A Mandiocaba na Vila Braba: Memória Biocultural e Conhecimento Tradicional

Este trabalho surge de uma visita à comunidade da Vila Braba, município de Cametá, no Pará, onde durante uma conversa sobre o cotidiano local, soubemos da existência de uma variedade de mandioca que era doce e utilizada para a produção de um distinto e saboroso mingau bastante apreciado pela população local. Assim, movidos pela curiosidade de mergulhar nesse universo de conhecimentos tradicionais que entremeia aspectos da agricultura, culinária, memória, convívio social e cultura decidimos escrever sobre a mandiocaba na Vila Braba.

Consideramos aqui a concepção da biodiversidade a partir de um íntimo contato com as populações humanas que a manipulam, cultivam e se apropriam das mais distintas maneiras, o que é conceituado por Diegues e Arruda (2001) como etnobiodiversidade.

Constatou-se que a quase totalidade de informação científica disponível acerca da mandiocaba restringe-se a um olhar técnico-produtivo voltado às suas possibilidades para exploração comercial, desconsiderando completamente os contextos socioculturais em que esse cultivar vem sendo mantido e preservado desde sempre.

Desta forma, buscamos neste artigo descrever brevemente os aspectos do cotidiano, cultivo e sociabilidades presentes na relação dos habitantes da Vila Braba com a ilustre figura da mandiocaba, a mandioca açucarada que concentra em torno de si todo um conjunto de saberes, práticas e histórias mediados pelo ‘doce da vida’ que traz ao cotidiano dos locais.

Apresentando a Vila Braba

Situada na Região do Baixo Tocantins Paraense, a 250 km da capital Belém, à altura do Ramal Canudos, quilômetro 152, da PA 151, no município de Cametá/PA, a Vila Braba é resultado de um longo processo de migração típico dos camponeses agroextrativistas amazônicos a partir das margens do rio Tocantins até assentarem-se em um subafluente do rio Moju, chamado rio Tambaí Miri. É formada pelos membros da Família Gonçalves, que estão no núcleo de Vila Braba (Fig. 01).

Figura 01: Croqui da comunidade. Fonte: GONÇALVES, 2015.

Originada na década de 60, atualmente a comunidade é composta por 15 famílias descendentes do casal fundador, totalizando aproximadamente 50 habitantes. A Vila Braba recebeu este nome, segundo moradores da localidade, devido ao tom de voz que usam quando reunidos, pois falam bastante alto dando a impressão de que estão discutindo, o que os caracterizaria como um povo bravo ou “brabo” (GONÇALVES, 2015).

Composta de agricultores familiares dedicam-se ao cultivo comercial de pimenta-do-reino (Piper nigrum) e mandioca (Manihot esculenta Crantz), da qual produzem farinha para o auto consumo e comércio local. É costume que as atividades de implementação da roça (derrubada, coivara, planta e capina) sejam feitas em mutirão, que é chamado de “convidado”, onde todos se alternam até que as tarefas estejam cumpridas em todas as roças familiares. Também praticam atividades extrativistas, além de caça e pesca.

A mandioca e a mandiocaba

A mandioca, também conhecida como aipim, macaxeira, cassava, tapioca, manioc ou yuca e é uma planta da ordem Malpighiales, família Euphorbiaceae, gênero Manihot (SOUZA, 2010). Existem cerca de 100 espécies do gênero Manihot, sendo a espécie Manihot esculenta Crantz a única cultivada em escala comercial (ALBUQUERQUE, 1969; HILLOCKS; THRESH; BELLOTI, 2002).  No Brasil, centro de origem e diversidade da mandioca (OLSEN, 2004), a espécie apresenta grande variabilidade genética, principalmente variedades locais, restritas a poucos agricultores. Essas variedades são conhecidas como acessos ou “landraces” (FUKUDA; IGLESSIAS; SILVA, 2003).

A diversidade de mandioca é classificada tradicionalmente pelos ameríndios desde o período pré-colombiano em dois grupos principais de acordo com o seu sabor, uso e grau de toxicidade: mandiocas bravas e mansas (ELIAS et al., 2004 apud GALERA, 2008). Esta denominação já indica que o teor de ácido cianídrico (HCN) presente é determinante para que as mandiocas possam ser dividas em: bravas (ou amargas), com alto teor de HCN e mansas (ou doces), com menor teor de HCN. (ALBUQUERQUE, 1969; CEREDA, 2002; PADONOU; MESTRES; NAGO, 2005).

