se olvidaron de que somos semilla…

“chapa, desde que você sumiu todo dia alguém pergunta de você…” acordar todo dia com essa sua ausência. ir dormir sonhando com sua presença. que faz falta, muita e tanta falta. no méxico, 43 estudantes (indígenas em sua maioria) estão desaparecidos desde setembro de 2014, no brasil, são inúmeros os episódios cotidianos de assassinato de jovens, em sua maioria, negros e moradores de bairros periféricos. quando teremos em nossos países um pouco mais de respeito pela vida humana? quando mais justiça? no final de 2014 as produtoras rip.mx e pedro y el lobo lançaram uma proposta: que artistas enviassem suas colaborações para um disco que seria lançado em apoio aos familiares dos estudantes de ayotzinapa. a resposta foi imediata. receberam …

¿Qué esperan los que esperan’?

Las reflexiones acerca del tiempo, y su uso, son patrimonio de todas las sociedades; la vida moderna impone la obsesión por el tiempo y la temporalidad y los requerimientos funcionales que recaen sobre ella. Ninguna la puede evadir y menos agotarla. La gran pregunta que tengo es: ¿Que esperan los que esperan? A la que podría agregarle: ¿Y qué esperan los que ya no esperan? Estas preguntas, que acometen a los filósofos, sociólogos y pensadores varios de café, pueden sonar como una anécdota para alguien que no tiene que esperar, en el sentido más práctico de la idea, dado que en verdad todos pasamos largas horas de nuestras vidas esperando. Esperamos por el transporte público, en las rutas viajando, en …

Dando corpo a uma história, a princípio, sem lugar

Comecemos este ensaio com quatro versos de um poema inacabado, dedicado ao Novo Mundo: Divina Poesía […] tiempo es que dejes ya la culta Europa y dirijas el vuelo adonde te abre el mundo de Colón su gran escena. (BELLO, 1979, p. 20) “Alocución a la poesía” é um fragmento do poema América, escrito por Andrés Bello (1781-1865). No conjunto, o poema expressa a abertura para um horizonte no qual o Novo Mundo começou a se descolar da Europa: a América, dada sua idade e circunstância, seria o lugar ideal para a construção de uma nova experiência que não florescera no Velho Mundo. Essa oposição entre dois mundos remonta ao período do Renascimento e é anterior às Navegações. Aliás, deu-se …

preparando la primavera

porque tentaram (vêm tentando ainda) encher nossos dias de gris, de cinza, de cinzas. porque tentaram (vêm tentando) secar as fontes de onde brota nossa energia. porque acham que poderão por decreto proibir a alegria de estarmos vivxs. nossa resposta vem com cantos-poemas-bailes que anunciam uma primavera. primavera que será – sabemos – muito mais que uma mudança de estação. porque hoje (e sempre) é dia de festa. fonte: http://latitudeslatinas.com/preparando-la-primavera/ preparando la primavera was last modified: diciembre 20th, 2017 by Latitudes Latinas

108: Memória, afeto e vazio

A morte e um roupeiro vazio, são os elementos que projetam o roteiro de Cuchillo de Palo de Renate Costa. A marca da ausência física, só não é maior que as respostas, e incógnitas que seu tio Rodolfo deixou. Para sobrinha, sobrou apenas o recontar, de maneira íntima, a história de mais uma vítima que a ditadura deixou na América Latina. Em sua narrativa, o documentário revive de dentro para fora a ditadura paraguaia.  É contando, ou melhor, reconstruindo a memória do tio homossexual que se percebe a dedicação que a repressão de Stroessner realizou nesse grupo. Um olhar para trás, remexendo no armário vazio da memória de vizinhos e familiares que possuem um vazio incógnito sobre acontecimentos e ações. …

Crônica

No bar, meu avô Dionisio e nós, os três irmãos.Eu sou a menor das gurias. A rua 28, em Uruguaiana, na Banda Oriental, hoje parte do Rio Grande, é mítica. Ali, eu passei a minha meninice. Morávamos então na casa do meu avô Dionísio. Ele tinha um bar, bem na esquina em frente ao bebedouro, e do lado do Instituto Rio-grandense do Arroz. No entroncamento das ruas passava o trilho do trem e nossa diversão era ver a Maria Fumaça passar, deixando aquele rastro de rolos brancos no céu, no barulho característico tlac-tlac-tlac. Meu vô era um italiano alto, forte e bom. E naqueles dias abrigava nossa família por conta dos reveses da falta de dinheiro. O bar, não só …