Sobre as eleições em FlorianóPSOLis

É de se pensar para as próximas eleições municipais em Florianópolis, se o pacto feito pelo PSOL a base de óleo de enxofre com o PV e com a Rede (que quase teve outras personagens de carácter ainda mais questionável, e que COM CERTEZA seriam protagonistas no spin-off chamado “segundo turno”…) valer(i)am o sacrifício de uma (pequena?) parte dos votos que estão no momento codificados com “brancos, nulos e abstenções” (fora todos aqueles outros (poucos) que estão alojados no partido do Zé Maria e sem norte desde o rompimento deste partido consigo mesmo meses atrás). Há gente ali que acredita em esquerda. E não é aquela esquerda com gosto de PC do B nem de PT.

Nós f/somos 68.168 (22,86%) dos votos possíveis para prefeito nesta capital. Este número é maior para vereadores (74 mil, dos 321 mil votos)¹.

Vou explicitar: UM QUARTO DOS VOTOS. Em unidades monetárias de 2016 é o equivalente à 1,2 Elsons, ou 6,9 Pedrãos.

Em 2018 e em 2020 seremos mais ainda. Neste ano fazem 14 anos (7 eleições) que eu me recuso a votar em siglas partidárias, mas há nestes outros 68/74 e tantos mil votos quem ousasse votar em um candidato ou candidata que não se vendesse por tão pouco (o PV pode ser medido em aproximadamente 0,1 Pedrão, e a Rede vale na cotação de outubro de 2016 mais ou menos 0,05 Pedrão). Essa gente provavelmente votou branco/nulo (ou faltou intencionalmente) pela primeira vez. Efetivamente há gente que acredita nesta história de “esquerda viável”, “esquerda possível” e “é o que temos”. Esta gente poderia ser o alvo e foco, ao invés do comportamento e da prostituição ideológica aos moldes do PMDB que foi feita desde o fechamento do pacto com a Rede da Marina e com a Clorofila do Portanova.

É bacana saber, antes de se preparar para 2018/2020, que sem maioria na câmara não se anda. Beira-me a estupidez concentrar tamanho esforço na prefeitura e praticamente ignorar a câmara de vereadores. Não se faz política com o nome de um salvador. Isso só funcionou nas lendas da Bíblia e mataram no final o pobre coitado, depois de o torturar por dias. Dos 30 e tantos candidatos da coligação VivaCidade, 24 não chegaram aos 500 votos. Outra quase dezena não passou de um milhar. Só quem teve alguma votação que potencialmente poderia ser expressiva já vinha se candidatando há décadas².

São os resquícios da dependência óbvia da garantia do quociente eleitoral e na velha forma de política onde elegem-se os velhos políticos de sempre (os três eleitos da coligação VivaCidade já foram eleitos no passado, outros ex-eleitos poderiam ter sido eleitos e a coisa seria maior…). O modo de seleção de candidatos me lembra a estudante (que nem isso pode dizer que é) que se candidatou a prefeita pelo outro partido, o partido dos carecas do ABC. Sim, sei das assembleias, feitas daquele jeito. A seleção de potenciais candidatos PRECISA ser outra, que não seja a de “homens com experiência na política”. Esse filtro é o utilizado por minhas avós para decidir em quem votar. Não precisa ser esse o filtro para decidir quem vai se candidatar, especialmente se o discurso for de mudança. Está no nível da Raiz da Erundina, fala-se em juventude e mudança enquanto ostenta uma múmia de 900 anos na TV em horário nobre, rodeada de adolescentes. Foca-se na idade média ou mediana entre as partes e esquece-se do protagonismo que é dado a apenas uma pessoa.

Em FlorianóPSOLis, para tentar explicar a derrota (que alguns dizem ter gosto de vitória) podem atacar a deputada, podem atacar a homônima à ela, lembrando sempre que uma anda cheirando a asa do PMDB há décadas e a outra voando na asa do maridão senador (diria provedor) durante período ainda maior. Só que isso não é novidade para ninguém. O outro também já é figurinha marcada pelos outdoors de feliz dia das mães, dos pais e dos professores. Essa é a política deles. E é em parte por isso que os brancos e nulos e abstenções só sobem. E vai aumentar ainda mais. A tendência é remover a obrigação de voto. E será uma luta ainda maior fazer essa gente votar daqui 20 ou 30 anos.

E ainda é de se destacar, várias vezes, e até 2020, que houve (e vai continuar) um problema sério na legenda que encabeçou a coligação VivaCidade, especificamente pela falta de ideologia mínima se pretendem ser eleitos na base do voto de chapa. O voto de chapa só funciona de certa maneira, e claramente essa gente não está preparada para combater ao filhote da ditadura que substituiu o Arena e hoje colocou um P na frente do nome.

Do contrário, esse movimento é, e vai continuar sendo, uma tentativa falha de ser um PMDB com solzinho (acompanhando do arco-iris LGBT-friendly e um cão) de fundo. E enquanto assim for, eu dispenso. Espero que mais gente continue dispensando. Os cadáveres dessa velha forma de fazer política na base do voto de chapa precisam definhar. O problema é que há gente que continua fazendo fisioterapia com esses senhores. Assim não vai definhar nunca.

Notas

¹ Podem ser consultados os dados aqui.

² Idem anterior.

Fonte: Produção originalmente publicada no facebook.

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