A síndrome do impostor é definitivamente algo a se considerar. Algumas considerações para estudantes de pós-graduação não se sentirem externos à academia

Rachel Herrmann [1] [2] Ao meu passado, enquanto estudante de pós-graduação, No último verão eu escrevi uma carta sobre todas as coisas que eu queria que você soubesse quando iniciou a pós-graduação, mas eu fiz uma gigantesca omissão: A síndrome do impostor. Isso me ocorreu quando eu conversei com um novo estudante de pós-graduação neste outono e que descrevia a síndrome do impostor sem saber o que ela era, ou que muitos estudantes de pós-graduação passavam por isso. Assim, eu decidi escrever para você outra carta para lhe dizer o que é a síndrome do impostor, por que ela é importante, e o que você pode fazer sobre isso. A síndrome…

Da produção acadêmica e da academia de produção

Dando continuidade ao que eu e Carlitos já viemos postando aqui na IberoAmerica¹, eu gostava de problematizar mais um capítulo das limitações que a (i)lógica da produção acadêmica em ciências sociais vem produzindo. Notadamente no tocante a qualidade x quantidade de materiais em curso de produção. Por vezes acabo lendo teses antigas de antropologia, escritas duas, três ou quatro décadas atrás. Por vezes percebo que elas foram datilografadas. Aqui cabe lembrar que a extensão de páginas ou duração da pesquisa não diz muita coisa, mas a sua inexistência talvez possa dizer qualquer coisa. Algumas vezes estas teses são publicadas como livros. Normalmente estes livros tem dimensões ainda mais reduzidas quando…

Sobre webqualis, revistas de graduação em antropologia e a “boa vontade” de “antropólogos”

Eu lembro de pelo menos DUAS vezes quando eu não pude publicar (após o texto ser aceito) porque eu não possuía um título de DOUTOR (em antropologia), onde os periódicos, muito atenciosos e preocupados comigo, e não com o webqualis, me sugeriram incluir “alguém como co-autoria”, onde podiam inclusive sugerir nomes, para assinarem em uma escrita que não participaram. Esses periódicos são todos brasileiros ou controlados por uma ilógica brasileira. A.k.a.: webqualis + concursos públicos federais para cargos de docência. Devido a essa lacuna das possibilidades de publicação científica no Brasil, é comum alunas e alunos de graduação (das ciências sociais) organizarem revistas científicas, e não raras vezes, restringirem as…

Reciprocidades entre antropologias brasileiras e portuguesas

Hoje, em algum momento entre a tarde e a noite, em algum lugar onde algumas pessoas permitem praticar alguma antropologia em certa universidade pública brasileira, eu apresento publicamente a defesa de uma dissertação de mestrado. Há inclusão ali dumas teses sobre e em antropologia social. A tese maior, além de tratar de alguns ditos pós-colonialismos, escritos em português, fala de alguma história da antropologia portuguesa, alguma coisa da homônima brasileira, mas principalmente, sugere qualquer coisa como um tal conjunto de reciprocidades[1] entre as antropologias brasileiras e portuguesas, e esta feita por partes componentes de ambas, sejam agentes humanos ou instituições. Apresento abaixo, o post scriptum da dissertação, que assim como o…

Estudos de evolução humana na USP estão ameaçados de extinção

É com profunda tristeza que recebo nos últimos dias uma série de e-mails de colegas informando sobre a real possibilidade de encerramento do mais representativo laboratório de arqueologia do Brasil, e o mais próximo que a ciência brasileira permite chegar à antropologia biológica. A antropologia brasileira, de modo geral, não aceita a presença de componentes biológicas em seus estudos [1], notadamente quando estes carregam o nome de antropologia biológica, evolutiva ou física. Mesmo a antropologia médica, é distorcida e reduzida a uma faceta pouco representativa do original, aqui renomeada como “antropologia da saúde”. A arqueologia brasileira, e em alguns casos determinadas áreas da medicina ou a genética evolutiva, é que…