A horrível verdade de ser um ser um professor negro nos Estados Unidos da América

Ler o ódio racista branco pode ser traumático. Ouvir o ódio racista branco intensifica o impacto. Ouve-se a inflexão da voz, seu volume, seu nervosismo e ódio, seu terror.

Professor negro
Professor negro

DescargarGeorge Yancy1Nota de Tradução: Este material é uma tradução para o português do original em inglês publicado no site “The Chronicle of Higher Education”, em 2018 e intitulado “The ugly truth of being a black professor in America”. O texto original está disponível e acessível online: http://www.chronicle.com/article/The-Ugly-Truth-of-Being-a/243234/. A tradução contou com a autorização e consulta prévia junto ao autor..
Universidade Emory.
george.d.yancy@emory.edu

 

«Caro professor preto2N. T.: Refletiu-se durante alguns meses sobre traduzir ou não o termo nigger para uma versão aportuguesada. Distante de quaisquer tentativas de equivalências, traduções em fuga da literalidade ou mesmo valorização da língua mátria, optou-se pela utilização do termo preto sendo este justificado pelo longo período em que o termo foi distinguido como estatuto máximo de ofensa contra populações negras no atual território do Brasil. Neste sentido, o termo black acaba sendo traduzido como negro. A conotação de ofensividade na relação black-nigger que é observável em outros contextos é praticamente inversa nas suas equivalentes traduções literais preto-negro brasileiras. Optou-se pela pluralização do termo quando se identificou pertinente. Vários outros termos no decorrer do texto também foram intencionalmente pluralizados..» Este era o começo de uma mensagem que me foi enviada. E não há nada para ser valorizado aqui, apesar da saudação. Anos atrás, Malcolm X perguntou: «Como é que um branco chama um negro com um diploma de doutorado?» Ele respondeu: «Um preto com um doutorado

A mensagem veio em resposta para um op-ed que eu publiquei no jornal New York Times em dezembro de 2015.3N.T.: O termo op-ed é uma abreviação do inglês «opposite editorial page«, que significa literalmente «oposição à página editorial». Não possui tradução para o português. Frequentemente é um texto que é incluído na página localizada horizontalmente oposta ao artigo editorial e é escrito por alguém que não trabalha para o jornal. Pode ser um texto crítico ou contrário ao editorial. O artigo op-ed em específico poderia ser traduzido como «Cara América Branca», e pode ser consultado (em inglês) no seguinte endereço: http://opinionator.blogs.nytimes.com/2015/12/24/dear-white-america/. Eu investi bastante tempo ao longo daquele ano conduzindo uma série de entrevistas com filósofos para falar sobre raça.4N.T.: As entrevistas incluem os seguintes nomes: Naomi Zack, Charles Mills, Shannon Sullivan, Joy James, Judith Butler, Linda Martín Alcoff, Falguni A. Sheth, Noam Chomsky, Emily S. Lee, Kwame Anthony Appiah, Molefi Kete Asante, Peter Singer, John D. Caputo, Joe Feagin, Cornel West, Paul Gilroy, David Haekwon Kim, Seyla Benhabib e  bell hooks. As entrevistas estão disponíveis online e podem ser consultadas (em inglês) no seguinte endereço: http://opinionator.blogs.nytimes.com/tag/philosophers-on-race/. A minha intenção era segurar um espelho desagradável em frente aos leitores brancos pelo maior tempo possível, provocando a necessidade de uma encarada aos fatos sem fugir. O meu artigo, «Cara América Branca», tomou a forma de uma carta perguntando aos leitores para aceitarem a verdade do que significa ser branco em uma sociedade criada por gente branca. Eu perguntei eles sobre a manutenção dos modos em que eles perpetuavam uma sociedade racista, os modos em que eles são racistas. Em troca, eu perguntei por compreensão e até amor – amor no sentido do que James Baldwin usou o termo: «O amor tira as máscaras que nós tememos não poder viver sem e que nós sabemos que não podemos viver com elas.»

