“Como vamos saber o tempo da nossa história acontecer?”

Como os indígenas do Parque Nacional do Xingu, hoje uma ilha de preservação socioambiental em meio ao monocultivo de soja e milho, percebem as alterações climáticas e suas implicações para a sobrevivência de seu povo?

Produzido em parceria pelo Instituto Socioambiental e o Instituto Catitu, o filme “Para onde foram as andorinhas?” retrata como a sabedoria ecológica desses povos, tradicionalmente conhecidos como os guardiões da floresta, está sendo impactada pelas alterações no ecossistema. O ciclo das borboletas, que surgiam na época da seca dos rios, e o ciclo das cigarras, que anunciavam as primeiras chuvas propícias para o plantio das roças, parecem ter sofrido alterações drásticas, deixando alarmados os indígenas do Xingu.

Xingu

O que para alguns pode parecer um mero detalhe dentro do ecossistema revela uma intrínseca relação entre os povos indígenas e o ambiente em que vivem, manejado de maneira eficaz e sustentável.

Incêndios e desmatamentos criminosos, construção de barragens e uma série de ações do “homem branco” são citados como fatores que desequilibram o ambiente e tem modificado tão drasticamente as dinâmicas ecossistêmicas dentro do Parque do Xingu. Afora as alterações climáticas e de regimes de chuva/seca, o Xingu foi convertido a um fragmento de mata preservada em meio ao monocultivo, passando a sofrer claramente do conhecido efeito de borda, que altera a estrutura, a composição e a abundância de espécies produzindo alterações abióticas e bióticas no ecossistema.

Para mim, mais do que apontar a percepção que os povos indígenas daquela região têm acerca das mudanças climáticas, o filme propõe uma reflexão para esse paradoxo entre modelos implantados na tentativa de obter a preservação da natureza e todo seu rico contexto sociocultural e um modelo predatório do meio ambiente e seus recursos naturais. Nesse sentido, as terras indígenas seriam a garantia de direitos, manutenção e preservação sociocultural ou prisões legalizadas que irão padecer das mazelas causadas pelo não-indígena que vive no seu entorno? Há muito o que refletir.

“Para onde foram as andorinhas?” (21m47s)
Prêmio de Melhor Curta Metragem no Festival Ambiental das Ilhas Canárias, 2016 | Prêmio Refúgios e Mudanças no Festival ENTRETODOS de Direitos Humanos, 2016
Direção: Mari Corrêa
Produção: Instituto Catitu e Instituto Socioambiental
Ano: 2016
socioambiental.org
institutocatitu.org.br

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