un río como sujeto de derechos

de agua somos. da água brotou a vida. os rios são o sangue que nutre a terra. e são feitas de água as células que nos pensam, as lágrimas que nos choram e a memória que nos recorda. a memória nos conta que os desertos de hoje foram os bosques de ontem, e que o mundo seco costumava ser mundo molhado, naqueles remotos tempos em que a água e a terra eram de ninguém e eram de todos. quem ficou com a água? o macaco que tinha o porrete. o macaco desarmado morreu de uma paulada. se não me engano,  assim começava o filme 2001 uma odisseia no espaço. algum tempo depois, em 2009, uma nave espacial descobriu que existe água na lua. a notícia acelerou os planos de conquista.  pobre lua. (eduardo galeano – los hijos de los días)
confira aqui a notícia sobre a sentença que reconhece o rio atrato, na colômbia, como sujeito de direitos. e aqui algo sobre o aquífero guarani.

latitudes latinas

un río como sujeto de derechos13/05/2017

confira as canções e xs artistas desta edição: 

río
marta gómez cd musiquita
a colombiana marta gómez começou a carreira musical cantando em um coro, e a partir de 1999, no berklee college of music, em boston, obteve seus primeiros reconhecimentos como artista. em 2005, além de ter sido indicada aos prêmios billboard de música latina na categoria jazz, ela foi escolhida como uma das cinco colombianas de  maior destaque nacional. a canção “río”, presente no cd musiquita (2009),  foi composta e interpretada por marta e faz um paralelo com o rumos da vida humana e os rumos de um rio.

un río pasa y lo miro, río abajo va
un río de agua de río, que baja hasta al mar
¿a dónde queda el mar, qué tan lejos está?

un río, viejo camino para un nuevo andar
a veces solo y vacío sin ganas de hablar
¿a dónde irá a parar tanta soledad?

y cuando un río pasa, adentro mío, por mi voz
y como si volara se me inunda el corazón,
también río yo.

un río pasa y me mira, río abajo voy
un río de agua dormida que calienta el sol
¿a dónde queda el sol, qué tan lejos estoy?

a veces viene triste, negro, rojo y sin canción
viene arrastrando ausencia hecha de guerra y de dolor
ya no río yo…

buscamos todos lo mismo, sentimos igual
andamos todos siguiendo un mismo caudal
con miedo de a la orilla jamás llegar

y cuando el río canta como queriendo olvidar
y cuando de mi pecho ya se quiere desbordar,
también río yo…

os filhos das águas do solimões
poema de marcia wayna kambeba em sua própria voz

indígena da etnia omágua/kambeba, márcia vieira da silva, mais conhecida como márcia kambeba, é graduada em geografia e mestra nesta mesma área. além disso, ela também é cantora, compositora, poeta e fotografa. em seus poemas, márcia fala da identidade do povo indígena, entre outras coisas . o poema “os filhos das águas do solimões” está presente no livro ay kakyri tama, lançado em 2013.

a água é a mãe que sustenta,
a vida que nasce como flor
alimenta a planta e o ser vivente,
é estrada por onde anda o pescador.

na enchente, vem veloz e furiosa,
derrubando ribanceiras, destruindo a plantação,
afeta a vida do indígena e ribeirinho,
é um ciclo, que se renova a cada estação.

na vazante o rio quase some.
a praia começa a surgir,
a água, agora bem calminha,
não tem forças para a roça destruir.

nas margens de um rio em formação,
vive um povo que a água fez nascer,
em um parto de dor e emoção,
a várzea, o kambeba escolheu pra viver.

mas em um contato fatal,
com um povo mais socializado,
fez dos herdeiros das águas,
um povo desaldeado,

tomando seu solo sagrado,
sem dor, piedade ou compaixão,
os kambeba foram escravizados,
apresentados a “civilização”.
exploraram a sua força,
forjando uma falsa proteção.