Segundo Galera (2008), no território brasileiro existem três grandes grupos de mandioca: bravas, mansas e doces (manicueira) que se diferenciam principalmente pelo sabor sendo as mandiocas bravas, amargas e de gosto desagradável; as mansas com sabor característico e agradável ao paladar e  as manicueiras  doces e aguadas.

Segundo Costa, Xavier & Dias (2004) historicamente a raiz reserva da mandioca vem sendo utilizada para dois tipos de aproveitamento básico: a mandioca de mesa (consumo in natura) e a mandioca para indústria de farinha e fécula.

Segundo Galera (2008), os glossários e dicionários da língua portuguesa se referem à manicuêra (ou manicueira) como uma “espécie” de mandioca da qual se extrai um suco doce utilizado para preparar a mandiocaba. (BALDUS, 1960; CAMPOS, 1939; CORREIA, 1936; SAMPAIO, 1944 apud GALERA, 2008). Sampaio (1944) traz as informações de que no Norte a manicuêra  é uma espécie de mandioca que dá suco doce com que se prepara ‘mandiocaba’, que é o mingau de arroz feito com suco doce de manicuêra.

A mandiocaba figura nos registros dos naturalistas viajantes desde o século 19, quando Henry Walter Bates, descreve-a como um tipo doce de mandioca (manicueira) muito diferente das mandiocas mansas, com raízes aguadas e que se tornam muito doces dias depois de serem colhidas cujo mingau é utilizado na preparação de uma bebida fermentada pelos ameríndios, chamada de Tarobá. (BATES, 1863 apud GALERA, 2008)

Entre os povos indígenas há diversos registros de uso de variedades doces da mandioca, conforme observado pelos irmãos Villas-Bôas (1989) “na distinção de três grupos de mandioca feita pelos índios Kayabí, no Xingu em: brava (Manióp-veté), mansa (Maniópatatá) e doce (Mania-acáp).” Darcy Ribeiro, também relata o uso e consumo das mandiocas doces nas aldeias dos Urubus-Kaapor:

“Cultivam, ainda, a maní-aká, uma mandioca grande, muito aquosa, para fazer o mingau doce, maniaká-rikuara ou maní-kuera, que é o ponto mais alto da culinária kaapor. Para prepará-lo, raspam a mandioca com raízes de paxiúba.” (RIBEIRO, 2006, p. 528).

Segundo Vieira (2009) alguns acessos apresentam fenótipos bioquímicos diferenciados contendo açucares livres nas raízes tuberosas, conhecidos popularmente como mandiocas açucaradas (“sugary cassava”) ou mandiocabas, e que evidenciam um potencial industrial para a fabricação de diversos produtos, tais como: xarope de glicose natural; bebidas fermentadas; picles de mandioca colorida, tucupi em pó; suplemento alimentar (cápsulas de antioxidante, suplementos vitamínicos e outros); álcool para a indústria de cosméticos; amidos específicos para a indústria siderúrgica; e álcool combustível, entre outras utilidades, sendo que para a produção de etanol a mandiocaba apresenta rendimento por hectare superior ao da cana-de-açúcar (CARVALHO, CABRAL & CAMPOS, 2000; CARVALHO et. al. 2004; CARVALHO, 2008).

A raiz da mandiocaba apresenta baixo teor de amido quando comparada com a mandioca, contudo elevado teor de açúcares, como glicose e sacarose, que pode ser até 100 vezes superior ao encontrado em mandiocas comuns (CARVALHO et al., 2004). Segundo Souza (2010), a mandiocaba apresenta também alta umidade o que favorece o desenvolvimento de microorganismos como bolores e leveduras. Esta característica dificulta a comercialização “in natura” da mandiocaba, pois torna necessária a manutenção da mesma sob refrigeração, durante a estocagem (MAFFRA; OLIVEIRA, 2008).