Ao invés disso, eu recebi centenas de e-mails, SMS e cartas, e a imensa maioria destas completamente carregadas com conteúdos racistas. A minha universidade fez disso algo importante e necessário, garantindo – pelos seus administradores – que a minha liberdade acadêmica estava garantida. No entanto, a minha situação não foi fácil. A polícia do campus universitário tinha que monitorar meu escritório. As instruções do departamento eram claras: ninguém deveria fornecer para nenhum estranho o meu horário de expediente. Eu precisava da presença da polícia em minhas palestras convidadas em outras universidades. Tudo parecia surreal – e perigoso.

O ódio racista é algo mais ou menos assim:

Outro Preto arrogante. Chamar um Preto de professor é como chamar a cor branca por negra e o úmido de seco.

Mesmo o preto mais sofisticado voltará ao comportamento de coelho selvagem quando excitado.

Você pode vestir um Preto de terno e gravata e eles ainda serão Pretos.

Essa crença de que Pretos tem alguma razão é um pseudo-intelectualismo gritante.

Para esses escritores, «um professor preto» é um oximoro. Um preto é um preto, incapaz de raciocinar. Kant, Hegel e Jefferson fizeram cada um deles alegações semelhantes sobre os negros serem pessoas privadas da racionalidade. Talvez eu esteja apenas repetindo (como Hume disse sobre os negros) o que eu já ouvi. Eu sou apenas um preto que ousou raciocinar, apenas para descobrir que a razão é branca.

A proposta de ser um negro intelectual é uma piada pronta.

Talvez essa pessoa tivesse conversado com a mulher que deixou o seguinte na minha secretária eletrônica da universidade:

Caro professor, eu sou um cidadão americano branco. Você é que está sendo racista contra os brancos, evidentemente. Um professor – eu aposto que você conseguiu [o seu diploma de doutor] por correspondência.

Em um site racista branco, um escritor aparentemente descobriu a minha jogada:

Este macaco é um filósofo da mesma forma que Martin King era um doutor e da mesma forma que Jesse Jackson e Al Sharpton são «Reverendos»: Apenas outro preto cuzão sambando numa nova forma de ser um cafetão.5N.T.: No texto original é utilizado o termo coon (derivado do inglês racoon: guaxinim). É uma forma muito ofensiva de se referir a um negro nos Estados Unidos. Optou-se por macaco apenas para ilustrar o teor racista e comparativo. No texto original são usados ainda jive assed nigger, que remete para um tipo específico de Jazz e uma derivação da palavra bunda (ass), que se torna adjetivo (assed). Esta expressão foi traduzida como «preto cuzão sambando». Em todos os casos não há traduções contextualizadas possíveis.

Alguns dos meus estudantes não-brancos6N.T.: O autor utiliza o termo estudantes de cor. Que possivelmente inclui estudantes latinos, árabes e talvez indígenas, além de obviamente, negros. Optou-se por usar «estudantes não-brancos». me perguntaram: «Por que falar de raça com pessoas brancas quando no final do dia tudo permanece o mesmo – isto é, o racismo deles continua?» «Por que ensinar cursos sobre raça e branqueamento?» «Você realmente acha que esses cursos farão alguma diferença?» Eu acho essas perguntas assustadoras; eles irritam a minha consciência.

De fato, há momentos em que eu me pergunto: «Por que eu faço isso?» Afinal, eu não escrevo sobre branquitude porque é uma nova moda na filosofia. E eu certamente não sou masoquista. Não há prazer em ser objeto de ódio. Eu tenho certeza de que alguns dos meus colegas negros e colegas não-brancos7N.T.: Ver nota anterior. acham que perdi minha sanidade mental. Talvez eles pensem que eu pedi tudo isso e que se eu tivesse permanecido em silêncio, eu estaria bem. A realidade, claro, é que eles também são vistos como negros. O silêncio não ajuda em nada.