remanso inicial
grupo bahía trio cd pura chonta

bahía trío é um grupo instrumental de marimba de chonta, cununos,  bombo ou  tambora. com várias participações em festivais e concertos, o bahía trío  se lançou oficialmente enquanto grupo em 1992. contando com a presença de hugo candelario, compositor de “remanso inicial”,  canção presente no cd pura chonta (2005). bahía trío tem como uma de suas características a conservação das raízes da música do pacífico colombiano.

pescador galapagueno
hector napolitano y son de galapagos II cd el refrito

o compositor e intérprete equatoriano héctor luis napolitano galarza, mais conhecido como viejo napo, começou sua carreira musical nos anos 70, quando liderou a banda de rock “los apóstoles”. a canção “pescador galapagueno” está presente no cd el refrito.

ramita de pichinde
el brujo y su timba cd musica del viejo choco

nascido na colômbia, alfonso córdoba mosquera, el brujo, foi  compositor, construtor de instrumentos e investigador musical de ritmos do pacífico colombiano. pela sua contribuição com a cultura afrocolombiana, alfonso já foi diversas vezes homenageado e premiado. o disco musica del viejo choco foi lançado em 2007.

las olas de la mar
martina camargo/alé kumá cd cantaoras

filha de cayetano camargo, um conhecido compositor e intérprete, a colombiana martina camargo, juntamente com “alé kumá” (projeto musical que busca resgatar os ritmos afro-colombianos),  interpreta um dos grandes clássicos do repertório musical afro colombiano: “las olas de la mar”, canção presente no cd cantaoras.

tus padres te tienen dicho que no te hables conmigo, la mar
las olas de la mar.
los montes no tienen llave ni muralla, los caminos, la mar
las olas de la mar

palomita ay arrumera, llévame a tu comedero, la mar
las olas de la mar.
he sabido que estás sola, quiero ser tu compañero, la mar
las olas de la mar.

ay, señores, cómo haré pa’ cogerme esa paloma, la mar
las olas de la mar.
llega la trampa y se asoma pero no quiere caer, la mar
las olas de la mar.

tu fuiste la que pusiste tu cara sobre la mía, la mar
las olas de la mar.
y llorando me dijiste que jamás me olvidarías, la mar
las olas de la mar.

yo quisiera ser la brisa para batir tus cabellos, la mar
las olas de la mar
y meterme dentro de ellos para escuchar tu sonrisa, la mar
las olas de la mar.

panderito retirano, recógelo con la mano, la mar
las olas de la mar
ay, recógelo, ay, recógelo, la mar
las olas de la mar.

le lo le, fuego pandero, recógelo con la mano, la mar
las olas de la mar.
ay, recógelo, ay recógelo, la mar
las olas de la mar.

la canoa
vasallos del sol

vasallos del sol é um grupo formado no ano de 1990 por músicos e dançarinos. o conceito cênico e musical deste projeto tem como base de trabalho os cantos e danças tradicionais da venezuela. o grupo é composto por mais de 20 pessoas e gravou três discos, além de ter participações em diversos trabalhos de música e cultura venezuelana.

camino al mar ( jajoguero guata pavei)
tonolec com coro crianças guarani cd cantos de la tierra sin mal

formado em 2005 na argentina, a dupla tonolec, formada pelos músicos charo bogarín e diego pérez, combina elementos da música eletrônica com tradições da cultura indígena, especialmente dos povos qom toba, da província de chaco, argentina. tonolec tem 6 discos lançados que contam com composições próprias e canções tradicionais indígenas transmitida através de lideranças das comunidades toba do chaco e dos grupos de crianças qom guarani.

fiesta en el mar
alberto caleris cd fiesta em el mar

alberto caleris é um músico e produtor musical nascido na argentina. desde 1986, alberto pesquisa ritmos e canções afroequatorianas e realiza uma mescla com elementos de sonoridades urbanas. “fiesta em el mar” é uma canção sobre a festa da virgem de las mercedes, padroeira das comunidades negras da província de esmeraldas. esta canção, composta e interpretada por alberto, conta com a participação de músicos tocadores de marimba e cununos, além de fazer parte de um projeto produzido pelo artista que conta com quatro discos: cayapa, fiesta en el marbandas de serenata e diabluras y santerías.