Segundo Galera (2008) as mandiocas-doces ou mandiocabas, têm uma distribuição geográfica restrita, concentrando-se na região de Floresta Amazônica (Estado do Pará, norte do Mato Grosso e noroeste do Maranhão), o que explica o fato dessas variedades serem tão pouco estudadas em seus contextos locais.

A pesquisa: materiais e métodos

Utilizando-se de uma abordagem qualitativa, este trabalho representa uma incursão por um vasto repertório composto pelos conhecimentos tradicionais locais levando assim a uma dimensão mais ampla das discussões no nível da subjetividade, abrangendo questões como valores, crenças, representações e hábitos (MINAYO & SANCHES, 1993). Os métodos empreendidos nesta pesquisa foram as visitas de campo (YIN, 2005), a observação participante (MALINOWSKY, 1979) e a entrevista não diretiva (MICHELAT, 1987). Foram realizadas diversas viagens de campo pela comunidade, entre os meses de março a maio de 2016, a fim de obter cada vez mais informações acerca do universo que abrange a mandiocaba na área. As conversas foram fundamentais para mergulhar nesse universo de sabedoria tradicional, bem como as práticas de identificar e coletar a mandiocaba na roça, seu preparo culinário e, finalmente, a etapa de degustação juntamente com a comunidade.

Resultados e discussões

A mandiocaba no contexto da Vila Braba

O plantio da mandiocaba é realizado na mesma roça onde se cultiva a mandioca. No entanto, há diferenças no plantio. A mandioca é plantada em mutirão, no que chamam de “convidado”, e a mandiocaba é plantada pela família dona do roçado, pois como sua colheita será realizada pela família, devem saber exatamente a direção onde foi plantada.

Embora sejam plantadas ao mesmo tempo, a maturação da mandiocaba acontece em apenas 06 meses, enquanto a mandioca leva em torno de 01 ano. Isso influencia diretamente a colheita, pois a mandiocaba, por ser altamente aquosa, apodrece rapidamente na terra.  Desse modo, é plantada em janeiro, e colhida entre os meses de junho a dezembro, no máximo.

Assim, a mandiocaba acaba sendo colhida junto com a mandioca da safra anterior. Antigamente, a colheita da mandioca era feita em paneiros de costa, e a mandiocaba sempre era trazida na última “paneirada”, no anoitecer, o que fez com que se tornasse costume o seu preparo à noite, na fogueira acompanhada de muita conversa, pois a comunidade não possui energia elétrica. Comumente ouve-se a frase: “nunca vi beiju e mandiocaba serem feitos de dia” evidenciando esse costume. Atualmente, com a mecanização de alguns processos, como a utilização do trator para buscar a mandioca na roça, a mandiocaba acaba vindo junto, porém continua a ser a última a ser processada, no final da tarde.

O beneficiamento da mandiocaba ou o seu “preparo” não é exclusivo das mulheres, pelo contrário, é um preparo coletivo, envolvendo muitas pessoas: enquanto uma ou duas lavam, outra joga na “tábua”, outra rala, outra “puxa” a massa debaixo do “catitu” e outra pessoa fica cuidando da panela que apara o líquido, com um pano para coar.

Para começar a ralação ou ralagem da mandiocaba, é preciso lavar bem a tábua, para tirar todo o resto de massa de mandioca que foi ralada, para que não se misturem os sabores. Nesse momento, ocorrem conversas descontraídas no convite ao preparo da mandiocaba, pois logo se pergunta: “Quem vai lavar a tábua?”, com muitas risadas após a indicação de alguém.

Após ser ralada ou já no decorrer desse processo, de acordo com o número de pessoas que participam no momento, é feita a espremagem, onde a massa é comprimida em um pano, para extração de todo o líquido presente. Finda essa etapa, é necessário dar um tempo de descanso de aproximadamente uma hora, para que a pouca tapioca que existe na mandiocaba desça para o fundo da panela, pois se não o fizer essa goma irá engrossar o caldo, estragando o mingau de mandiocaba.

Nesse intervalo necessário para a separação da tapioca do líquido, é o momento de preparar o fogo, no terreiro, com buraco cavado para colocar a panela grande. Quando a panela é de “alça”, então se deve preparar a forquilha (galho de arvore com interseção em “V”) onde se colocará a panela.