Em 2015, eu fui convidado para ser palestrante em uma respeitadíssima conferência de filosofia. Eu estava animado. Afinal, eu estava lá para entregar minha fala na companhia de personalidades filosóficas afins, aqueles que sabiam algo sobre feminismo, deficiência, estética e raça. Havia um outro filósofo negro na equipe de apoio, embora ele fosse mais velho, mais alto, mais pesado e muito grisalho. Todos os outros participantes eram brancos

No dia seguinte à minha palestra, o outro filósofo negro contou-me que vários participantes, sem nenhuma hesitação aparente, o elogiaram em minha palestra: «Essa foi uma palestra muito importante que você deu ontem». «Uau, ótima conversa!» «Inspirador.» Nada menos que sete cumprimentos de congratulação foram feitos para ele.

Se houvesse sido apenas um ou dois, talvez pudesse ser uma questão a ser ignorada. Mas sete vezes? Essa foi a manifestação de um modo de ser totalmente familiar para os brancos – um hábito de percepção que vê os negros como se fossem todos iguais, através de uma imagem fixa. Isso foi racismo branco. Meu colega, o filósofo negro que não tinha dado a palestra, de algum modo «se tornou» eu, e eu, me tornei ele.

Naquele sofisticado e filosoficamente progressivo espaço branco, eu podia ouvir um eco estranho e profundamente irritante da criancinha branca que Frantz Fanon encontrou em um trem: «Olhe, um negro!»8N.T.: Remete para o livro «Pele Negra, Máscaras Brancas» de Frantz Fanon. Havia uma sensação familiar de estar fixo, estático. Nós dois nos tornamos um homem negro; qualquer homem negro; cada homem negro. Nós fomos achatados, tornados unidimensionais, indistintos e multiplicáveis.

Hey pequeno Georgie. Você é um maldito racista, seu idiota. Você não teria um emprego se não fosse por uma ação afirmativa. Alguém precisa colocar uma bota na sua bunda e tirar a porra da sua cabeça dos seus ombros, seu maldito filho da puta racista. Seu vitimista filho da puta. Cara, vocês estão apenas pedindo para terem as suas bundas chutadas. Você precisa do seu rabo sendo chutado. Seu filho da puta idiota. Pare com o vitimismo, idiota.9N.T.: A expressão «race baiting» foi traduzida como vitimismo visando alguma compreensão mínima.

É provavelmente verdade que eu não teria o meu emprego se não fosse pelas ações afirmativas. Muitas mulheres brancas também não teriam empregos! E, claro, os homens brancos se beneficiaram da supremacia branca por anos. Mas a ação afirmativa não é supremacia branca em sentido inverso; não é anti-branco, mas pró-justiça. Foi criada para que, com meu diploma de doutorado, que eu ganhei com distinção, eu realmente pudesse ensinar em uma universidade. A ação afirmativa, no caso dos negros, é uma resposta às desvantagens racistas sistêmicas. É importante ter essa história correta – não distorcida.

Senti-me particularmente enojado com as cartas – eram muitas – enviadas para mim por correio normal, manuscritas e assinadas. Estes são ainda mais preocupantes do que os e-mails, dado o nível de envolvimento investido (escrita, impressão, estampagem, envio de correspondência). A abertura de uma dessas cartas dizia: «Eu sou racista? Como você se atreve a me chamar assim? Você é racista e, ei, já que os negros chamam um ao outro de «preto», eu estou tomando a liberdade de fazer o mesmo. Ou a palavra é ofensiva e tabu ou não é.»

Eu não estou considerando isso. Certa vez, eu tive dois estudantes brancos do sexo masculino tentando argumentar que eles deveriam poder usar a palavra preto10N.T.: Há uma distinção entre nigga e nigger que o autor levanta neste parágrafo. Nigger constitui um termo ofensivo usado por não-negros contra negros. Nigga, constitui um termo de uso estritamente reservado entre negros para se referirem entre si. Os estudantes brancos em questão faziam questão de usar o termo Nigger. São conhecidos os casos de brancos que usam, ou advogam pelo uso, do termo Nigga. Não é disto que o autor está falando. É algo mais grave. sempre que quisessem, e que seria discriminatório dizer que eles não podem. Qualquer resposta pareceria muito generosa. Já ouvi muitas vezes pessoas brancas expressarem a sensação de serem deixadas de fora dos espaços negros, que são necessárias para a sanidade negra precisamente por causa do racismo branco.

