Turismo e desenvolvimento comunitário: notas de reflexão Qual o futuro para as aldeias e demais zonas rurais?

Turismo rural

Estive recentemente num congresso onde se discutiam as relações entre o turismo e a cultura e, se cheguei com muitas dúvidas e desejoso de aprender o significado dos conceitos propostos para discussão, parti com maior perplexidade. Eu, que tenho trabalhado regularmente em torno da cultura popular e na análise dos discursos de menorização das práticas populares e do povo enquanto massa produtora de significados, tenho me apercebido que se tem tentado tratar o povo como alegoria e apêndice amovível que se coloca ou retira de acordo com as circunstâncias: se o povo reivindica o aumento de salário e a melhoria das condições de vida, está a ser manipulado por interesses que não são os seus; se o povo se cala e canaliza nas suas acções os interesses comerciais, está a colaborar com o desenvolvimento. Daí que eu tenha regressado a casa com bastantes dúvidas sobre os efeitos do turismo e a sua implicação no desenvolvimento comunitário, pois não sei até que ponto os projectos turísticos o promovem com eficácia e validade. Considerando um conjunto de variáveis que se reportam à dinâmica demográfica do interior de Portugal, em quebra de população por via das migrações internas e internacionais, a dimensão do turismo tem sido eleita pelos mais diversos actores como eixo prioritário para o desenvolvimento de muitas regiões, em sintonia com a oferta de serviços em detrimento dos outros sectores de actividade económica. Sendo assim, qual o futuro para as aldeias e demais zonas rurais? Fazer parte de uma encenação de um passado que é ofertado aos turistas como «cultura» ou alimentar a interacção dinâmica entre produção económica e cultura, prática milenar que promove a identificação com os ritmos agrários, ela própria geradora de identificação?