Preparado o fogo, coloca-se o caldo, mexendo sempre até que atinja o ponto de fervura, pois sem isso os resquícios de tapioca podem grudar no fundo da panela e queimar, alterando e estragando o sabor do caldo. Quando o caldo estiver reduzido pela metade, é o momento de acrescentar arroz na medida certa para que não fique com uma espessura muito grossa.

Segundo os habitantes da Vila Braba, a bebida fica mais saborosa com o uso do “arroz pilado”, ou seja, o arroz produzido na própria comunidade, com uso do pilão para descascar. Quando se usa o arroz comprado no mercado, não pode ser “parbolizado”, mas arroz branco. O caldo forte da mandiocaba faz com que o arroz fique bem cozido, mole e soltinho.

A mandiocaba é a bebida para partilha, para degustar enquanto se conversa e para saborear. Assim como o preparo, o consumo também é coletivo, e não pode ser armazenada por muito tempo depois de pronta. Quando o mingau de mandiocaba começa a chegar ao ponto ideal, inicia-se o momento de fazer a “prova”, onde os mais ágeis chegam com suas vasilhas para provar se já está boa. Depois de confirmado, começam a servir-se pouco a pouco e beber ainda quente. À medida que o caldo vai esfriando, o sabor especial e adocicado torna-se mais apurado. Desta forma, a mandiocaba amanhecida, bem fria, é a mais saborosa.

O preparo deve ser consumido em até, no máximo, 24 horas, pois se demorar acaba azedando – inicia o processo de fermentação e fica com espessura lisa. Para que isso não aconteça, existe a norma que não se coloque a “colher babada”, ou seja, não pode levar a colher à boca e depois colocar de volta na panela. Quando acontece, a pessoa que faz é reprimida por todos.

Tradicionalmente, na Vila Braba, os mingaus salgados são os de arroz com açaí, de bacaba e de farinha de mandioca para beber acompanhado de Mari, Uxi, Castanha do Pará ou Inajá. Os doces, mas que levam açúcar, são os de milho, arroz ou farinha de mandioca fina, que chama de cuí.  A mandiocaba diferencia-se pelo sabor naturalmente adocicado e talvez seja esse o motivo pelo qual esta bebida seja consumida somente por puro deleite, sem maiores representações ou crenças envolvidas.

Durante a pesquisa na comunidade, não encontramos recordações ou registros do inicio desse uso e consumo para a mandiocaba. Os mais velhos afirmam que desde crianças se recordam deste consumo, sendo então uma prática tradicional imemorial da comunidade da Vila Braba. Também não se tem conhecimento de comercialização da raiz da mandiocaba na região e as famílias circunvizinhas costumam trocar entre si as raízes do cultivar. Recentemente, tem sido comercializada a bebida em algumas festas de padroeiro, justamente pela participação dos parentes que moram em outros lugares, para fins de arrecadar fundos para a construção de igrejas ou salões das comunidades cristãs.

Diferente de outros alimentos de populações tradicionais, como o açaí ou a farinha de mandioca, a mandiocaba – quer seja a raiz ou a bebida – não é encontrada em feiras ou outros locais de comércio. Isso aumenta a saudade daqueles que de lá saíram e recordam o seu sabor, e, principalmente, os momentos de conversas e partilhas, alimentadas pelo doce desta bebida, que significa muito mais que alimento para o corpo, mas também às memórias e relações dos que à Vila Braba pertencem.

Discussão

Falar de comunidades tradicionais na Amazônia é falar de uma forma especial de reprodutibilidade física e cultural. Trata-se de um universo onde as relações e as percepções acerca da natureza e seus elementos se mesclam e constroem a cada dia saberes e sabores que se manifestam de diversas formas, adquirindo dimensões simbólicas cruciais na manutenção dessas populações. Essas experiências vivenciadas no cotidiano são celebradas, memorizadas e repassadas de uma geração à outra principalmente através da oralidade. Esses conhecimentos ao longo dos anos vêm se aprimorando, se adequando de acordo com objetivos dos grupos e com as transformações do universo socioprodutivo.