É como se os brancos fossem movidos por um desejo colonial de possuir tudo. Du Bois perguntou: «Mas o que na terra é a branquitude que se deve desejar?» Ele respondeu: «Branquitude é a propriedade da terra para todo o sempre, amém!» Esses dois estudantes brancos falavam com arrogância e com o desejo de total propriedade branca. Não foi tanto por serem privados de conhecimento histórico, mas sim que esse conhecimento não significava nada quando se tratava de seu sentimento de perda de poder.11N.T.: Remete para o ensaio «As almas do povo negro», também disponível como «As almas da gente preta».

Ler o ódio racista branco pode ser traumático. Ouvir o ódio racista branco intensifica o impacto. Ouve-se a inflexão da voz, seu volume, seu nervosismo e ódio, seu terror. Registrei as feridas fisiologicamente. Mudanças de humor. Irritabilidade. Trepidação. Nojo. Raiva. Náusea. Palavras fazem coisas. Eles carregam os vestígios dos contextos sangrentos e brutais que lhes deram origem. Pode-se pensar que ser chamado de preto tantas vezes pode diminuir seu impacto. Não faz.

«Todas as pessoas negras nos Estados Unidos, independentemente de seu status de classe ou política», de acordo com bell hooks, «vivem com a possibilidade de serem aterrorizadas pela branquitude». As muitas respostas dos brancos à «Querida América Branca» foram apenas isso – o terror branco do século XXI. Esse terror pode vir de várias formas. Talvez um homem negro grite «eu não posso respirar!» 11 vezes, mas ninguém se importa (Eric Garner). Ou talvez, depois de ter sido baleado por «acidente», ele reúna força suficiente para dizer em voz alta que está perdendo o fôlego (Eric Harris), apenas para ouvir um policial branco responder: «Foda-se a respiração!» Talvez sua espinha seja cortada (Freddie Gray). Talvez ele seja um adolescente e seja baleado 16 vezes (Laquan McDonald). Pegar uma carteira pode levar a um tiro 41 vezes e acertar com 19 balas (Amadou Diallo). Talvez uma inocente criança negra de 7 anos de idade (Aiyana Stanley-Jones) seja morta pela polícia durante um ataque. Assim como foi verdade para Emmett Till, 63 anos atrás, não há lugar que se possa chamar de segurança nos Estados Unidos para corpos negros.

Ao recontar, em linguagem explícita, a reação negativa que encontrei depois de escrever «Querida América Branca», esses modos violentos e desumanos de abordagem racista, corro o risco de me tornar re-traumatizado. A recontagem é imperativa, no entanto. Por muito tempo, eu tive alunos negros me dizendo que eles se sentem inseguros em PWIs (instituições predominantemente brancas). Eu devo acreditar neles. E embora não podem não ter sido chamados de pretos descaradamente, esses espaços brancos os colocam como inconsequentes, rejeitam a sua negritude por meio de preocupações superficiais de «diversidade» e tomam suas queixas como exemplos de problemas individuais de ajustamento institucional. Insisto em testemunhar a dor e o sofrimento negros nas PWIs porque os rejeitadores estão por aí. Nós ouvimos que o que nós sabemos sobre os nossos próprios corpos na verdade não é credível. Este é um tipo diferente de violência, o tipo epistêmico.

Em 11 de novembro de 2017, eu recebi uma carta na caixa de correio da minha universidade. Foi manuscrita em ambos os lados em tinta preta em uma folha de papel rasgada de um bloco de anotações amarelo. Não havia endereço de retorno. Toda vez que eu toquei, como devo fazer agora para transcrever palavra por palavra, eu lavo as minhas mãos depois.

