O Canadá e o genocidio indígena

Na última semana, na província de Columbia Britânica, foram encontrados os corpos de 215 crianças num terreno da tristemente lembrada Escola Residencial para Indígenas Kamloops

Na última semana, na província de Columbia Britânica, foram encontrados os corpos de 215 crianças num terreno da tristemente lembrada Escola Residencial para Indígenas Kamloops. Esta foi uma escola aberta em 1890 pelo governo canadense e dirigida pela Igreja Católica, que “reeducava” crianças indígenas, visando torná-las “canadenses”. Esse processo de sequestro das crianças de suas famílias, educação forçada, perda de cultura original, tortura e morte durou quase um século já que a escola só foi fechada em 1970. Outras delas, dirigidas também por anglicanos, metodistas e presbiterianos, ainda seguiram funcionando até 1990. Segundo informações da Comissão da Verdade e da Reconciliação, desde a invasão do Canadá sabe-se que as igrejas realizavam uma sistemática ação de destruição da cultura, através da […]

Trabalhadores brasileiros começam a se mover

O sábado (29) foi um dia de luta em todo o país. Milhares de pessoas saíram às ruas em protesto contra o governo de Jair Bolsonaro que colocou o Brasil num de seus momentos mais dramáticos, chegando a quase 500 mil mortes pela Covid-19.

O sábado (29) foi um dia de luta em todo o país. Milhares de pessoas saíram às ruas em protesto contra o governo de Jair Bolsonaro que colocou o Brasil num de seus momentos mais dramáticos, chegando a quase 500 mil mortes pela Covid-19. Desde o começo da pandemia o governo apostou na tática da “imunidade de rebanho” que significa deixar que o povo se infecte no maior número possível para, assim, com toda a gente contaminada, garantir a imunidade. Lógico que isso significa também deixar morrer uma multidão de pessoas que poderiam ser salvas caso o governo tivesse tido uma ação segura de prevenção e de proteção. É nessa toada que o país está desde que o vírus chegou […]

A Palestina resiste

Essas dolorosas imagens em preto e branco foram tiradas em 1948, quando quase um milhão de palestinos foram obrigados, pela força das armas, a abandonarem suas terras, suas casas, suas oliveiras. Amigos se separaram, famílias se destruíram, sonhos foram pisoteados. Esse momento de dor e desespero ficou conhecido como o Nakba – o dia da catástrofe. Quando a terra palestina foi tomada/invadida por Israel.

Essas dolorosas imagens em preto e branco foram tiradas em 1948, quando quase um milhão de palestinos foram obrigados, pela força das armas, a abandonarem suas terras, suas casas, suas oliveiras. Amigos se separaram, famílias se destruíram, sonhos foram pisoteados. Esse momento de dor e desespero ficou conhecido como o Nakba – o dia da catástrofe. Quando a terra palestina foi tomada/invadida por Israel. Esse êxodo aconteceu porque os Estados Unidos, a Europa e outros países do mundo, servis e vis, decidiram criar nas terras palestinas um estado artificial: Israel. Diziam que lá não havia povo, mas havia. Que era uma terra esquecida, não era. Ali viviam famílias que amavam, plantavam e tinham seus filhos. Famílias que cresciam desde a […]

Escravidão e Jacarezinho

Para o leitor/espectador comum, o foco todo fica sempre no morto: era um bandido. Mesmo que não seja. Se era preto e vivia na favela, era bandido. Essa é a compreensão. E se o morto é uma criança, as pessoas pensam: bom, se não era bandida ainda, seria.

O sistema colonial que se instalou no “novo mundo” depois da invasão das Américas precisava de mão-de-obra para fazer o trabalho andar. Foi assim que os países ricos da época – Inglaterra e Holanda  – começaram um comércio até então inédito: o de gente. Levavam os navios para o continente Africano, sequestravam gente, e levavam para a América para trabalhar como escravo. Foram séculos dessa infâmia. No caso do Brasil, quase dois milhões de pessoas foram trazidas para trabalhar nas fazendas dos senhores de engenho ou de café. Mais de 200 mil morreram no caminho. Essa gente toda foi espalhada pelo território e apesar das condições brutais de existência, gerou descendência. Um censo realizado em 1872 – 16 anos antes […]

A crise e a covid

Não bastasse isso a crise sanitária no país só se aprofunda. Passamos dos 400 mil mortos pela Covid-19, mortes essas que poderiam ser evitadas se tivéssemos um governo que se importasse com a população.

A crise e a covid

Até agora a pandemia tem feito muito bem aos ricos do país. Enquanto mais de 14 milhões de brasileiros caíram no desemprego e 40 milhões seguiram aos trancos e barrancos na informalidade, os 42 CPFs mais ricos do Brasil aumentaram sua riqueza em 180 bilhões de reais. Isso deixa bem claro porque os endinheirados não se importam quando a economia entre em crise. Porque o que aparece como crise para a maioria apenas serve para aumentar o conteúdo dos seus cofres. Essa é a natureza da crise: o momento em que o capital acumula mais. Então, cada vez que ouvires que o país está em crise, que a economia está em crise, atente: essa crise é só para os trabalhadores […]

Sobre os povos originários e a embaixada estadunidense

Ao longo dos anos nesse trabalho de divulgar o modo de vida indígena junto aos não-índios temos feita a crítica aos companheiros e companheiras da esquerda eurocêntrica que não conseguem compreender em profundidade o tema indígena e que apenas se juntam às causas dos originários em momentos pontuais, não existindo dentro dos partidos políticos, por exemplo, um trabalho sistemático de acompanhamento das lutas indígenas e de parceira real. No geral, os povos originários tem travados suas batalhas de maneira solitária.

Tenho pautado minha vida, desde há décadas, a trazer para o debate a questão indígena. Minha proposta sempre foi buscar uma ponte entre o mundo indígena – tão desconhecido pela maioria – e os trabalhadores, visto que, tanto um quanto os outros estão submetidos ao tacão do capital. Tenho claro de que o que aconteceu aqui nesse espaço geográfico em 1500 não foi um encontro de mundos, foi uma invasão que provocou genocídio, etnocídio e memoricídio, e que permitiu a ascensão do capitalismo nos países dito centrais. Milhões de almas foram dizimadas para que pudesse assomar o que hoje conhecemos como nação brasileira, e ainda assim, apesar disso, muitas etnias conseguiram sobreviver e seguem resistindo ao genocídio sistemático que nunca […]