Os conhecimentos que se constroem das relações nos seios das comunidades tradicionais amazônicas são diversos e se manifestam em formas de mitos, lendas, histórias, causos, rezas, medicinas, magias, religiosidade, técnicas de construções, artefatos de caça, de pesca e principalmente nos aspectos agrícolas. O universo agrícola concentra uma gama de conhecimentos que abarcam as técnicas de cultivo, manejo de espécies, manejo de solo, manejo dos recursos hídricos e em especial os saberes acerca das sementes, hastes e rizomas crioulos: materiais genéticos que são guardados ou armazenados após cada ciclo produtivo. Esses, geralmente, são trocados entres os produtores de diferentes localidades e agroecossistemas o que contribui com a manutenção da variabilidade genética e consequentemente da segurança e soberania alimentares dessas comunidades.

As sementes e os cultivos crioulos são cruciais no processo de autonomia dos produtores camponeses, pois sem a organização cooperacional, no sentido de guardar e manter as variedades genéticas dos cultivares, os “pequenos” agricultores tornam- se altamente dependentes das indústrias produtoras de sementes e outros insumos sintéticos.

Neste sentido, entende- se que há a necessidade de se cumprir de fato as leis que tem como objetivo proteger e assegurar a essas populações o direito de uso de seus territórios e sua biodiversidade como sempre fizeram ao longo de gerações. Investidas do capital sobre o saber tradicional põe em risco a vida material desses povos, principalmente a perda da memória biocultural crucial para perpetuação do conjunto cultural diverso e complexo dos povos e comunidades tradicionais.

Os avanços tecnológicos pautados no modelo de desenvolvimento dos países do “primeiro mundo” tem posto em risco as diversas formas de vida e as culturas de muitas dessas populações na Amazônia, contudo algumas comunidades têm resistido a essas investidas capitalistas e mantém viva a chama de suas existências.

Do ponto de vista da etnoconservação, segundo Souza (2010), existem diversos bancos de germoplasma de cultivares de mandioca como o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) da Colômbia que possui aproximadamente 4700 acessos (variedades) e o Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas/BA, com cerca de 1700 variedades.

No entanto, apesar de importantes do ponto de vista de pesquisa e preservação da biodiversidade, esses empreendimentos são duramente questionados por Toledo & Barreira-Bassols (2015) por artificializarem a biodiversidade, preservando-a isoladamente de amplos fatores socioculturais inerentes à sua existência e evolução, nitidamente observados durante a realização desta pesquisa juntamente com os agricultores da Vila Braba. Devemos considerar que a preservação dos recursos genéticos está intimamente ligada à cultura, às preferências alimentares e à tecnologia utilizada pelos povos e comunidades tradicionais e isso deve ser levado em consideração (GALERA, 2008).

Conclusões

Concluímos que alguns cultivos tradicionais, como a mandiocaba se desenvolveram e se propagaram devido a uma intrínseca relação com o meio sociocultural em que estão inseridos e que esta peculiaridade alimentar da Comunidade da Vila Braba representa um forte traço cultural estabelecendo fronteiras étnicas e reafirmando as representações sociais existentes (TEMPASS, 2012).

Há, portanto, a necessidade de maiores esforços em compreender e estudar as relações entre as comunidades tradicionais, como é o caso da Vila Braba, e o ambiente em que estão inseridas para que possamos pensar em modelos de conservação da biodiversidade in-situ, valorizando os saberes tradicionais e fortalecendo a resiliência desses povos frente aos avanços do capital e da predação do ambiente nas áreas naturais do planeta.

Há que se valorizar a história cultural de cada grupo humano considerando a sociobiodiversidade como um elemento uno e fundamental para a manutenção sustentável das relações entre o homem e a natureza, visando um futuro justo, equânime e equilibrado para as futuras gerações.

 

Fonte: JACINTO, Felipe de Oliveira; GONÇALVES, Arleth de Jesus Fiel; GAMA, Marcelo da Silva. A Mandiocaba na Vila Braba: Memória Biocultural e Conhecimento Tradicional. In: AGROECOL 2016 – Agroecologia e soberania alimentar: saberes em busca do bem viver, 2016, Dourados/MS. Anais do AGROECOL 2016, 2016. v. 1.

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Etnobiólogo.

Especialista em Antropologia e História dos Povos Indígenas pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Mestre em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Pará.

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