Caro Sr. Yancy, eu estou escrevendo para você para expressar meu descontentamento com o que você disse sobre os BRANCOS. Você afirma que todos os brancos são racistas! Realmente agora? Você, senhor é um para falar!! Você soa como os seguintes racistas. Aqui está uma lista de quem eu quero dizer. Eles são Al Sharpton, Oprah Winfrey, Whoopi Goldberg, Spike Lee, Samuel L. Jackson, Bill Cosby, Danny Glover, Harry Belafonte, diretor de cinema John Singleton, Shannon Sharpe, Scottie Pippen (ex-jogador da NBA), Rappers Ice Cube, Chuck D., Flavour Flav, DMX e Snoop Dogg; ex-jogadores da MLB Carl Everett, Ray Durham e Hall of Fame Hank Aaron! Quando eu li o que você disse sobre as pessoas brancas, eu era como esse cara é: um pedaço de merda racista totalmente sem vida! É tão verdade! Você é um idiota! Você merece ser punido com vários punhos na sua cara! Você não é nada além de um encrenqueiro! Você precisa realmente «Arrumar uma vida para viver!» Já tive o suficiente da sua conversa racista! É melhor você ver o que diz e a quem diz isso! Você pode acabar no hospital com várias lesões ou talvez em uma laje fria no necrotério local! Eu não ficaria surpreso se você tiver recebido várias ameaças de morte! Você está invocando os problemas quando você acusa toda a raça branca de ser racista! Você tem uma boca grande que precisa ser fechada permanentemente! Eu não vou te dar a oportunidade de descobrir quem eu sou. Boa sorte com isso! A propósito, esta carta que estou lhe enviando certamente não é uma Ameaça de Morte! Eu poderia ter feito isso, mas não sou eu! Estou cansado do seu tipo racista!

Por favor, concentre nestas palavras. Minha vida acaba de ser ameaçada. O escritor desmente sua intenção, negando que a carta seja uma ameaça de morte.

O escritor comunica algo bastante revelador, no entanto. Eles implicam que eles podem ser alguém que eu vejo todos os dias, alguém que eu caminho ao lado, cumprimento ou até ensino. Todos os sorrisos, o contato visual e os espaços sociais de interação – e, no entanto, lá estou eu, apenas um «preto» para você.

Depois de receber a carta, eu decidi compartilhá-la no meu seminário de estudos pós-graduados em filosofia. Nós estávamos discutindo raça e incorporação. Acho que queria que meus alunos ajudassem a carregar um pouco do que eu estava sentindo. Eu li em voz alta. Eu não havia antecipado minha reação emocional. Quando terminei, meus olhos lacrimejaram, meu corpo ficou empolado, senti uma onda de raiva indescritível. «Eu não aguento mais essa merda», eu disse. «Eu preciso de alguns minutos fora da aula.» O silêncio invadiu a sala de aula. Olhando para trás, gostaria de ter dito: «Foda-se tudo! Não vale a pena. Os brancos nunca vão valorizar a minha humanidade. Então, vamos terminar esta aula sobre isso.»

Em vez disso, eu voltei para a sala, onde todos ainda estavam em silêncio. Os rostos dos meus alunos, na maior parte, estavam cabisbaixos. Eu sei o que eles sentiram, estudantes negros, estudantes não-brancos e estudantes brancos. Eles testemunharam minha vulnerabilidade, meu sofrimento. E eles viram o impacto que o racismo poderia ter dentro de um espaço acadêmico que outrora era seguro. Alguns momentos se passaram, eu pedi desculpas e retomei o ensino. Mas a sala de aula não era a mesma. Nós tínhamos testemunhado algo juntos. Esse espaço nunca mais será o mesmo.

George Yancy é professor de filosofia na Universidade Emory. Ele é o autor do livro Backlash: What Happens When We Talk Honestly About Racism in America  (sem tradução ainda, mas pode ser traduzido como: Repercutindo: O que acontece quando falamos honestamente sobre o racismo na América). Esta coluna é uma adaptação de trechos do livro.

Nós gostaríamos de ouvir de vocês: Como o racismo é manifestado no ensino superior? Você pode preencher o formulário abaixo.12N.T.: O autor ao término do artigo abriu um formulário para ouvir opiniões. O formulário (em inglês) está disponível em: https://chronicle.com/article/Tell-Us-About-Your-Experience/243261/.

