A França e o golpe civil-militar de 1964 no Brasil: ditadura, repressão e exílio

Paulo Cesar Gomes  Doutorando em História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil) [email protected] Resumo: O golpe militar de 1964 não prejudicou as relações políticas franco-brasileiras. Contrariamente, a chegada de um novo grupo ao poder foi vista pelas autoridades francesas como um sinal de maior estabilidade na política brasileira. Para eles, tudo parecia apontar para uma melhoria das relações bilaterais. Embora a intervenção militar tenha sido vista, de início, com alguma desconfiança, logo após a eleição de Castelo Branco, o novo regime, que aparentemente teria uma curta duração, foi reconhecido pelo governo francês. Mesmo que as relações econômicas e comerciais franco-brasileiras não representassem uma área prioritária para nenhum...

Controle social no sistema coronelista brasileiro1 (1890-1930): “aos amigos se faz justiça, aos inimigos se aplica a lei2

Márcio Júlio da Silva Mattos [3] Departamento de Sociologia – Universidade de Brasília (UnB) [email protected] e [email protected] Resumo: Nesta comunicação, pretendemos discutir o controle social durante a Primeira República, a partir da análise do sistema coronelista brasileiro, informados pela ética da cordialidade na identidade nacional. Para tanto, apresentaremos características do sistema político, conforme descrito por Leal (1948), a partir de um quadro analítico construído por meio da noção de figuração de Elias (1993). Nesse sentido, destacamos a configuração do regime político, em que surgem como aspectos centrais a matriz econômica agrária, a decadência dos grandes proprietários de terras, a fragilidade do poder público e a mudança do regime político, por meio da...

negro noviembre

sim. novembro negro. assim como o resto do ano inteiro, vale lembrar. mas novembro marca data que é memória de zumbi, que é outro nome do resistir. como dandara, como negra zeferina. como quilombo. nesta edição, mais outras vozes negras destas latitudes. que chegam com cantos de benção, de saudação, cantos de alegria e de guerra, cantos que são memória de vozes, de saberes que precisam circular mais por nossos sentidos. Fonte:...

As escolas, os estudantes e a flor

Uma das táticas infalíveis do processo de produção de consenso é a repetição contínua e sistemática de mentiras. São tantas vezes ditas que viram verdades. Nelas, também é bastante comum as coisas trocarem de lugar. A vítima vira o vilão. É batata! Assim tem sido com os estudantes que ocupam escolas. De repente, aqueles garotos e garotas, que se aborreciam nas salas de aula, decidiram tomar o presente à unha. E diante de uma proposta que os governantes chamaram de “reestruturação” resolveram se levantar. A gurizada não é burra. Logo se deu conta que a reestruturação queria dizer destruição. Na época, o governo paulista, de Geraldo Alkmin (PSDB) decidiu fechar...

América Latina e a Operação Condor II

A Assembleia Nacional da Venezuela, aproveitando-se da ausência do presidente Nicolás Maduro, chamou uma sessão extraordinária em pleno domingo, e preparou um golpe parlamentar para derrubar o primeiro mandatário da nação. Indignados com a negativa do poder eleitoral em realizar um referendo revocatório do mandato, acusam o presidente de golpe e, para finalmente tirá-lo do caminho, acusam-no de quebrar as regras constitucionais. O fato é que a oposição não conseguiu recolher as assinaturas necessárias para a realização do referendo, apresentando uma documentação recheada de irregularidades e fraudes. Há dois anos que a oposição tenta derrubar Maduro pelo caminho da chantagem econômica, abrindo contra ele uma guerra, na qual escondem produtos...

Sobre o trabalho e a luta dos jornalistas em Santa Catarina

O sistema de produção que domina o mundo – capitalismo – não tem moral. E o que significa isso? Que aos que comandam o processo não importam as gentes. Os seres humanos são apenas números, dados, estatísticas. Máquinas de trabalho capazes de produzir valor. Única e exclusivamente. Pouco se dá aos capitalistas se alguém perdeu o emprego, se teve o braço cortado, se se matou por não ter como dar comida ao filho, ou se vai fenecer lentamente por não conseguir manter a vida. As poucas pessoas que dominam o mundo das mercadorias sabem que há milhões de outra pessoas de reserva, prontas para assumir o lugar de quem morre....