As raízes clássicas da América contemporânea

Pedro Demenech
Pedro Demenech

Data de 1925 um texto que Pedro Henríquez Ureña esboça caminhos para a América atingir a realização utópica. “La utopía de América” foi escrito em 1925 e publicado na revista Estudiantina de La Plata, Argentina. Don Pedro nasceu, em 1884, Santo Domingos, República Dominicana e foi um crítico literário de incomparável erudição.

Até hoje, suas últimas obras As correntes literárias da América Hispânica (1941) História cultural da América hispânica (1945) são fundamentais para refletir a cultura numa dimensão continental, pois através do conceito de Hispânia, utilizado pela antiga Roma, ele unifica a cultura dos povos Ibero-americanos. Sem contar que essas obras, em seu conjunto, esboçam algumas linhas para refletir através da literatura a presença indígena na América. Quando, em 1945, pensava na Biblioteca Americana que seria patrocinada pelo Fondo de Cultura Económica, don Pedro escolheu o Popol Vuh – livro-fragmento da cultura maia – como primeiro volume doa primeira coleção de caráter continental a incluir o Brasil.

Voltemos, então, ao texto de 1925, onde o passado é essencial para a civilização porque garante peculiaridade à tradição. Assim, a cultura indígena é exemplo consistente da tradição que, resistindo e mesclando-se ao domínio espanhol, gera a cultura americana. Do encontro entre duas culturas distintas, nasce outra diferente.

A cultura está garantida pela figura do autóctone que dá sentido às formas da cultura espanhola na América. O autóctone é quem ressignifica e reescreve os símbolos, criando algo novo. Assim, Don Pedro arma um cenário para a América entrar no tempo histórico e encontrar um lugar que é seu por direito dentro da cultura ocidental.

Essa “Nuestra América” tem sua força na síntese do autóctone. E a utopia da América é a possibilidade do encontro que garante não só singularidades, mas, caminhos para uma história própria da qual o continente se orgulhe do nome de batismo. Afinal, em Henríquez Ureña temos um primeiro esboço que capta movimentos e valores da unidade da cultura e expressão americanas.

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As raízes clássicas da América contemporânea 1
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Doutorando em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, interessado na história intelectual, pensamento e teoria social.

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