Notas   [ + ]

1.Nota de Tradução: Este material é uma tradução para o português do original em inglês publicado no site “The Chronicle of Higher Education”, em 2018 e intitulado “The ugly truth of being a black professor in America”. O texto original está disponível e acessível online: http://www.chronicle.com/article/The-Ugly-Truth-of-Being-a/243234/. A tradução contou com a autorização e consulta prévia junto ao autor.
2.N. T.: Refletiu-se durante alguns meses sobre traduzir ou não o termo nigger para uma versão aportuguesada. Distante de quaisquer tentativas de equivalências, traduções em fuga da literalidade ou mesmo valorização da língua mátria, optou-se pela utilização do termo preto sendo este justificado pelo longo período em que o termo foi distinguido como estatuto máximo de ofensa contra populações negras no atual território do Brasil. Neste sentido, o termo black acaba sendo traduzido como negro. A conotação de ofensividade na relação black-nigger que é observável em outros contextos é praticamente inversa nas suas equivalentes traduções literais preto-negro brasileiras. Optou-se pela pluralização do termo quando se identificou pertinente. Vários outros termos no decorrer do texto também foram intencionalmente pluralizados.
3.N.T.: O termo op-ed é uma abreviação do inglês «opposite editorial page«, que significa literalmente «oposição à página editorial». Não possui tradução para o português. Frequentemente é um texto que é incluído na página localizada horizontalmente oposta ao artigo editorial e é escrito por alguém que não trabalha para o jornal. Pode ser um texto crítico ou contrário ao editorial. O artigo op-ed em específico poderia ser traduzido como «Cara América Branca», e pode ser consultado (em inglês) no seguinte endereço: http://opinionator.blogs.nytimes.com/2015/12/24/dear-white-america/.
4.N.T.: As entrevistas incluem os seguintes nomes: Naomi Zack, Charles Mills, Shannon Sullivan, Joy James, Judith Butler, Linda Martín Alcoff, Falguni A. Sheth, Noam Chomsky, Emily S. Lee, Kwame Anthony Appiah, Molefi Kete Asante, Peter Singer, John D. Caputo, Joe Feagin, Cornel West, Paul Gilroy, David Haekwon Kim, Seyla Benhabib e  bell hooks. As entrevistas estão disponíveis online e podem ser consultadas (em inglês) no seguinte endereço: http://opinionator.blogs.nytimes.com/tag/philosophers-on-race/.
5.N.T.: No texto original é utilizado o termo coon (derivado do inglês racoon: guaxinim). É uma forma muito ofensiva de se referir a um negro nos Estados Unidos. Optou-se por macaco apenas para ilustrar o teor racista e comparativo. No texto original são usados ainda jive assed nigger, que remete para um tipo específico de Jazz e uma derivação da palavra bunda (ass), que se torna adjetivo (assed). Esta expressão foi traduzida como «preto cuzão sambando». Em todos os casos não há traduções contextualizadas possíveis.
6.N.T.: O autor utiliza o termo estudantes de cor. Que possivelmente inclui estudantes latinos, árabes e talvez indígenas, além de obviamente, negros. Optou-se por usar «estudantes não-brancos».
7.N.T.: Ver nota anterior.
8.N.T.: Remete para o livro «Pele Negra, Máscaras Brancas» de Frantz Fanon.
9.N.T.: A expressão «race baiting» foi traduzida como vitimismo visando alguma compreensão mínima.
10.N.T.: Há uma distinção entre nigga e nigger que o autor levanta neste parágrafo. Nigger constitui um termo ofensivo usado por não-negros contra negros. Nigga, constitui um termo de uso estritamente reservado entre negros para se referirem entre si. Os estudantes brancos em questão faziam questão de usar o termo Nigger. São conhecidos os casos de brancos que usam, ou advogam pelo uso, do termo Nigga. Não é disto que o autor está falando. É algo mais grave.
11.N.T.: Remete para o ensaio «As almas do povo negro», também disponível como «As almas da gente preta».
12.N.T.: O autor ao término do artigo abriu um formulário para ouvir opiniões. O formulário (em inglês) está disponível em: https://chronicle.com/article/Tell-Us-About-Your-Experience/243261/.

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