por um fechamento da questão do marco temporal, a proposta esdrúxula de definir o ano de 1988 como ano «um» da ocupação indígena. Isso significa que aprovada essa ideia só poderão ser demarcadas as terras as quaisos povos originários estivessem ocupando nesse ano específico. Ora, não precisaser muito inteligente para saber que o Brasil inteiro é território indígena.Eles aqui estavam quando Cabral chegou e aqui seguem resistindo depois de maisde 500 anos de massacres e tentativa de extermínio. Muitas etnias, ao longo dosséculos, precisaram mover-se no território, justamente para escapar da morte,então não faz qualquer sentido definir uma data do século XX para estabelecer direitos. Na verdade, […]

No Peru as eleições parecem não ter acabado. Ainda que Pedro Castillho tenha vencido e assumido o cargo, a oposição, a mídia e os inimigos de qualquer proposta mais à esquerda agem como se o novo presidente não tivesse qualquer capacidade para governar. Os ataques tem sido sistemáticos e a luta de classes se apresenta nas ruas, nos gabinetes, na vida cotidiana. Mas, o confronto não vem só da direita tradicional, a batalha por cargos entre os aliados e a necessidade de atender as alianças realizadas para vencer as eleições também trazem prejuízos para o novo governo. Além de lidar com os inimigos há que rebolar para não perder apoio. A primeira queda de braço de Pedro Castillo foi indicar […]

Ouvi ontem a fala do presidente dos Estados Unidos sobre a retirada do “seu” pessoal do Afeganistão. Ele informava à nação sobre a evacuação do país e sobre quem eles tinham decidido salvar. Tranquilo e sem pejo ele disse que 28 mil afegãos tinham sido resgatados, aqueles que durante esse tempo de ocupação haviam colaborado com os Estados Unidos. “Fizemos isso, porque é assim que somos. Cuidamos dos nossos”. Pois bem, 28 mil pessoas e ponto final. Os demais que se virem. Foram lá e destruíram um país, então esse descaso com as gentes não é novidade. “Só se dá bem que é nosso amiguinho”. E provavelmente a audiência aprovou sem destaques a decisão. Disse ainda o presidente que não […]

POVOS INDÍGENAS: MAIS UM CORPO DILACERADO

O massacre iniciado em 1500 ainda não terminou.

Uma menina indígena, de 14 anos, da etnia Kaingang, de nome Daiane Griá Sales, foi encontrada morta, com o corpo dilacerado e alguns órgãos retirados, no interior do Rio Grande do Sul. Ela vivia na terra indígena de Guarita, em Redentora, noroeste gaúcho, uma área de 24 mil hectares que abriga mais de sete mil almas Kaingang e Guarani. O corpo foi achado numa lavoura, cheio de hematomas e estraçalhado da cintura para baixo. Uma cena de horror, certamente constituída pelo ódio. Não se sabe ainda o autor nem a motivação. A notícia circulou na mídia burguesa como mais um crime, sem maiores alardes. Até aí, nenhuma novidade. Corpos indígenas caem todos os dias nos cantões do Brasil, assassinados pelos […]