Hoje caiu um menino

Agora mesmo caiu um menino. Crivado de balas. Chutado, espancado, torturado. Caiu um menino, negro, pobre, “favelado”. Quando esse menino é filho de alguém famoso, como o da cantora Tati Quebra-Barraco, tem até direito a alguma divulgação. Mas, não se enganem. Ele ainda é culpabilizado por ser quem é. Se perigar, até a mãe é julgada. E assim segue a vida. Todo dia, a cada hora, cai um menino. Assassinado pelo estado, pelas gangues, por um desafeto. Morrer assim é cotidiano. E nos programas policiais essas mortes viram espetáculos grotescos, que somente servem para criar a pedagogia do medo. Os meninos e meninas são números, estatísticas sobre a violência, deles,…

Destruição em Brasília

Desde o último (des)governo do PT, e diretamente do centro e de dentro do Palácio do Planalto, acolher vândalos é a ação padrão aos atos públicos de questionamento das falhas realizadas por quem está no poder. Cerca de 10 mil pessoas estiveram diante do Congresso Nacional [1] em Brasília para questionar na última quarta-feira (30 de novembro), quem e o que fazem no legislativo. Parte dessas pessoas até pretendiam promover alguma pressão popular para compreender como deputadas e deputados tratavam e votavam as dez medidas contra a corrupção, que ocorreria na câmara dos deputados. O alvo era o senado, que promoveria a primeira votação da PEC 55 (proposta de emenda…

A França e o golpe civil-militar de 1964 no Brasil: ditadura, repressão e exílio

Paulo Cesar Gomes  Doutorando em História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil) [email protected] Resumo: O golpe militar de 1964 não prejudicou as relações políticas franco-brasileiras. Contrariamente, a chegada de um novo grupo ao poder foi vista pelas autoridades francesas como um sinal de maior estabilidade na política brasileira. Para eles, tudo parecia apontar para uma melhoria das relações bilaterais. Embora a intervenção militar tenha sido vista, de início, com alguma desconfiança, logo após a eleição de Castelo Branco, o novo regime, que aparentemente teria uma curta duração, foi reconhecido pelo governo francês. Mesmo que as relações econômicas e comerciais franco-brasileiras não representassem uma área prioritária para nenhum…

Controle social no sistema coronelista brasileiro1 (1890-1930): “aos amigos se faz justiça, aos inimigos se aplica a lei2

Márcio Júlio da Silva Mattos [3] Departamento de Sociologia – Universidade de Brasília (UnB) [email protected] e [email protected] Resumo: Nesta comunicação, pretendemos discutir o controle social durante a Primeira República, a partir da análise do sistema coronelista brasileiro, informados pela ética da cordialidade na identidade nacional. Para tanto, apresentaremos características do sistema político, conforme descrito por Leal (1948), a partir de um quadro analítico construído por meio da noção de figuração de Elias (1993). Nesse sentido, destacamos a configuração do regime político, em que surgem como aspectos centrais a matriz econômica agrária, a decadência dos grandes proprietários de terras, a fragilidade do poder público e a mudança do regime político, por meio da…

negro noviembre

sim. novembro negro. assim como o resto do ano inteiro, vale lembrar. mas novembro marca data que é memória de zumbi, que é outro nome do resistir. como dandara, como negra zeferina. como quilombo. nesta edição, mais outras vozes negras destas latitudes. que chegam com cantos de benção, de saudação, cantos de alegria e de guerra, cantos que são memória de vozes, de saberes que precisam circular mais por nossos sentidos. Fonte: http://latitudeslatinas.com/negro-noviembre/

As escolas, os estudantes e a flor

Uma das táticas infalíveis do processo de produção de consenso é a repetição contínua e sistemática de mentiras. São tantas vezes ditas que viram verdades. Nelas, também é bastante comum as coisas trocarem de lugar. A vítima vira o vilão. É batata! Assim tem sido com os estudantes que ocupam escolas. De repente, aqueles garotos e garotas, que se aborreciam nas salas de aula, decidiram tomar o presente à unha. E diante de uma proposta que os governantes chamaram de “reestruturação” resolveram se levantar. A gurizada não é burra. Logo se deu conta que a reestruturação queria dizer destruição. Na época, o governo paulista, de Geraldo Alkmin (PSDB) decidiu fechar…