Voltando

Meu último post neste blog foi em 25 de julho. Eu me preparava para escrever mais um post para dar continuidade a discussão sobre produção acadêmica que foi iniciada previamente. No entanto em 19 de agosto eu tive a notícia do assassinato de meu pai. Nas semanas seguintes eu tive o meu passaporte, e o meu visto cancelados, sendo urgente a recuperação de ambos, pois logo em setembro eu ainda viajaria para Portugal para iniciar estudos em um doutoramento em antropologia. Devido a concentração de esforços em fornecer informações à polícia, resolver questões envolvendo um velório e um inventário, além de tentar emitir em menos de 30 dias um novo passaporte e um novo visto, acabei por atrasar não um, nem dois, mas três posts neste blog. Na semana que vem, se eu não fizesse nada eu teria atrasado um quarto post. Sem esforço eu penso que havia material suficiente para pelo menos cinco ou seis posts. Peço alguma compreensão.

Eu havia planejado um post sobre as olímpiadas, onde pretendia adiantar aspectos do que compreendo como a emanação de um estado evangélico no rio. Por um lado foi bom o atraso, vai me permitir falar sobre eventos mais recentes no respectivo. Está em banho-maria. Eu também pensei em algo sobre as eleições municipais em minha cidade. Este eu inclusive escrevi na altura¹, mas não queria enviar para a IberoAmerica Social sem recuperar o atraso dos posts anteriores pendentes, e muito também por saber que eu poderia atrasar logo mais novamente devido a outras demandas em curso.

E ao chegar em Portugal, nos primeiros dias, me pareceu pertinente falar sobre a situação dos taxis e ubers, ainda que não houvesse tempo disponível para escrever sobre isso. Haviam começado as minhas aulas, e a situação de financiamento estudantil no Brasil e das bolsas de investigação em Portugal, davam material para ainda outro texto. Este também vai esperar, devido ao novo atraso no resultado das bolsas da FCT. Enfim, os assuntos foram se acumulando, e as demandas que estavam me impedindo de escrever foram sendo resolvidas ou encaminhadas. E tudo isso sem mencionar as ocupações de escolas e universidades no Brasil ou das eleições que elegeram Donald Trump nos Estados Unidos. Que não sei se irei comentar por enquanto.

Os assassinos de meu pai foram identificados e presos no último mês. Meu irmão e minhas irmãs encaminharam as questões incidentes relacionados com a justiça e a polícia. O consulado português em São Paulo e a Polícia Federal de Santa Catarina foram impecáveis nos meus pedidos de novos documentos. Posso dizer o mesmo do Serviço de Emigração e Fronteiras de Portugal e da Universidade de Lisboa em território lusófono.

Atualmente mantenho apenas uma demanda envolvendo a antiga universidade onde estudei ainda em curso, mas devido aos atuais encaminhamentos a situação está prestes a se resolver. Estou nisso desde 27 de julho já tendo acionado diversos órgãos internos à universidade, e mais recentemente órgãos federais externos como o MPF/SC e a CGU/PR com diferentes e variados níveis de sucesso.

Neste sentido, é que eu penso que agora já posso dizer que estou voltando a normalidade. Agradeço a compreensão dos parceiros na IberoAmerica Social pela longa e inesperada ausência. Este post é mais um pedido de desculpas e formalização de esclarecimentos do que qualquer outra coisa.

Esperamos em breve ter novidades quanto à revista homônima.

¹ Foi publicado apenas no Facebook em círculos mais pessoais de contatos.

Fonte: Reflexões produzidas ao longo de quase quatro meses de maturação.

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