una canción en el magdalena
martina camargo/alé kumá cd cantaoras 

alé kumá é um grupo criado pelo músico e produtor musical leonardo gómez. o projeto alé kumá se caracteriza pela difusão das músicas tradicionais do pacífico colombiano e de influência africana. o cd alé kumá– cantaoras  foi lançado em 2002 e reuniu mulheres cantoras que representam as tradições da música local, como etelvina maldonado, benigna solís, gloria perea e martina camargo. “una canción en el magdalena” foi escrita pelo poeta nicolás guillénem numa viagem pelo rio magdalena em 1946 e musicalizado por leonardo gómez.

sobre el duro magdalena,
largo proyecto de mar,
islas de pluma y arena
graznan a la luz solar.
verde negro y verde verde,
la selva elástica y densa,
ondula, sueña, se pierde,
camina y piensa.
el boga, boga,
preso en su aguda piragua,
y el remo, rema:
interroga al agua.
puertos
de oscuros brazos abiertos.
niños de vientre abultado
y ojos despiertos.
hambre. petróleo. ganado.
el boga, boga,
sentado,
boga.
el boga, boga,
callado,
boga.
el boga, boga,
cansado,
boga…
el boga, boga,
preso en su aguda piragua,
y el remo, rema : interroga
al agua.

te vengo a cantar
grupo bahía cd pacífico
formado em meados dos anos 80 por músicos colombianos, o grupo bahía busca destacar a influência da música tradicional do pacífico colombiano. a canção “te vengo a cantar” foi composta pelo músico e diretor musical do grupo bahía hugo candelario gonzález em homenagem a guapi, sua terra natal.

pescao envenenao
chocquibtown (feat. la 33) cd somos pacífico 
chocquibtown é um grupo que combina música do litoral pacífico colombiano com hip-hop. o nome da banda refere-se à origem dos seus integrantes, a cidade de quibdó, em chocó, na colômbia. utilizando elementos da rumba e do bembé, com matizes da música afro-colombiana, o grupo gravou o primeiro cd somos pacifico em 2006. a canção “pescao envenenao” conta com a participação de la 33, orquestra de salsa também da colômbia.

atención rumberos y rumberas, aquí les
llega un funky bugalú
con la participación especial de chocquibtown y la 33
para que lo goces de aquí hasta cafarnaún
¡eso es lo que hay!
yo no me como ese pescao así sea del chocó
ese pescao envenenao ése no lo como yo
mucho ojo mi gente que quieren envenenarte la cabeza
con pescao malo en la mesa
pero eso a mí no me estresa
ojo mucho ojo que el tráfico de influencias
de gente que sin decência
quieren verte en decadência
porque la envidia es mala
la gente sale con vainas raras –¡eh!–
problemas traen balas
la próxima vez te doy en la cara
por darme tu pescao envenenao te llevo em la mala
saca las manos de mi bolsillo, no me vas a tumbar
con ese cuento tan raro no me vas a robar
a otro perro con ese hueso, te rompo la boca y allí no ponen yeso
¿dices que produces más que quien?
¿que el mejor?
sabiendo que lo que te doy es puro sabor
si algún día te llame sonero
hoy eres peor que político embusteiro
¡toma!
no me gusta tu tumbao, mucho menos tu pescao
a mí no me lo des que ya te tengo pillao
cada cuatro años se ve venta de bacalao
menos mal que mantengo los bolsillos apretaos
el fanatismo!!
no deja ver por encima del ocultismo
manejan los políticos y se llevan a los  mismos pelaos,
¿qué hacen en esa estera?
no coman el pescao que les quieren dar la pela
estás cerca de mí y no me quieres ¡ qué bien!
me quieres ver pasando al otro lado
por eso es que me das tu pescao envenenado
¡ja ja! ¡qué risa me da!
primero caes vos antes de que me puedas tocar
toma un consejo para la posteridad
vete de aquí mala energía y no vuelvas más
pescao envenenao, pescao envenenao