Febre amarela de volta no país

Como essa é uma doença pouco conhecida, já quase erradicada, muitos profissionais podem confundi-la, o que pode ser fatal para o doente. 

Nada no mundo humano é por acaso. Então, qual o motivo do estado de São Paulo estar vivendo um surto de febre amarela, uma doença que supostamente estava sob completo controle no Brasil, sem casos urbanos desde 1942? Essa é uma pergunta que a gente não vê os meios de comunicação fazerem. Os noticiários mostram o caos nos postos de saúde paulistas, com pessoas fazendo filas quilométricas para tentar garantir uma vacina que não está disponível, mas são incapazes de investigar as causas de todo esse drama que já cobrou, só em São Paulo, 21 vidas. A falta de vacinas é a aparência de um problema que é muito mais complexo: a sistemática redução do orçamento em ciência e tecnologia. …

Não há o que temer no comunismo

O comunismo só é diabólico para esses e essas que acumulam a riqueza gerada pelos bilhões de trabalhadores. São eles os que têm medo. E como têm poder, eles divulgam esse medo como se tivesse de ser o medo de todos. Não tem!

Já não é de hoje que toma corpo a esquerda paz e amor. Essa ideia insana de que é possível humanizar o capitalismo. E, nesse diapasão vamos vivendo lutas por políticas públicas, de apaziguamento da miséria, propostas alternativas isoladas que não enfrentam o capitalismo ou ainda a ingênua intensão de um desenvolvimento sustentável no rumo de uma nação com bem estar social. Tudo bem se essas batalhas forem encaradas como reformas necessárias num caminho para outra forma de organizar a vida. Mas, crer nessas propostas como um fim em si mesmas é ilusão. Há que avançar para a ruptura. O capitalismo – já nos mostra o alemão Karl Marx – tem determinações muito claras e nelas não cabem essas propostas. …

Terror na terra guarani

Os que escaparam da morte foram se escondendo no interior. Até que os colonizadores também chegaram lá. Foi a brutal invasão que desalojou os Guarani. Foi um roubo. Uma violência.

Desde o Morro dos Cavalos, em Palhoça, ecoa um grito que poucos ouvem. Não porque não seja forte, mas porque quem grita são gentes do povo Guarani. Gente indígena, originária, que a maioria das pessoas prefere ignorar. Tanto que desde 1992, quando surgiu a proposta de demarcação da área para que as famílias Guarani pudessem ter um lugar para viver, a terra e os Guarani vivem sob constante ataque do Estado, dos políticos, e até das chamadas “pessoas de bem”. Ao longo desses anos são incontáveis as ações violentas, preconceituosas e discriminatórias. E desde que as famílias empreenderam uma luta mais potente pela posse da sua terra ancestral a violência aumentou, a ponto de no último feriado do dia 02 …

Orçamento Legislativo Participativo: as gentes decidindo

Com a presença de entidades sociais e populares na abertura dessa generosa proposta, o lançamento do Orçamento Legislativo Participativo foi um respiro de alegria nesses tempos tão sombrios.

Uma das experiências mais bonitas tocadas pelo Partido dos Trabalhadores no início de sua trajetória como institucionalidade foi a do Orçamento Participativo. As cidades sendo pensadas pelas gentes mesmas, as que as constroem e que as vivem. Florianópolis viveu esse momento durante o governo de Sérgio Grando, no qual Afrânio Boppré (então PT)  era vice-prefeito. E foi uma belezura. Todos os bairros faziam suas reuniões e discutiam suas prioridades para obras e serviços. Depois, decidiam o que fazer e quanto gastar em cada coisa. Pela primeira vez na história da cidade os moradores eram chamados para uma participação real e direta, na qual definiam eles mesmos o que fazer com os recursos do município. Foi um tempo em que as …

Um estudo sobre a espera

O estado sabe que enquanto está esperando, o pobre não está construindo a rebeldia. É, pois, uma técnica de dominação.

Nas cidades do capitalismo contemporâneo grande parte dos habitantes não pode ser considerada cidadã. Afinal, não têm garantidos nem os direitos, nem a possibilidade de participar ativamente das decisões que envolvem sua própria existência. Por conta disso o professor e etnógrafo argentino Javier Auyero chama essa camada de pessoas, os empobrecidos, de “pacientes do estado”. Na raiz latina dessa palavra – pati – o significado é sofrimento. Assim, o que Javier desvela é que é da natureza do estado capitalista fazer da grande massa pessoas que sofrem. Ele chegou a essa conclusão analisando um fenômeno bastante comum para o empobrecido: as esperas nas filas. Em Florianópolis, os moradores que utilizam o transporte público sabem muito bem o que é essa …

A morte do outro não importa

Tragédia na Somália: uma a mais no doloroso processo de libertação

O mundo ocidental se move por uma premissa que vem da cultura grega: o ser é, o não-ser não é. E o que significa essa frase tão enigmática? Que só é reconhecido como ser aquele que é igual. O outro, esse não existe. Não-é. Não tem importância. Sendo assim o que é para o mundo ocidental europeu/estadunidense? Aquele que é igual a eles: branco, rico, capitalista, guardião da ordem e da moral. Tudo o que sai desse script não-é. E, não sendo pode ser destruído sem dó. Sobre a morte desse outro que não-é, não se fala, porque não importa. É por isso que o massacre perpetrado pelos Estados Unidos nos países do Oriente Médio não tem a menor importância …