Primeira infância

Desde o ano passado comecei a ter o contato, através dos estágios curriculares da universidade, com crianças de 0 a 3 anos. E cada momento em campo, foram/são de inúmeras descobertas, pois à medida que os pequenos conhecem os sons, as cores, os cheiros e sabores, nós também passamos a conhecer esse novo mundo que envolve a Primeira Infância.

A primeira infância é a etapa da vida da criança que perpassa desde o nascimento até os primeiros seis anos de vida, e envolve um mar de descobertas e experimentações. Os pequenos vão começar a desvendar o mundo através do sensorial, eles vão cheirar, tocar, colocar na boca, morder, jogar, pisar, ouvir, ver… O tato, o paladar, a audição, a visão e o olfato, em outra época não serão tão bem utilizados como nesse período, afinal a socialização da criança se dá por imitação de sons e movimentos, sendo assim esses sentidos são a porta de entrada das crianças no mundo.

Essa fase é crucial para o desenvolvimento da criança, sendo importante citar que tal é influenciado pela realidade em que os pequenos estão inseridos, ou seja, a família, meio em que vive, pois os exemplos vindos do adulto serão/são modelos para a criança. Quando falamos de desenvolvimento, o amadurecimento do cérebro, e o crescimento físico, podem ser dados como um forte exemplo. Segundo a Revista Crescer,

(…) o cérebro infantil tem de trabalhar incansavelmente: é duas vezes mais ativo do que o de um adulto. Para dar conta de tamanha atividade, 75% da energia do corpo é destinada ao desenvolvimento neurológico.

Porém, para que tudo isso possa acontecer, essa criança precisa ser apresentada a pequenas coisas, que para nós podem ser realmente simples, mas para elas são de suma importância, como: o cuidado, carinho, proteção, mas também o brincar, a musicalidade, o incentivo às explorações…

Vale destacar, que a fase da primeira infância, em hipótese alguma, deve ser resumida ao contexto familiar- somente ao cuidado da família-, como já disse anteriormente, esse momento é importante para a formação e o desenvolvimento da criança. Nessa fase, é necessário que a família participe ativamente de todo processo em que os pequenos estão envolvidos, entretanto, ao se tratar desse assunto, todos os olhares devem estar atentos! Muitos distúrbios, e problemas de aprendizagem, por exemplo, são oriundos dessa fase da vida, então precisamos entender que a base da saúde física, assim como os bons hábitos alimentares, está na primeira infância, como diz a psicóloga Alessandra Seabra, que é especialista no tema.

De 0 a 6 anos, a crianças vai passar por diversos estágios educacionais: a creche, a pré-escola, e o primeiro ciclo do Ensino Fundamental- o 1º ano. A conquista da obrigatoriedade da pré-escola (crianças de 4 a 5 anos), em 2013, e sua proposta de universalização até 2016 (a partir da meta 1 do PNE), foi uma grande conquista para nós- defensores da educação infantil-, pois até 2013 ela era opcional. A creche, assim como a Pré- Escola, é importante, não só para a socialização das crianças, mas também para o incentivo dessas novas descobertas e conexões. Mesmo tendo inúmeros benefícios, a matrícula de crianças na pré-escola ainda não atingiu 100% (mesmo sendo obrigatória), e a na creche nem chegou ao mínimo de 50%. Sendo também válido ressaltar as diferenças sociais entre os alunos, a maioria dos matriculados em creches são crianças mais ricas, assim como as matriculadas na pré-escola. Mas, não é só a matrícula que importa, precisamos oferecer educação de qualidade, estrutura voltada para as crianças (não adaptada para elas), o cuidado com a alimentação, o falar sobre os diversos saberes, entre outros diversos e complexos assuntos que devem ser trabalhados desde essa época. É válido citar que até o ano de 2003, as crianças de 6 anos faziam parte da Educação Infantil, e era chamado de grupo 6. Essa mudança foi extremamente difícil, as escolas- e as crianças-, tiveram até 2012 para se adaptar, sendo assim cada escola encontrou a sua “maneira” de receber os recém-saídos do grupo 5.

Gosto sempre de expor que sou uma grande defensora da Educação Infantil, principalmente da Creche. E nos estágios consigo perceber claramente o desenvolvimento das crianças. Atualmente faço estágio em uma turma do grupo 1. E nesta escola, que tem um perfil diferenciado das muitas que já conheci, desenvolve-se um trabalho que considero importantíssimo para as crianças nessa fase: o acolhimento e integração entre as crianças veteranas e as novas. É perceptível o avanço no amadurecimento das crianças em todos os sentidos (sociais, atitudinais, comportamentos e cognitivos).

A fase de acolhimento, período de adaptação, é sempre dolorosa, tanto para a criança, tanto para os pais. Todavia, após esse período a criança dispara em prol de seu desenvolvimento, mesmo inconscientemente: ela começa a dançar, correr, pular (corporeidade/movimento); a comer sozinha, segurar na mamadeira (independência); cantar e conversar (comunicação), mesmo que no inicio não se entenda o que ela quer dizer. Esse iniciante vai perpassar por esses e outros aprendizados até chegar a ler e escrever, passando assim para a próxima fase da vida que é o ensino fundamental.

Referências

Crescer, Primeira infância: você sabe o que é? Disponível em< http://revistacrescer.globo.com/Primeira-Infancia/noticia/2016/04/primeira-infancia-voce-sabe-o-que-e.html. Acesso em 10. mar.2017

Minha vida, Por que a primeira infância é importante? Disponível em< http://www.minhavida.com.br/saude/materias/11558-por-que-a-primeira-infancia-e-importante. Acesso em 10. mar.2017